4ª semana CCM 2026. Infraestrutura do Article 6 Registry da ONU, avanços no Japão, Chile e Indonésia, BCE alerta sobre risco hídrico, auditoria faz critica à adaptação, UNFCCC abre consultas técnicas
- Art Dam
- há 3 horas
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Segunda-feira, 26 de janeiro de 2026.
4ª semana de Carbon Credit Markets em 2026. UNFCCC/ONU contrata empresa australiana para desenvolver a infraestrutura digital do Artigo 6, o Methodological Expert Panel revisando e desenvolvendo novas metodologias, Japão e Chile fortalecendo cooperação bilateral via JCM e a Indonésia ingressando na Coalition to Grow Carbon Markets, reforçando a expansão global de mecanismos climáticos de alta integridade. Banco Central Europeu passa a tratar riscos climáticos — sobretudo os hídricos — como fatores sistêmicos para a economia da zona do euro, enquanto uma auditoria global de 70 tribunais de contas mostra que, apesar de planejarem a adaptação climática, os países ainda falham na implementação por problemas de governança, financiamento e monitoramento. UNFCCC abre consulta sobre a nova metodologia do Artigo 6.4 para fertilizantes com amônia renovável e lançou uma chamada para organizações interessadas em hospedar o secretariado do Climate Technology Centre, com propostas aceitas até março de 2026. Abaixo em mais detalhes.
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Créditos de Carbono
UNFCCC / ONU inicia construção da espinha dorsal digital dos mercados de carbono do Artigo 6A construção da infraestrutura central do Registro do Artigo 6 do Acordo de Paris avança com o início do programa plurianual que desenvolverá e operará os sistemas digitais dos mecanismos 6.2 e 6.4, fundamentais para o funcionamento dos mercados de carbono. O projeto inclui ainda um hub de interoperabilidade que conectará registros nacionais e internacionais, garantindo rastreabilidade, transparência e integridade ambiental. O consórcio liderado pela Trovio, com apoio da EY na experiência do usuário, será responsável por entregar a espinha dorsal do ecossistema digital do Artigo 6, permitindo que países acompanhem, autorizem e transfiram resultados de mitigação de forma segura e alinhada às regras climáticas globais.
A Trovio Operating Pty Ltd é uma empresa australiana - com escritórios em Sydney, Singapura e Amsterdam - que desenvolve infraestrutura digital para rastrear, autenticar e gerenciar ativos ambientais, incluindo créditos de carbono. Leia mais em press release de 23 de janeiro da UNFCCC e no comunicado oficial da Trovio.
Methodological Expert Panel avança nas novas metodologias do Artigo 6.4
Entre 26 e 30 de janeiro, o Methodological Expert Panel (MEP) reúne‑se em Bonn, Alemanha, para sua 11ª reunião. O MEP é o painel técnico da UNFCCC responsável por avaliar e recomendar metodologias que permitirão a operação do mecanismo do Artigo 6.4 do Acordo de Paris com integridade ambiental. Segundo a agenda anotada, os especialistas discutirão a revisão de metodologias do MDL, a análise de novas propostas metodológicas (incluindo amônia renovável, abatimento de N₂O e manejo de fogo), além da avaliação de ferramentas de risco de reversão e lock‑in. A pauta inclui também temas de governança, prazos regulatórios e procedimentos de conformidade, estruturando o trabalho que orientará a integridade e a futura operacionalização do mecanismo. Aqui a agenda completa.
Japão e Chile fortalecem cooperação climática com novo mecanismo bilateral de créditos de carbono
No último dia 16 de janeiro, Japão e Chile firmaram um Memorando de Cooperação (MoC) para implementar o Joint Crediting Mechanism (JCM), alinhado ao Artigo 6.2 do Acordo de Paris, com o objetivo de promover tecnologias de descarbonização, incentivar projetos de mitigação, garantir ajustes correspondentes para evitar dupla contagem e apoiar o cumprimento das NDCs de ambos os países. O acordo cria um Comitê Conjunto, define regras de registro e autorização de projetos, reforça a integridade ambiental e substitui o memorando assinado em 2015, consolidando a cooperação bilateral em mercados de carbono. Leia mais no próprio MoC.
Indonésia entra em coalizão global para ampliar financiamento climático baseado na natureza
A Indonésia anunciou sua entrada na The Coalition to Grow Carbon Markets, reforçando o avanço do financiamento climático internacional para soluções baseadas na natureza; como novo membro, o país aporta sua vasta expertise florestal, incluindo manguezais e turfeiras tropicais, fortalecendo o uso de créditos de carbono de alta integridade para reduzir emissões, conservar biodiversidade e impulsionar crescimento verde, enquanto a coalizão — agora com 11 governos — busca acelerar investimentos privados e harmonizar princípios globais para mercados de carbono mais confiáveis. Aqui o press release de 20 de janeiro. Relembre também nosso post “Iniciativas paralelas à COP30 reforçam coalizões de mercados de carbono” sobre essa e outras coalizões lançadas durante a COP30.
Outros Destaques
BCE eleva clima e riscos hídricos a fatores sistêmicos para a economia da área do euro e altera arcabouço monetário
O press release do European Central Bank (BCE) de 16/01/2026 indica que a instituição passou a integrar de forma estrutural os riscos climáticos e de natureza em suas funções centrais — política monetária, supervisão bancária, gestão de carteiras e modelos macroeconômicos — após concluir seu plano climático 2024‑2025. As medidas incluem a incorporação de políticas de transição, como o ETS2, nas projeções econômicas; a atualização de indicadores estatísticos ambientais; o reforço de testes de estresse climáticos; ajustes no enquadramento de colaterais; e o reconhecimento de que riscos hídricos são os mais materiais para a economia da área do euro. O anúncio ocorreu na véspera da primeira tentativa de assinatura do acordo União Europeia–Mercosul, tratado historicamente sensível por envolver temas ambientais e agrícolas.
Auditoria global de 70 tribunais de contas revela que países planejam, mas não entregam adaptação climática
Produzido pela Iniciativa de Desenvolvimento da INTOSAI (IDI) e pelo WGEA, que reúnem mais de 70 instituições superiores de controle do mundo, o relatório “Global Climate Adaptation Audits for a Resilient Future” (2025) mostra que, embora a maioria dos países tenha planos de adaptação climática, a execução permanece frágil: avaliações de risco incompletas, governança fragmentada, pouca integração da adaptação nos orçamentos públicos, falta de financiamento, dados insuficientes e monitoramento limitado. O estudo aponta que avanços dependem de coordenação intersetorial, inclusão de grupos vulneráveis, fortalecimento institucional e melhor acesso a recursos, ao mesmo tempo em que a auditoria elevou a capacidade dos próprios órgãos de controle para fiscalizar políticas de adaptação.
Oportunidades
Influencie metodologia global do Artigo 6.4
A UNFCCC abriu, de 7 a 27 de janeiro de 2026, uma chamada para contribuições sobre a nova metodologia do Artigo 6.4 voltada à produção de fertilizantes com amônia baseada em energias renováveis. Mais detalhes aqui.
Convite da UNFCCC para propostas de acolhimento do secretariado do Centro de Tecnologia Climática
A UNFCCC abriu uma chamada para organizações interessadas em sediar o secretariado do Climate Technology Centre (CTC), órgão central do Mecanismo de Tecnologia que apoia países em desenvolvimento no acesso, implementação e difusão de tecnologias climáticas. O CTC desempenha papel decisivo ao transformar ambição climática em capacidade técnica concreta, conectando países a soluções, conhecimento e financiamento — um elo fundamental entre ciência, política e implementação. Perguntas podem ser enviadas até 20 de fevereiro de 2026, com respostas compartilhadas até 2 de março de 2026. As propostas devem ser submetidas até 16 de março de 2026.
Eventos
📅 28 de janeiro, Verra’s January 2026 Stakeholder Update Webinar
🇧🇴 5 de março, Bolivia Carbon Forum, Santa Cruz, Bolivia
🇵🇾 25 e 26 de março, Paraguay Carbon Forum, Asunción, Paraguay
🇵🇪 27 e 28 de maio, Peru Carbon Forum 2026, 3ra edición, ESAN, Lima, Perú
Carbon Credit Markets é canal educativo e mídia referência nos mercados de carbono, membro da coalisão COP Experience, com forte presença digital e audiência global em mais de 100 países, o site número 1 no Brasil e o 16º mais influente do mundo, segundo o FeedSpot.




