top of page

6ª semana CCM 2026. Padrões Artigo 6.4; colapso da KOKO no Quênia; bond milionário em Gana; setor público e clima; UK reconsidera TCFD; ISSB e natureza; Land Sector Removals Standard; Coreia net zero

  • Art Dam
  • há 3 horas
  • 7 min de leitura

Segunda-feira, 09 de fevereiro de 2026.


6ª semana de Carbon Credit Markets em 2026. O Painel Metodológico (MEP) avançou na atualização de metodologias, ferramentas técnicas e padrões do Mecanismo de Crédito, recomendando novas ferramentas do MDL e abrindo consultas públicas sobre riscos e biomassa; paralelamente, o Governo do Quênia bloqueou a LoA da KOKO Networks, precipitando o colapso de um grande projeto de clean cooking e expondo riscos sistêmicos; enquanto isso, um bond inovador de US$ 200 milhões do Standard Chartered, estruturado pelo IBRD, impulsiona créditos de carbono e clean cooking em Gana, combinando financiamento de impacto, mitigação climática e compra de ITMOs.


Lançado o SRS 1, o primeiro padrão público de divulgações climáticas, fortalecendo transparência, responsabilidade e decisão governamental, enquanto o Reino Unido abriu consulta para substituir o TCFD pelos novos UK SRS alinhados ao ISSB, tornando obrigatória a divulgação climática (S2) e mantendo Escopo 3 e S1 em regime de comply or explain; paralelamente, o ISSB sinaliza a criação de um futuro padrão global de natureza com foco em biodiversidade, ecossistemas e serviços ecossistêmicos.


O GHG Protocol apresentou o Land Sector and Removals Standard, preenchendo uma lacuna crítica em setores agrícolas e tecnologias emergentes como captura direta de ar; paralelamente, a Coreia do Sul avança em uma ambiciosa agenda de descarbonização, com compromisso de atingir net zero até 2050


Eventos, inclusive Carbon Forums na Bolivia, Paraguai e Peru. Abaixo mais detalhes.



🏆Interessado no nosso Anuário Carbon Credit Markets 2025 e ainda não recebeu o newsletter? 


Envie um e‑mail a partir do seu endereço principal para contact@damasceno.org, com o assunto “Anuário Carbon Credit Markets 2025”, e enviaremos todos os detalhes. Aproveite também para se cadastrar em www.carboncreditmarkets.com.



Créditos de Carbono


Painel Metodológico Avança Padrões do Mecanismo de Crédito e Abre Consultas Públicas

O Painel de Especialistas Metodológicos (MEP) reuniu‑se de 26 a 30 de janeiro de 2026 para avançar no desenvolvimento de metodologias, ferramentas técnicas e padrões do Mecanismo de Crédito do Acordo de Paris, revisando o progresso em áreas como atualização de ferramentas do MDL, harmonização metodológica, avaliação de riscos e análise de propostas de novas metodologias. O encontro resultou na recomendação de adoção de duas ferramentas revisadas do MDL — emissões de eletricidade e vida útil técnica de equipamentos — e no lançamento de consultas públicas sobre os rascunhos das ferramentas de análise de risco de lock‑in e fração de biomassa não renovável, com prazos em fevereiro de 2026. O MEP também avançou na harmonização de metodologias para energias renováveis conectadas à rede, cozinha limpa, e em padrões de amostragem e pesquisa, além de desenvolver o instrumento de avaliação de risco de reversão, uma nota conceitual sobre o parágrafo 62 do padrão de remoções e revisões no padrão de demonstração de adicionalidade. O painel ainda analisou propostas de metodologias para amônia de baixo carbono, fertilizantes com amônia renovável, abatimento de N₂O, transições de cozinha limpa e gestão de fogo em savanas. Os resultados orientarão o trabalho técnico ao longo de 2026, com novas consultas e reuniões previstas, incluindo o próximo encontro de 9 a 13 de março de 2026.


Governo do Quênia barra autorização e precipita colapso de projeto popular de créditos de carbono de clean cooking

O colapso da KOKO Networks Limited ganhou contornos oficiais quando o governo do Quênia negou a Letter of Authorisation (LoA) — documento indispensável para a exportação de créditos de carbono sob o Artigo 6 — decisão amparada pelas Climate Change (Carbon Markets) Regulations (2024). Sem a LoA, a empresa perdeu acesso ao mercado internacional e entrou em crise operacional, levando à intervenção de uma auditoria internacional, que assumiu a administração para conduzir a reestruturação, conforme noticiado pelo Business Daily Africa. O escândalo tem sido amplamente discutido, tanto pela Kenya Insights quanto por Richard Kitheka Mbindyo no LinkedIn.


O projeto da KOKO distribuía fogões eficientes a bioetanol e abastecia cerca de 1,5 milhão de lares por meio dos KOKOpoints, reduzindo de forma significativa o uso de biomassa lenhosa não renovável. Seus créditos — aproximadamente 15 milhões emitidos, com menos de 2% aposentados — foram certificados pelo Gold Standard sob metodologias de clean cooking, permitindo sua atuação no mercado voluntário antes da crise regulatória.


A falha expõe os riscos sistêmicos enfrentados por desenvolvedores que dependem de autorizações governamentais e ameaça o fornecimento de créditos elegíveis ao CORSIA antes dos prazos críticos de conformidade de 2027–2028.


Bond inovador impulsiona créditos de carbono e clean cooking em Gana

O Standard Chartered – banco internacional com sede em Londres, Reino Unido, conhecido por atuar principalmente em mercados emergentes da Ásia, África e Oriente Médio – anunciou o fechamento do Clean Cooking Outcome Bond de US$ 200 milhões, estruturado pelo International Bank for Reconstruction and Development (IBRD) – braço do Banco Mundial que capta recursos no mercado global para financiar desenvolvimento sustentável em países de renda média e baixa – que vai liberar US$ 30,5 milhões para projetos de clean cooking em Gana, com pagamentos vinculados a resultados verificáveis, incluindo redução de emissões e geração de créditos de carbono.


O modelo combina financiamento de impacto, mitigação climática e benefícios sociais, demonstrando como instrumentos baseados em resultados podem ampliar o acesso a tecnologias limpas enquanto fortalecem mercados de carbono de alta integridade. A Suíça desempenha papel central na operação por meio da KliK Foundation, que comprará os ITMOs (créditos transacionados sob o Artigo 6.2 do Acordo de Paris). Esses créditos passam por uma dedução obrigatória chamada OMGE (Overall Mitigation in Global Emissions) — um mecanismo que exige que parte dos créditos seja cancelada permanentemente, garantindo que o mercado de carbono gere redução líquida global de emissões, e não apenas compensações. Após essa dedução, os créditos restantes serão registrados no Swiss Emissions Trading Registry para cumprimento das metas climáticas da Suíça sob sua Lei de CO₂




Outros Destaques


IPSASB lança primeiro padrão público para divulgações climáticas

O International Public Sector Accounting Standards Board publicou o IPSASB SRS 1 – Climate‑related Disclosures, o primeiro padrão de reporte climático para o setor público, criado para fortalecer a transparência, a responsabilidade e a tomada de decisão de governos diante dos crescentes riscos climáticos e eventos extremos. Desenvolvido com apoio do Banco Mundial, o novo padrão preenche a ausência de diretrizes claras para que entidades públicas divulguem, de forma consistente, comparável e alinhada ao IFRS S2, informações sobre riscos e oportunidades climáticas, facilitando também o acesso a financiamentos voltados à resiliência. O IPSASB destaca que governos têm papel central na ação climática e que a adoção do SRS 1 — aplicável a partir de 2028, com adoção antecipada permitida — representa uma oportunidade inédita de ampliar a qualidade das informações climáticas disponíveis ao público, apoiada por iniciativas de capacitação como o webinar global anunciado para fevereiro de 2026. Aqui o press release da IPSASB, lembrando que a situação repete-se em outros países, como divulgamos recentemente “Auditoria global de 70 tribunais de contas revela que países planejam, mas não entregam adaptação climática


Reino Unido abre consulta para substituir TCFD por novo padrão de sustentabilidade alinhado ao ISSB

O capítulo resume a consulta pública do regulador britânico sobre a atualização das regras de divulgação de sustentabilidade para companhias listadas, substituindo o atual modelo alinhado ao TCFD — agora descontinuado — por requisitos baseados nos novos UK Sustainability Reporting Standards (UK SRS), derivados das normas do ISSB; a proposta mantém foco em informações financeiramente materiais, torna obrigatória a divulgação climática segundo o UK SRS S2, mantém emissões de Escopo 3 e temas de sustentabilidade não climática (S1) em regime de “comply or explain”, exige transparência sobre planos de transição e asseguração independente, adota abordagem flexível para emissores internacionais e busca equilibrar comparabilidade, qualidade das informações e tempo de adaptação, com previsão de regras finais no outono de 2026 após consulta ao mercado. A consulta pública de 115 páginas pode ser acessada aqui, na página da IFRS Foundation que reúne as consultas públicas que países do mundo estão conduzindo para adotar ou adaptar os padrões de divulgação de sustentabilidade do ISSB.


ISSB prepara terreno para novo padrão global de natureza com foco em ecossistemas e métricas críticas

ISSB avança na criação de um futuro padrão sobre natureza ao detalhar, em staff paper de alguns meses atrás, o plano e o escopo para desenvolver divulgações sobre biodiversidade, ecossistemas e serviços ecossistêmicos, destacando lacunas de informação, necessidade de dados location‑specific, integração com IFRS S1/S2 e forte alinhamento ao TNFD. Acesse aqui o IFRS Foundation – Staff Paper (Agenda Paper 3, julho/2025).



Curtas & Oportunidades


Land Sector and Removals Standard (LSR) apresentando no último dia 30 de janeiro pelo GHG Protocol. Trata-se da primeira referência global para que empresas contabilizem emissões e remoções de CO₂ provenientes do uso da terra em atividades agrícolas e de tecnologias emergentes, como a captura direta de ar. Embora o setor de uso da terra responda por quase um quarto das emissões globais, as empresas historicamente careciam de um método confiável e comparável para reportar esses impactos. O novo padrão preenche essa lacuna crítica, fortalecendo a precisão dos inventários corporativos de GEE e elevando a qualidade das métricas climáticas no setor privado. Mais abaixo listamos um webinar no dia 12 de fevereiro de 2026.


A Coreia do Sul embarcou em uma ambiciosa jornada de descarbonização, com compromisso de alcançar emissões net zero até 2050. Leia publicação de 21 de janeiro pelo King & Wood Mallesons, grande escritório internacional de advocacia comercial com origem na Ásia‑Pacífico



Eventos



🇩🇪 16 a 20 de fevereiro, Supervisory Body's 20th meeting (SBM 020), Bonn, Alemanha


🇧🇴 5 de março, Bolivia Carbon Forum, Santa Cruz, Bolivia


🇵🇾 25 e 26 de março, Paraguay Carbon Forum, Asunción, Paraguay


🇨🇴🇳🇱28 e 29 de abril de 2026, First International Conference on Phasing Out Fossil Fuels, pelos Governos da Colômbia e dos Países Baixos. Na cidade de Santa Marta, Colômbia


🇵🇪 27 e 28 de maio, Peru Carbon Forum 2026, 3ra edición, ESAN, Lima, Perú


Entre a COP30 e a COP31, quando governos, líderes financeiros e implementadores deixam de negociar textos e passam a construir os mecanismos concretos que realmente entregam resultados.

🇰🇷🇺🇳21 a 25 de abril, Climate Week 1, Yeosu, Coréia do Sul

🇦🇿🇺🇳 5 a 9 de outubro, Climate Week 2, Baku, Azerbaijão




Carbon Credit Markets é canal educativo e mídia referência nos mercados de carbono, membro da coalisão COP Experience, com forte presença digital e audiência global em mais de 100 países, o site número 1 no Brasil e o 16º mais influente do mundo, segundo o FeedSpot.




Mosaico Carbon Credit Markets Week 05 2026
Mosaico Carbon Credit Markets Week 05 2026

 CARBON CREDIT MARKETS

“Nothing in life is to be feared, it is only to be understood. Now is the time to understand more, so that we may fear less.”

“I am among those who think that science has great beauty”

Madame Marie Curie (1867 - 1934) Chemist & physicist. French, born Polish.

 • Weekly newsletters •

Criada em 10 de dezembro de 2004 no Brasil e nos Países Baixos

 

Carbon Credit Markets, por D&O Consulting 10.664.766/0001-24

R Monsenhor Ivo Zanlorenzi, 1233 - Curitiba - PR, Brasil

contact@damasceno.org

As políticas de entrega, prazos e as regras de troca e devolução seguem exatamente o que é divulgado para cada plano ou produto.​

As opiniões manifestadas nos artigos em suas diversas fontes não necessariamente refletem a opinião de Carbon Credit Markets  

  • Youtube
  • Facebook
  • X
  • Spotify
  • Spotify
  • Threads
  • Instagram
  • LinkedIn
bottom of page