top of page

47ª semana Carbon Credit Markets 2025. Curupira, Transparency International e a dinâmica das COPs; artigos 6.2, 6.4, MDL: VC Certificate COP30; coalizões de Carbon Markets; Prêmio Nobel e clima; guia

  • Art Dam
  • há 21 horas
  • 6 min de leitura

Segunda-feira, 01 de dezembro de 2025.


47ª semana Carbon Credit Markets 2025. 


Curupira revisa a Transparency International e ajuda a decifrar a dinâmica — nem sempre linear — das COPs. Nesta edição, sintetizamos as decisões sobre os artigos 6.2, 6.4, MDL/CDM, apresentamos o Voluntary Cancellation Certificate da COP30 e mapeamos as novas coalizões que movimentam os mercados de carbono, enquanto certificadoras internacionais intensificam o foco no desmatamento. Para quem gosta de fazer acontecer, mostramos como o Nobel de Economia de 2025 se conecta ao clima e destacamos o Visionary CEO’s Guide to Sustainability 2025, da Bain & Company.


Acompanhou os vídeos e posts regulares nos canais digitais da COP Experience? Veja aqui como foi o final de nossa jornada em Belém e inscreva-se também para receber os newsletters de Carbon Credit Markets. Detalhes abaixo.



COP30


Análise COP30: Curupira, Transparency International e os Grandes Poluidores.

O Curupira, que não entende nada de UNFCCC mas que marcou presença na COP30 com seus cabelos de fogo, poderia ter dito: ‘Eu sou o mascote da COP30 por um motivo: quem avisa amigo é… mas, se ninguém escuta, aí meu pé para trás mostra o caminho de volta.’


Apesar da abertura folclórica, nossa análise abaixo examina — com base nos alertas da Transparency International — as fragilidades de integridade que continuam a limitar as entregas das COPs.


A Transparency International — organização não governamental global dedicada a combater a corrupção e promover transparência e integridade em mais de 100 países — vem alertando para riscos significativos que vem comprometendo a credibilidade das COPs, procrastinando decisões críticas sobre o clima global, que contrariam o interesse público e os objetivos do Acordo de Paris. Já há algum tempo, a entidade destaca três preocupações centrais.


  1. Captura das negociações por grandes poluidores, como alertado em carta aberta enviada à UNFCCC e à liderança da COP30 em março de 2025.


  2. Influência de indústrias altamente poluentes, conforme análise publicada também em março de 2025 sugerindo regras claras de conflito de interesses, mais transparência e revisão da escolha das presidências das COPs.


  3. Risco de “cooptação” do processo da COP, alerta de outubro de 2024 sobre o risco do processo multilateral da COP ser gradual e indevidamente capturado, na ausência de mecanismos de integridade e legitimidade das negociações.


Grande parte das preocupações antecipados pela Transparency International se materializou ao final de mais uma COP. A presença evidente de representantes de grandes poluidores, a fragilidade dos mecanismos de transparência e a dificuldade em conter conflitos de interesse evidenciaram que a integridade das negociações climáticas segue vulnerável.



Resumo das Decisões sobre o Artigo 6.2, Artigo 6.4 e o CDM na COP30

O Artigo 6.2, que trata das cooperações bilaterais e multilaterais entre países para a troca de resultados de mitigação (ITMOs), avançou principalmente no plano procedimental. A decisão acolheu a primeira rodada de revisões técnicas — envolvendo seis países — e reforçou a necessidade de solucionar inconsistências persistentes nos relatórios e nos sistemas de contabilidade. No entanto, não trouxe novas diretrizes operacionais, mantendo um ambiente de incerteza para governos e empresas. O texto prevê um diálogo informal em 2026, solicita um paper técnico sobre financiamento e infraestrutura, e destaca a importância da capacitação, incluindo iniciativas como a parceria liderada pelo Japão. 


Já o Artigo 6.4, que cria um mecanismo centralizado de crédito de carbono supervisionado pela ONU — sucessor do antigo Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL ou CDM, em inglês) — teve decisões focadas em medidas de transição, mas com orientação técnica limitada. As regras de mandato do órgão supervisor só serão revisadas em 2028, e as diretrizes sobre metodologias, padrões e salvaguardas permanecem genéricas. Questões essenciais, como os limites de atuação do órgão supervisor, a relação entre créditos e NDCs e a integração com atividades de REDD+, ficaram de fora. O prazo para a transição de projetos do CDM foi estendido até junho de 2026.



Emissões da COP30: Como o Brasil Garantiu um Evento Carbono Zero

O Brasil entregou a COP30 como um evento carbono zero, compensando 130 mil toneladas de CO₂ emitidas em transporte, energia e logística. A neutralização foi certificada pela ONU por meio do Voluntary Cancellation Certificate, que confirma o cancelamento de créditos provenientes de um projeto de Gestão de Resíduos Sólidos e Financiamento de Carbono registrado no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL).


O MDL, criado pelo Protocolo de Quioto de 1997 para gerar créditos de carbono em países em desenvolvimento, está em transição para o sistema do Artigo 6 do Acordo de Paris. É importante destacar que essa conversão não é automática: apenas parte dos créditos pode ser transferida, desde que atenda a critérios mais rigorosos de integridade ambiental, transparência e alinhamento às metas climáticas nacionais.


A COP30 também permitiu que participantes compensassem suas próprias emissões, reforçando o compromisso com responsabilidade climática e neutralidade.


Nossa expedição COP Experience foi além: neutralizou as emissões em dobro. Relembre como fizemos.



Créditos de Carbono


Iniciativas paralelas à COP30 reforçam coalizões de mercados de carbono

Além das negociações formais, a COP foi marcada pelo surgimento de novas iniciativas voltadas aos mercados de carbono:

  • Open Coalition on Compliance Carbon Markets, esforço conjunto de governos na troca de experiências para avançar rumo a mercados regulados de carbono mais harmonizados e integrados globalmente, com foco inicial em diálogos técnicos sobre MRV (Monitoramento, Relato e Verificação), contabilidade de carbono e uso de créditos de alta integridade. A iniciativa começa com a participação de 18 países, entre eles União Europeia, China e Brasil.


  • Coalition to Grow Carbon Markets, grupo que apoia os shared principles, divulgados antes da COP30 junto a um plano de ação, e ganharam novos endossos de Canadá, Luxemburgo, Nova Zelândia, Peru, Suíça e Zâmbia, enquanto Alemanha, Indonésia, Países Baixos e África do Sul manifestaram apoio e acolheram os princípios.


  • Article 6 Ambition Alliance (lançamento afetado pelo dia do incêndio), iniciativa liderada pela Suíça, voltada a reduzir o gap de ambição por meio da promoção de ITMOs , reunindo Chile, Alemanha, Gana, Luxemburgo, Mongólia, Noruega, Peru, Suécia, Suíça e Zâmbia como países participantes.


Também foi lançado o Article 6 Observatory, e vale lembrar a recente parceria entre a ISO e o GHG Protocol para harmonizar padrões de contabilidade de carbono — sem falar nos diversos acordos bilaterais firmados entre países.


Para o setor privado, esses movimentos sinalizam uma aceleração fora do processo negociado, com efeitos diretos sobre financiamento florestal, padronização contábil e a expansão dos mercados de conformidade. O cenário reforça a necessidade de acompanhar de perto essas coalizões emergentes, que podem influenciar a arquitetura global dos mercados de carbono antes mesmo da consolidação das regras formais no âmbito da ONU.



Verra segue desenvolvendo e publicando mapas jurisdicionais de risco de desmatamento

A Verra segue avançando na publicação de mapas jurisdicionais de risco de desmatamento, acompanhada de atualizações sobre o cronograma de novas jurisdições. Esse esforço é fundamental para acelerar o registro de projetos REDD+ sob a metodologia VM0048 e o módulo VMD0055, além de harmonizar os diferentes estágios de prontidão técnica dos países interessados em soluções baseadas na natureza, NBS.


O anúncio mais recente, referente ao Peru, destaca que os mapas finais aprimoram a precisão da alocação de risco, fortalecem a integridade dos créditos de carbono e permitem que proponentes avancem no processo de registro de projetos.


Meses antes, já haviam sido concluído os mapas de risco de desmatamento para os estados brasileiros do Pará e Mato Grosso — este último fazendo fronteira com a Bolívia. Desenvolvidos pela CTrees e pela Clark University, segundo a Verra esses mapas seguem padrões rigorosos e permitem aos proponentes definir a linha de base dos projetos, etapa essencial para calcular reduções de emissões com robustez metodológica.


A lista completa de jurisdições já cobertas, incluindo países inteiros, pode ser consultada aqui.



Outros Destaques


Destruição Criativa e o Clima

O Prêmio Nobel de Economia de 2025 reconheceu os economistas Philippe Aghion, Peter Howitt e o historiador Joel Mokyr por suas contribuições ao entendimento do crescimento econômico sustentável. Seus conceitos têm implicações diretas para o debate climático. Aghion e Howitt retomam Schumpeter ao desenvolver a teoria da “destruição criativa”, explicando como novas tecnologias substituem as antigas — uma lógica essencial para a transição energética e a superação de sistemas intensivos em carbono por soluções limpas. Mokyr, por sua vez, destaca o papel de uma sociedade aberta à troca de ideias como motor da inovação, reforçando a importância de ambientes que favoreçam o avanço científico em áreas como energia renovável, captura de carbono e tecnologias verdes.



The Visionary CEO’s Guide to Sustainability 2025 da Bain & Company 

Novo relatório revela que CEOs, consumidores e compradores B2B continuam conectando ações sustentáveis ao valor de negócio, mesmo diante das incertezas.



Conecte-se


Carbon Credit Markets é canal educativo e mídia referência nos mercados de carbono, com forte presença digital e audiência global em mais de 100 países, o site número 1 no Brasil e o 17º mais influente do mundo, segundo o FeedSpot.


COP Experience é uma iniciativa estratégica que conecta empresas e instituições às COPs. Em 2026 a COP31 será na Turquia. O projeto oferece presença qualificada, visibilidade global e impacto real na agenda climática internacional. Com relatoria final robusta aos apoiadores.



Mosaico CCM Week 47 COP30 Emissions, COP30 Voluntary Cancellation Certificate and Curupira
Mosaic CCM Week 47 COP30 Emissions, COP30 Voluntary Cancellation Certificate and Curupira (COP30 mascot)

 CARBON CREDIT MARKETS

“Nothing in life is to be feared, it is only to be understood. Now is the time to understand more, so that we may fear less.”

“I am among those who think that science has great beauty”

Madame Marie Curie (1867 - 1934) Chemist & physicist. French, born Polish.

 • Weekly newsletters •

bottom of page