19ª semana CCM 2026. Coalizão UE‑Brasil‑China; Artigo 6 Marrocos–Noruega e Singapura–Filipinas; LCAF, SAF e aviação; USP e CO₂ solar; Canadá nuclear; UNEP FI e cenários; vagas IPCC, WRI, Gov.Br, OCDE
- Art Dam
- há 19 horas
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Segunda-feira, 11 de maio de 2026.
19ª semana de Carbon Credit Markets em 2026.
Se quiser, ao som do soft rock brasileiro “Portas do Carbono” ou outras de sua escolha.
Mas antes disso, vale lembrar que, passada uma semana da conferência pioneira sobre transição energética em Santa Marta, na Colômbia, resgatamos duas matérias de 2022 que dialogam diretamente com esse momento — e ajudam a entender como chegamos até aqui. E para onde caminhamos. Vale revisitar.
Fechado esse mergulho histórico, retomamos agora o que marcou a 19ª semana de Carbon Credit Markets.
Créditos de carbono. União Européia, Brasil e China oficializaram a Open Coalition on Compliance Carbon Markets, consolidando o movimento iniciado na COP30, quando diversas iniciativas foram anunciadas fora do processo formal da ONU para elevar integridade, transparência e interoperabilidade dos mercados. Em paralelo, avançam acordos bilaterais sob o Artigo 6, como a cooperação Marrocos–Noruega em energias renováveis e o pacto Singapura–Filipinas para geração e transferência de créditos de alta integridade, reforçando a aceleração global além das negociações oficiais.
Outros destaques. Aviação acelera a busca por reduções imediatas de emissões, com o Lower Carbon Aviation Fuel (LCAF) surgindo como alternativa de curto prazo ao SAF, mas ainda travado pela falta de certificação e rastreabilidade. No campo da inovação, pesquisadores da USP desenvolveram um sistema que converte CO₂ em combustíveis renováveis e eletricidade usando apenas luz solar.
Curtas & Oportunidades. Semana cheia trouxe novos movimentos em clima e energia, além de um conjunto robusto de oportunidades profissionais no setor. O Canadá lançou sua nova estratégia nacional de energia nuclear, enquanto a UNEP FI publicou o Climate Pathways Navigator e a Comissão Europeia confirmou nova queda nas emissões. No campo das oportunidades, o IPCC abriu inscrições para revisores do seu relatório especial, o WRI Brasil busca consultoria para apoiar o SBCE, e há vagas estratégicas em mercados de carbono: o Ministério da Fazenda do Brasil seleciona profissional para gestão de emissões, a OCDE oferece internship em precificação de carbono em Paris e a FS Fueling Sustainability abriu posição para especialista em monitoramento de CCS.
Além de uma longa lista com eventos imperdíveis. Vejamos.
Créditos de Carbono
União Europeia, Brasil e China oficializam coalizão para fortalecer mercados de carbono.
A COP30 foi acompanhada pelo pré‑lançamento de um conjunto de novas coalizões internacionais de mercados de carbono — Open Coalition on Compliance Carbon Markets, Coalition to Grow Carbon Markets, Article 6 Ambition Alliance e Article 6 Observatory — conforme antecipamos no fim de 2025. Todas surgiram fora do processo formal da ONU, mas têm potencial para moldar a arquitetura global dos mercados, especialmente no que diz respeito à integridade, transparência e efetividade dos sistemas domésticos. Em comum, oferecem plataformas de cooperação em precificação de carbono, MRV, contabilidade de emissões e uso de créditos de alta integridade.
O lançamento oficial da Open Coalition on Compliance Carbon Markets ocorreu em 7 de maio de 2026, em Florença, Itália, com autoridades da União Européia, China e Brasil. A coalizão — aberta a países com sistemas nacionais de carbono — já reúne outros membros. O Brasil presidirá os dois primeiros anos e avançará na criação de um secretariado e de um plano de trabalho a ser adotado na Carbon Market Conference, em 15 de setembro de 2026, em Wuhan, China. O objetivo é apoiar a implementação do Acordo de Paris e elevar padrões globais em um cenário que já conta com cerca de 80 esquemas de precificação em operação em 50 países.
A interoperabilidade entre mercados de carbono vem sendo discutida por blocos de países há algum tempo, como nossos leitores têm acompanhado. Aqui, relembramos um post de maio de 2025 sobre o tema — um bom ponto de referência para entender a evolução desse debate.
Marrocos e Noruega avançam cooperação climática sob o Artigo 6.2 com foco em energias renováveis.
Em 5 de maio de 2026, o Ministério da Transição Energética de Marrocos anunciou a assinatura de um Acordo Bilateral com a Noruega para operacionalizar o Artigo 6.2 do Acordo de Paris, estabelecendo um quadro de cooperação em mecanismos de mercado de carbono destinado a acelerar a ação climática e apoiar o desenvolvimento sustentável. Segundo o comunicado oficial marroquino, o acordo reforça a parceria entre os dois países no desenvolvimento de projetos de energias renováveis e no fortalecimento da cooperação climática, destacando o compromisso conjunto em avançar mecanismos de mercado e promover a transição energética de forma alinhada às metas climáticas internacionais. Vale também acompanhar a evolução da Norwegian Global Emission Reduction (NOGER) Initiative.
Singapura e Filipinas firmam acordo para créditos de carbono sob o Artigo 6.
O comunicado oficial do MTI confirma que Singapura e Filipinas assinaram, em 30 de abril de 2026, durante a ASEAN Climate Week, o primeiro Acordo de Implementação filipino para cooperação em créditos de carbono sob o Artigo 6 do Acordo de Paris, estabelecendo um marco legal vinculante para a geração, transferência internacional e realização de ajustes correspondentes de créditos de alta integridade; o acordo prevê que esses créditos poderão compensar até 5% das emissões tributáveis de empresas em Singapura, destina 5% dos recursos para adaptação climática nas Filipinas e determina o cancelamento de 2% dos créditos autorizados para garantir redução líquida global de emissões, além de destacar benefícios como financiamento climático, criação de empregos, segurança energética e redução da poluição. Mais informações estarão disponíveis em breve .
Outros Destaques
Aviação corre contra o tempo: LCAF surge como solução mais imediata que o SAF, mas certificação trava avanço global.
A aviação corre contra o tempo para reduzir emissões, e o Lower Carbon Aviation Fuel (LCAF) surge como uma alternativa imediata enquanto o Sustainable Aviation Fuel SAF ainda não escala globalmente. Segundo a International Air Transport Association (IATA), o LCAF pode entregar reduções de pelo menos 10% nas emissões de ciclo de vida, mas seu avanço está travado pela ausência de esquemas de certificação aprovados pelo CORSIA, o que impede que combustíveis já produzidos — e potencialmente elegíveis — sejam oficialmente contabilizados. A falta de rastreabilidade robusta, essencial para evitar dupla contagem em um produto fisicamente idêntico ao combustível fóssil, adiciona outra camada de complexidade, exigindo sistemas de book-and-claim como o CADO Registry. Mesmo assim, regiões com infraestrutura avançada e menor intensidade de carbono na extração podem liderar a oferta, contribuindo para um potencial estimado de 14 milhões de toneladas de LCAF até 2030, equivalente a 6 milhões de toneladas de CO₂ evitadas. No contexto do compromisso Fly Net Zero 2050, o LCAF aparece como solução de transição estratégica — não substitui o SAF, mas reduz emissões que hoje ficam “na mesa” por falta de regras, não por falta de tecnologia.
Universidade de São Paulo desenvolve tecnologia que transforma CO₂ em energia limpa usando luz solar.
Publicado pelo Jornal da USP em 20 de abril de 2026 (atualizado em 4 de maio de 2026), o artigo relata que pesquisadores brasileiros criaram um sistema inspirado na fotossíntese capaz de converter gás carbônico (CO₂) em combustíveis renováveis — como etanol e metanol — e também gerar eletricidade, utilizando apenas luz solar; a tecnologia, descrita na revista Applied Energy Materials, funciona como uma “usina solar inteligente”, opera em condições ambientais, dispensa membranas e integra, em um único dispositivo, a conversão química do CO₂ e a produção de energia, representando um avanço relevante para a transição energética, segundo os pesquisadores.
Esse não é um tema novo por aqui. Em 2022, por exemplo, publicamos o artigo ‘Nova Fotossíntese Artificial Agora Dez Vezes Mais Eficiente: Alternativa aos Combustíveis Fósseis?’, sobre uma pesquisa na University of Chicago, que vale a releitura.
Curtas & Oportunidades
Governo do Canadá anunciou em abril de 2026 uma nova estratégia nacional para energia nuclear, reforçando o papel da tecnologia na transição climática e na segurança energética — leia aqui o comunicado oficial.
Nova ferramenta Climate Pathways Navigator, publicado em 1º de abril de 2026 pela UNEP FI, visa apoiar decisões financeiras ao tornar dados complexos de cenários climáticos acessíveis, claros e imediatamente utilizáveis por instituições que buscam alinhar seus portfólios à transição para uma economia de baixo carbono.
Comissão Europeia revelou que as emissões cobertas pelo EU ETS caíram -1,3% em 2025, consolidando uma trajetória que já reduziu pela metade as emissões desde 2005 — um marco que vale a leitura completa.
Você é um especialista ou representante governamental com experiência em mudanças climáticas e/ou questões urbanas? O IPCC abriu as inscrições para a revisão do Second Order Draft do seu Relatório Especial sobre Mudanças Climáticas e Cidades, com período de comentários de 8 de maio a 3 de julho de 2026 — acesse o formulário de inscrição , conheça o processo de revisão e veja o papel dos Expert Reviewers .
WRI Brasil abriu chamada para consultoria especializada — com candidatura até 10/06 — para apoio técnico na agenda de mercado de carbono e no fortalecimento do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE). Uma oportunidade estratégica para quem deseja atuar no centro da transição climática brasileira.
Muitas vagas legais nos mercados de carbono. Veja abaixo:
(1) 🇧🇷 Ministério da Fazenda do Brasil abriu seleção para a função FCE 1.10 – Gestão de Emissões na Secretaria do Mercado de Carbono, com inscrições até 13 de maio de 2026 — oportunidade única para atuar no SBCE e no sistema nacional de MRV.
(2) 🇫🇷 OCDE abriu vaga de internship em Carbon Pricing and Markets em Paris, com início ideal em agosto de 2026 e candidaturas até 15 de maio de 2026 — uma oportunidade única para quem busca experiência internacional em mercados de carbono e política climática; confira os detalhes da vaga no arquivo abaixo.
(3) 🇧🇷 FS Fueling Sustainability está com vaga aberta para Especialista de Monitoramento CCS em Lucas do Rio Verde, MS, Brasil, uma posição estratégica para atuar no monitoramento geológico, integridade de poços e MRV em projetos de CCS/BECCS — confira os detalhes da vaga .
Eventos
🇨🇭12 de maio, Building Credible Strategies for Carbon Dioxide Removals. Gold Standard.
🇺🇳 13 de maio, 𝗔𝗿𝘁𝗶𝗰𝗹𝗲 𝟲.𝟰 𝗠𝗲𝗰𝗵𝗮𝗻𝗶𝘀𝗺 𝗥𝗲𝗴𝗶𝘀𝘁𝗿𝘆. UNFCCC.
🇧🇷 13 e 14 de maio, Fórum CCS Brasil. Consulado‑Geral Britânico em São Paulo, Brasil.
🇺🇳 14 de maio, 𝗔𝗿𝘁𝗶𝗰𝗹𝗲 𝟲.𝟮 𝗜𝗻𝘁𝗲𝗿𝗻𝗮𝘁𝗶𝗼𝗻𝗮𝗹 𝗥𝗲𝗴𝗶𝘀𝘁𝗿𝘆 & 𝗔𝗥𝗦. UNFCCC.
🇧🇷 18 e 19 de maio, Carbono que Conta: Mercado Voluntário e Mercado Regulado. Hub de Descarbonização da AMCHAM Brasil e a Netword.
🇺🇸 20 de maio, Updated Article 6 and CORSIA Label Guidance. Webinar da Verra.
🇧🇪 20 e 21 de maio, Carbon Removals and Carbon Farming “CRCF” Days. Directorate‑General for Climate Action da União Européia, Bruxelas.
🇦🇺 20 e 21 de maio, Carbon Farming Industry Forum 2026. Freemantle, Australia.
🇸🇬 20 a 22 de maio, Innovate4Climate (I4C) 2026. Singapura.
🇪🇸 21 e 22 de maio, 13th Meeting of the Roundtable on Financing Water. OECD, Banco de España, CDP e Network for Greening the Financial System (NGFS).
🇵🇪 27 e 28 de maio, Peru Carbon Forum 2026, 3ra edición, ESAN, Lima, Perú.
🇧🇷 24 de julho, 2ª Conferência Brasileira de Inventariação de Gases de Efeito Estufa. Curitiba, Brasil.
🇧🇷 27 e 28 de agosto, Conferência Brasileira Clima e Carbono, Aliança Brasil NBS.
🇨🇳15 de setembro, Carbon Market Conference. Open Coalition on Compliance Carbon Market, em Wuhan, China.
🇦🇿🇺🇳 5 a 9 de outubro, UNFCCC Climate Week 2, Baku, Azerbaijão.
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