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8ª semana CCM 2026. Artigo 6.4 e fim MDL; créditos de carbono unem Arábia Saudita e América; regras para emissores no Japão; Quênia lança registro; Bonaire em foco; IFRS; risco físico encarece crédito

  • Art Dam
  • há 2 horas
  • 7 min de leitura

Segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026.


Nos últimos dias tivemos muitas novidades sobre os mercados de carbono, que trazemos na edição de hoje para você.


Antes de tudo, a música da semana: Latin Power On The Rise, um Latin trap reggaeton em espanhol e inglês. Ela traz o conteúdo do nosso último post de um jeito mais leve e artístico. Ouça também as outras músicas — você vai gostar. E nas próximas semanas pode ser até na sua língua, como anunciamos pela primeira vez na 7ª semana CCM 2026, dentro do nosso projeto criativo — complementar aos artigos técnicos e com a mesma qualidade que você já conhece.



E vamos à 8ª semana de Carbon Credit Markets em 2026


O mercado de carbono teve uma semana intensa: a ONU acelerou a implementação do Artigo 6.4, o MDL inicia seu desligamento definitivo, a Arábia Saudita amplia parcerias na América do Norte para se firmar como hub de créditos de alta integridade, o Japão avança com regras obrigatórias para grandes emissores e o Quênia lança seu Registro Nacional de Carbono.


Outro destaque foi a decisão do Tribunal de Haia obrigando o governo holandês a proteger Bonaire dos impactos da crise climática, reforçando a responsabilidade estatal diante de riscos físicos crescentes. E pode ter interesse da indústria petrolífera nessa decisão.


Nas Curtas & Oportunidades, a IFRS Foundation reúne materiais essenciais para apoiar divulgações climáticas sob os padrões ISSB, e um estudo recente confirma que o risco climático físico já tem preço claro no crédito bancário, elevando spreads e endurecendo condições para empresas mais vulneráveis.


Listamos também eventos, como o Bolivia Carbon Forum, as Climate Weeks da UNFCCC e a Conferência Brasileira Clima e Carbono. Mais detalhes a seguir



Créditos de Carbono


ONU acelera implementação do novo mercado global de carbono com foco em créditos de alta integridade

Press release da UNFCCC, publicado em 20 de fevereiro, indica que o órgão da ONU responsável pelo Paris Agreement Crediting Mechanism (PACM) aprovou um plano acelerado para impulsionar a implementação do novo mercado global de carbono. A estratégia prioriza setores com maior demanda e potencial de impacto climático, enquanto avança no desenvolvimento de metodologias mais robustas para garantir reduções de emissões reais e verificáveis.


A reunião também aprovou novas ferramentas técnicas, revisou os procedimentos de transição do antigo Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), fortaleceu o sistema de acreditação e confirmou novas lideranças — incluindo Mkhuthazi Steleki como presidente e Jacqui Ruesga como vice-presidente. Com essas decisões, o mecanismo entra em fase operacional, buscando entregar créditos confiáveis que ofereçam integridade ambiental e segurança para países, empresas e investidores.



MDL encerra ciclo de 25 anos e abre caminho para o Artigo 6.4

O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL/CDM), criado há 25 anos pelas Regras de Marrakesh, encerra oficialmente sua trajetória e marca a transição para o Artigo 6.4 do Acordo de Paris, conforme Carbon Credit Markets antecipou durante a COP30. A secretaria da UNFCCC confirma que as funções do MDL serão progressivamente desligadas até o fim de 2026, enquanto países e entidades têm apenas alguns meses para solicitar transições e emissões finais. As Partes também precisam decidir, ainda em 2026, o destino dos créditos CER remanescentes. A transição ocorre em paralelo ao avanço da implementação do Artigo 6.4, que substituirá o MDL como mecanismo centralizado de geração de créditos. As regras já definem prazos formais — como o envio das aprovações de transição até junho de 2026 — e ajustes procedimentais para garantir consistência entre atividades novas e atividades migradas. Esse movimento consolida a passagem de um sistema criado no início dos anos 2000 para uma nova arquitetura de mercado, mais alinhada às NDCs e à integridade ambiental reforçada.



Arábia Saudita e América do Norte ampliam cooperação para impulsionar mercado de créditos de carbono de alta integridade

Em 5 de fevereiro de 2026, durante o evento CMF Select New York, a Regional Voluntary Carbon Market Company (RVCMC) — empresa estatal saudita fundada em 2022 pelo Public Investment Fund (80%) e pelo Saudi Tadawul Group (20%) para desenvolver o mercado voluntário de carbono e preparar a transição para futuros mecanismos de conformidade — anunciou, juntamente com a Saudi Press Agency (SPA), novas parcerias estratégicas na América do Norte. Os acordos incluem exclusividades com algumas empresas abrangendo desde a distribuição local de plataformas de descarbonização - ferramentas operacionais de gestão climática - até o desenvolvimento de projetos de remoção de carbono dentro da Arábia Saudita. O movimento reforça a ambição do Reino de se tornar um hub global de créditos de carbono de alta integridade, ao mesmo tempo em que aprofunda a integração entre Arábia Saudita e Estados Unidos no avanço das finanças climáticas.


Circula no mercado a informação de que a RVCMC pretende lançar um sistema de conformidade de carbono até 2028, adotando uma estratégia gradual que aproveita e expande o mercado voluntário já existente, em um modelo de transição que prioriza desenvolvimento de mercado primeiro e regulação depois.


O PIF é o fundo soberano da Arábia Saudita, criado em 1971 e responsável por financiar projetos de importância estratégica para a economia do país, enquanto o STG supervisiona, administra e desenvolve os mercados financeiros sauditas, incluindo a bolsa de valores e serviços relacionados a títulos e investimentos.



Japão Avança no Comércio de Carbono com Regras Obrigatórias para Grandes Emissores

O gabinete japonês aprovou um pacote legislativo que institui um sistema obrigatório de comércio de carbono, impondo participação compulsória a empresas que emitam 100 mil toneladas ou mais de CO₂ por ano, um grupo estimado entre 300 e 400 companhias responsáveis por cerca de 60% das emissões nacionais. A partir do ano fiscal de 2027, essas empresas receberão cotas anuais de emissões, podendo vender excedentes ou comprar permissões adicionais caso ultrapassem seus limites, sob risco de multas financeiras se ainda excederem após as compras. O método de cálculo das cotas está em definição, enquanto novas etapas da política climática incluem uma taxa sobre importadores de combustíveis fósseis em 2028 e o início dos leilões de permissões para empresas de energia em 2033. Paralelamente, outra lei aprovada exige que, a partir de 2026, fabricantes e vendedores de determinados produtos plásticos utilizem materiais reciclados, reforçando a estratégia nacional de descarbonização e economia circular. A aprovação final depende do Parlamento, mas a decisão de Gabinete indica prioridade política alta e alinhamento entre METI e Ministério do Meio Ambiente.



Quênia Consolida Governança Climática com Lançamento do Registro Nacional de CarbonoO Quênia formalizou a entrada em operação do Kenya National Carbon Registry, plataforma digital oficial para registrar, acompanhar e autorizar projetos e créditos de carbono, desenvolvida e validada pela NEMA – National Environment Management Authority (autoridade responsável pelo registro) em parceria com a Climate Change Directorate, órgão do governo queniano responsável por coordenar a política nacional de mudança do clima. O sistema, construído com amplo engajamento de stakeholders, testes de usabilidade e capacitação institucional, reforça a integridade do mercado ao evitar double counting, garantir alinhamento ao Artigo 6 do Acordo de Paris e consolidar a soberania digital do país sobre dados climáticos. Com mais de 300 projetos ativos em setores como energia renovável, florestas e agricultura, o registro centraliza informações antes dispersas, aumenta a transparência pública e fortalece a confiança de investidores e comunidades. O Quênia passa a dispor de uma infraestrutura que serve de referência continental para mercados de carbono de alta integridade — e tudo isso poucos dias após ter estado nas manchetes ao negar a continuidade da Koko, um grande projeto de clean cooking no mercado voluntário.



Outro Destaque


Tribunal de Haia obriga governo holandês a proteger Bonaire dos impactos da crise climática

Uma decisão recente do Tribunal de Haia determinou que o governo holandês adote medidas urgentes para proteger os moradores de Bonaire, uma ilha caribenha em processo de afundamento devido à mudança climática, conforme reportado pela Euronews e pelo Dutch News. A sentença — comparada a precedentes envolvendo Fiji e ao parecer consultivo do Tribunal Internacional de Justiça — reforça que Estados têm a obrigação legal de proteger populações vulneráveis diante da elevação do nível do mar, erosão costeira e eventos extremos, tema que ganhou destaque na mídia internacional durante a COP30


Bonaire, que integra o Reino dos Países Baixos e fica a apenas 80 km da costa da Venezuela, praticamente em frente a Caracas, tem relevância histórica no Caribe: ao longo do século XX, formou com Aruba e Curaçao um importante hub petro-industrial, no qual Curaçao abrigava uma das maiores refinarias do mundo, enquanto Bonaire desempenhava funções estratégicas de armazenamento, logística e apoio ao refino e ao transporte do petróleo venezuelano — integrando um complexo energético crucial para o comércio de petróleo na região.



Curtas & Oportunidades


A IFRS Foundation seleciona 4 publicações para orientar divulgações climáticas com os ISSB Standards



O estudo Physical Climate Risk and the Pricing of Bank Loans, publicado no Journal of Environmental Economics and Management (Elsevier), mostra que há um hard price para o risco climático físico: maior vulnerabilidade eleva spreads, aperta termos contratuais e piora ratings de longo prazo.



Eventos


🇧🇴 5 de março, Bolivia Carbon Forum, Santa Cruz, Bolivia


🇵🇾 25 e 26 de março, Paraguay Carbon Forum, Asunción, Paraguay


🇨🇴🇳🇱28 e 29 de abril de 2026, First International Conference on Phasing Out Fossil Fuels, pelos Governos da Colômbia e dos Países Baixos. Na cidade de Santa Marta, Colômbia


🇵🇪 27 e 28 de maio, Peru Carbon Forum 2026, 3ra edición, ESAN, Lima, Perú


Entre a COP30 e a COP31, quando governos, líderes financeiros e implementadores deixam de negociar textos e passam a construir os mecanismos concretos que realmente entregam resultados.

🇰🇷🇺🇳21 a 25 de abril, Climate Week 1, Yeosu, Coréia do Sul

🇦🇿🇺🇳 5 a 9 de outubro, Climate Week 2, Baku, Azerbaijão


🇧🇷 27 e 28 de agosto, Conferência Brasileira Clima e Carbono, Aliança Brasil NBS




Carbon Credit Markets é canal educativo e mídia referência nos mercados de carbono, membro da coalisão COP Experience, com forte presença digital e audiência global em mais de 100 países, o site número 1 no Brasil e o 16º mais influente do mundo, segundo o FeedSpot.




Mosaico Carbon Credit Markets Week 08 2026
Mosaico Carbon Credit Markets Week 08 2026

 CARBON CREDIT MARKETS

“Nothing in life is to be feared, it is only to be understood. Now is the time to understand more, so that we may fear less.”

“I am among those who think that science has great beauty”

Madame Marie Curie (1867 - 1934) Chemist & physicist. French, born Polish.

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