23ª semana CCM 2026. Semana de front-runners. Cap-and-Invest Califórnia; JCM Japão; Motor Flex-Fuel e Etanol Índia; Grid de Baterias Brasil; Austrália contra incêndios; Solo e Soja; Premiação COP31
- Art Dam
- 7 de jun.
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Segunda-feira, 8 de junho de 2026.
23ª semana de Carbon Credit Markets em 2026.
Se quiser, ao som de Digital Sunrise ou outras músicas de sua escolha.
Mercados de Carbono. California aprovou atualizações em seu programa Cap‑and‑Invest, ajustando o teto de emissões, reforçando a estabilidade de preços e autorizando até US$ 4 bilhões em free allowances para reduzir leakage e manter competitividade industrial. Já o JCM japonês, mecanismo bilateral do Artigo 6.2, continua financiando tecnologias de baixo carbono em países parceiros para gerar reduções e remoções certificadas, seguindo um ciclo estruturado de metodologia, validação, registro e emissão, com mais de 298 projetos ativos e metas de até 200 milhões tCO₂ até 2040.
Como Outros Destaques, a Índia acelerou sua agenda de etanol ao lançar seu primeiro carro totalmente flex‑fuel, reforçando a cooperação iniciada pela Aliança Global para Biocombustíveis e avançando em políticas como o Ethanol Blended Petrol, enquanto expande o uso de etanol de milho, biorrefinarias e metas de SAF. Em paralelo, o Brasil publicou as diretrizes do primeiro leilão nacional de armazenamento em baterias, alinhando‑se a Estados Unidos, Reino Unido e Austrália ao tratar o armazenamento de energia como infraestrutura essencial para integrar renováveis, fortalecer a segurança energética e preparar o sistema elétrico para uma matriz mais solar e eólica.
Curtas e Oportunidades apresenta a tinta Firecoat Defend, desenvolvida a partir de pesquisa científica australiana e certificada por testes do USDA Forest Service, que redefine padrões de proteção contra incêndios, além do livro Aplicações em Saúde do Solo, que reúne casos aplicados de agricultura regenerativa e manejo sustentável. Também destaca o chamado da pesquisadora Mariangela Hungria, que convida produtores a validar em escala real a redução da densidade de plantas de soja sem perda de produtividade. Por fim, divulga a Competição Internacional de Construção Sustentável da COP31, voltada a projetos inovadores e resilientes ao clima em Antalya, Turquia.
Além de uma lista com eventos relevantes.
Créditos de Carbono
Califórnia ajusta seu mercado de carbono e amplia apoio à indústria em revisão do Cap‑and‑Invest
Em 29 de maio de 2026, a California Air Resources Board (CARB) aprovou um pacote técnico de atualizações no programa Cap‑and‑Invest, com foco em recalibrar o sinal de preço de carbono, ajustar o teto de emissões, refinar mecanismos de estabilidade de mercado e mitigar impactos econômicos sobre setores intensivos em energia. A revisão incorpora a distribuição de até US$ 4 bilhões em free allowances para refinarias e grandes emissores, com o objetivo de reduzir leakage, preservar competitividade industrial e assegurar conformidade regulatória em um período de custos elevados. O pacote inclui: redefinição da trajetória de declínio do cap, ajustes no Allowance Price Containment Reserve (APCR), fortalecimento das regras de Market Surveillance para limitar comportamento especulativo, e novos dispositivos de Cost Containment para evitar volatilidade extrema. Segundo o comunicado oficial, as mudanças alinham o mercado às metas de neutralidade climática em 2045, mantendo a integridade ambiental do sistema enquanto reforçam previsibilidade regulatória, estabilidade de preços e proteção ao consumidor.
JCM: o mecanismo japonês que transforma cooperação internacional em créditos de carbono do Artigo 6.2
O Joint Crediting Mechanism (JCM) é um sistema bilateral no qual o Japão financia e implementa tecnologias de baixo carbono em países parceiros para gerar reduções e remoções de GEE, convertidas em créditos compartilhados entre Japão e o país anfitrião, com evitando dupla contagem conforme o Artigo 6.2 do Acordo de Paris. O mecanismo segue um ciclo estruturado — PIN (Project Idea Note, documento inicial), metodologia, validação, registro, monitoramento e emissão — administrado pela JCMA (JCM Implementation Agency), que coordena projetos e o registro oficial. Os benefícios incluem ganhos ambientais (redução global de emissões), econômicos (novos negócios e investimentos para empresas japonesas e locais, além de créditos para o sistema japonês GX‑ETS) e diplomáticos (fortalecimento da cooperação bilateral e apoio ao desenvolvimento de mercados de carbono). Em 2025, o governo japonês — por meio dos ministérios do Meio Ambiente, Economia, Comércio e Indústria, Agricultura, Florestas e Pesca, junto à JCMA — estabeleceu critérios oficiais de elegibilidade para garantir que cada projeto tenha valor adicional, demonstre que só é viável graças aos incentivos do JCM e esteja alinhado às NDCs de ambos os países. Com mais de 298 projetos em energia renovável, eficiência energética, resíduos, transporte e florestas, o JCM apoia as metas japonesas de alcançar 100 milhões tCO₂ até 2030 e 200 milhões tCO₂ até 2040, ao mesmo tempo em que contribui para as NDCs dos países parceiros.
Outros Destaques
Índia lança primeiro carro flex-fuel e acelera agenda de etanol
O avanço indiano em biocombustíveis se insere em um cenário internacional no qual o Brasil é referência histórica: desde os anos 70, o país desenvolveu o motor flex, capaz de operar com 100% etanol, 100% gasolina ou qualquer mistura entre ambos — tecnologia que hoje equipa 80% da frota brasileira, com mais de 40 milhões de veículos vendidos e gasolina contendo 27,5% de etanol (podendo chegar a 30%). Esse protagonismo ajudou a impulsionar a criação, em 2023, no âmbito do G20, da Aliança Global para Biocombustíveis, iniciativa liderada por Brasil, Índia e outros países para ampliar o uso sustentável de combustíveis limpos no mundo. Nesse contexto de cooperação crescente, a Índia acelera sua própria transição energética com movimentos concretos no setor automotivo.
Foi nesse ambiente que, na sexta-feira, 5 de junho de 2026, a japonesa Suzuki e a indiana Maruti Suzuki apresentaram o Wagon R FFV, o primeiro veículo totalmente flex-fuel da Índia, capaz de operar de E20 a E100. O lançamento, acompanhado por autoridades do governo da Índia, simboliza um passo estratégico para a mobilidade limpa, reforçando o compromisso nacional com a descarbonização, a redução da dependência de petróleo, a valorização da agricultura e a expansão de tecnologias alinhadas à transição energética. O modelo marca o início de uma nova fase de inovação, integrando indústria, governo e políticas climáticas.
Paralelamente, o governo indiano destacou que a jornada do etanol tornou-se “unstoppable”, com o programa de Ethanol Blended Petrol (EBP) avançando de 1,53% em 2014 para 10% em 2022, alcançando E20 em escala nacional cinco anos antes do previsto. O Ministério do Petróleo e Gás Natural ressaltou ainda a expansão do etanol de milho, que passou de 0% para 42% da produção, o crescimento das biorrefinarias 2G que utilizam resíduos agrícolas e o desenvolvimento de SAF (Sustainable Aviation Fuel) com metas obrigatórias já definidas. Com benefícios que incluem menores emissões, melhoria da qualidade do ar, economia de divisas, renda agrícola e segurança energética, a Índia consolida-se como uma das principais referências globais em biocombustíveis e em políticas de transição energética em larga escala.
Seguindo tendência já adotada por outros países, Brasil avança com leilão inédito de baterias para seu sistema elétrico
Países como Estados Unidos, Reino Unido e Austrália já realizam contratações estruturadas de armazenamento de energia em baterias, com políticas oficiais que incluem leilões, incentivos e metas específicas — como o programa americano de Long Duration Storage, os certames britânicos do Capacity Market que incorporam baterias e os projetos australianos de grid‑scale storage apoiados pelo governo federal. Esses países já tratam o armazenamento como infraestrutura crítica para integrar renováveis - relembre esse post de 2024 -, reduzir custos sistêmicos e garantir estabilidade ao sistema elétrico — e é exatamente essa lógica que começa a se consolidar no Brasil.
Nesse contexto internacional, o país passa agora a integrar o grupo de nações que estruturam mercados formais de estocagem, movimento que se torna indispensável à medida que cresce a participação de fontes renováveis variáveis. Em 3 de junho de 2026, foram publicadas as diretrizes do primeiro leilão brasileiro de armazenamento em baterias— a Portaria Normativa MME nº 136/2026 — criando o LRCAP 2026, que contratará potência em MW por meio de novos sistemas eletroquímicos, com contratos de 15 anos e início de suprimento em 2028. A inclusão da categoria “armazenamento” no modelo — antes restrito a geração, transmissão e distribuição — responde a uma necessidade estrutural: garantir segurança energética, ampliar a flexibilidade operativa, evitar o desperdício de renováveis e preparar o Sistema Interligado Nacional para um futuro com maior participação de solar e eólica, em que estocar energia passa a ser tão estratégico quanto produzi-la.
Curtas & Oportunidades
Conheça a nova geração de soluções contra incêndios, unindo ciência avançada, inovação industrial e certificações oficiais para entregar a melhor tinta protetiva contra fogo do mundo — uma tecnologia capaz de salvar casas e vidas, segundo pesquisadores da UNSW. A linha Firecoat Defend, já reconhecida em avaliações técnicas do USDA Forest Service e respaldada por rigorosos certificados internacionais de desempenho, redefine o padrão global de segurança, resistência térmica e proteção estrutural. Vale a leitura para entender como essa inovação de “gente que faz” ajuda na proteção contra incêndios.
Aplicações em Saúde do Solo: Estudos de Caso e Experiências — uma obra construída a partir das pesquisas do SOHMA/ESALQ‑USP que reúne, em 16 capítulos, conhecimentos aplicados sobre agricultura regenerativa, sistemas integrados, restauração de ecossistemas e índices de saúde do solo, destacando seu papel diante dos desafios da agricultura sustentável, segurança alimentar e mudanças climáticas. Uma leitura essencial para quem atua na interface entre ciência, manejo e conservação.
A pesquisadora Mariangela Hungria, referência internacional em microbiologia do solo, fixação biológica de nitrogênio e inovação para a soja, lança um chamado para validar, em escala Brasil, resultados que mostram ser possível reduzir a densidade de plantas de soja sem perda de produtividade — um caminho direto para diminuir custos, otimizar insumos e aumentar eficiência no campo. No LinkedIn, ela propõe um grande ensaio colaborativo, convidando produtores a testar, registrar e compartilhar suas observações, abrindo espaço para uma possível revolução na semeadura.
Inscrições abertas para a Competição Internacional de Construção Sustentável, realizada no âmbito da COP31 — uma oportunidade única para destacar projetos inovadores e resilientes ao clima. Com prazo até 15 de outubro de 2026, esta é a chance de ver seu trabalho exposto em Antalya e reconhecido por autoridades de alto nível. Participe e faça parte das melhores práticas globais em construção sustentável.
Eventos
Julho
🇫🇷 1 e 2, Green Growth and Sustainable Development (GGSD) Forum 2026. Em Paris e online.
🇯🇵 22, Strengthening Local Resilience to Planetary Crises: Scaling up Synergistic Solutions. Kobe, Japão, presencial e online.
🇧🇷 24, 2ª Conferência Brasileira de Inventariação de Gases de Efeito Estufa. Curitiba, Brasil.
Agosto
🇧🇷 27 e 28, Conferência Brasileira Clima e Carbono, Aliança Brasil NBS.
Setembro
🇨🇳15, Carbon Market Conference. Open Coalition on Compliance Carbon Market, em Wuhan, China.
Outubro
🇦🇿🇺🇳 5 a 9, UNFCCC Climate Week 2, Baku, Azerbaijão.
📅 07 e 08 de outubro, Congresso SAE BRASIL 2026, Pavilhão da Bienal – Parque Ibirapuera, São Paulo, Brasil
🇦🇺 20 a 21 de outubro, Australasian Emission Reduction Summit, Adelaide, Austrália
📅 28 de outubro, Verra’s October 2026 Stakeholder Update Webinar
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