top of page

10ª semana CCM 2026. Banco Mundial analisa créditos de carbono baratos; UE lança padrão de remoções & alerta para materiais críticos; EUA busca precificação; Brasil avança; Artigo 6 e 106 acordos

  • Art Dam
  • 8 de mar.
  • 7 min de leitura

Segunda-feira, 9 de março de 2026.


10ª semana de Carbon Credit Markets em 2026


Os mercados de carbono vivem avanços e tensões: estudo do Banco Mundial mostra que grandes emissores reduzem emissões de fato, enquanto empresas menores recorrem a créditos baratos e de baixa qualidade, ampliando riscos de greenwashing. Ao mesmo tempo, a União Europeia lança o primeiro padrão voluntário para remoções permanentes, elevando a exigência sobre qualidade. Nos Estados Unidos, o Congresso amplia propostas de precificação — de taxas a cap‑and‑trade — sinalizando interesse contínuo em instrumentos de mercado. No Brasil, a formação do CTCP marca a entrada dos setores produtivos na definição das regras do futuro cap‑and‑trade nacional.


Outros destaques incluem o Industrial Accelerator Act que busca impulsionar a indústria europeia ao exigir conteúdo local e baixas emissões, estimulando produção “Made in EU” (União Européia) e empregos, enquanto um estudo aponta que a UE precisa investir €70 bilhões/ano em adaptação climática até 2050 para enfrentar riscos crescentes. Paralelamente, o Tribunal de Contas Europeu alerta para a dependência externa em materiais críticos, destacando falhas de planejamento que podem comprometer a transição energética.


Em Curtas & Oportunidades, o Bolivia Carbon Forum 2025 destacou o carbono como alavanca de desenvolvimento sustentável, capaz de atrair investimento climático e gerar benefícios econômicos locais. Já o relatório da A6IP mostra avanços no Artigo 6, com 106 acordos bilaterais ativos - dois recentes envolvendo Brasil, Singapura e Suíça - enquanto pesquisa europeia indica cidadãos mais conscientes, porém ainda mal-preparados para os impactos da mudança climática.


Listamos também vários eventos. 


Mais detalhes a seguir e - se quiser - ao som de “Planetary Action”.



Créditos de Carbono


Grandes emissores cortam carbono; pequenos recorrem a créditos de carbono baratos, mostra estudo do Banco Mundial


O Policy Research Working Paper Deep and Shallow Decarbonization in Supply Chains (fev. 2026) identifica uma divisão clara na resposta de fornecedores às metas climáticas validadas por grandes compradores. Empresas com maiores emissões tendem a promover reduções reais, ajustando processos e investindo em eficiência. Já fornecedores menos emissores recorrem muito mais aos créditos de carbono, frequentemente escolhendo offsets baratos e de baixa qualidade como substituto às reduções físicas — um padrão que sugere respostas mais cosméticas do que efetivas. 


Essa assimetria cria um contraste entre descarbonização profunda e superficial. Onde a pressão regulatória, reputacional ou econômica é maior, prevalecem cortes reais; onde é menor, cresce o uso de créditos como solução rápida. O resultado é um cenário que combina avanços concretos com potenciais práticas de greenwashing, reforçando a necessidade de padrões mais rigorosos para o uso e a qualidade dos créditos de carbono.



União Européia lança padrão voluntário pioneiro para créditos de remoção permanente de carbono


A União Europeia apresentou o primeiro padrão voluntário para créditos de remoção permanente de carbono, estabelecendo critérios rigorosos para certificar tecnologias como DACCS, BioCCS e biochar, com o objetivo de impulsionar inovação climática, atrair investimentos e reduzir riscos de greenwashing, fortalecendo a credibilidade e a expansão de um mercado europeu de créditos de carbono alinhado à neutralidade climática.



Congresso dos EUA amplia arsenal de propostas para precificar carbono, de taxas a cap‑and‑trade


O levantamento do Center for Climate and Energy Solutions (C2ES) mostra que o 119º Congresso dos EUA apresentou um conjunto amplo de propostas de precificação de carbono, incluindo carbon fees, programas de cap‑and‑trade, padrões de desempenho negociáveis e até um imposto único sobre emissões históricas das grandes petrolíferas. As iniciativas — analisadas por Olivia Windorf e Jason Ye — diferem em setores cobertos, níveis de preço, tratamento de importações e destinação das receitas, que vão de repasses a famílias a infraestrutura e transição justa. Apesar da falta de consenso político sobre qual modelo adotar, o conjunto indica interesse persistente do Congresso em instrumentos de mercado para reduzir emissões. 



Definidos os representantes setoriais que participarão do desenvolvimento das regras do cap‑and‑trade brasileiro


A Secretaria Extraordinária do Mercado de Carbono divulgou as 7 entidades selecionadas para compor o Comitê Técnico Consultivo Permanente (CTCP), órgão que apoiará a formulação das regras do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE). A escolha marca o início da fase em que o desenho do cap‑and‑trade passa a ser construído com participação direta de setores como energia, indústria, agro e florestas, transportes, resíduos, mobilidade urbana e mercado financeiro. As entidades escolhidas — como IBP (Energia), CNI (Indústria), UNICA (Mobilidade Urbana), ABREMA (Resíduos), CNT (Transportes), CNA (Agro e Florestas), ANBIMA, CNSeg e FEBRABAN (Mercado Financeiro em candidatura conjunta)— atuarão na definição de critérios de alocação, metodologias e governança do novo mercado regulado.


A seleção ocorre após a habilitação de 36 organizações e a rejeição de outras 22. O processo integra o roteiro de implementação do SBCE, que inclui o Plano Nacional de Relato de Emissões (PNR), consultas públicas e reuniões setoriais até a operação plena em 2030. A instalação do CTCP, com reunião virtual já marcada para o dia 18 de março de 2026, consolida a relevância dos setores produtivos e reforça o papel estratégico do mercado de carbono para articular políticas industrial, financeira, tecnológica e climática.



Outros Destaques


Industrial Accelerator Act é lançado para impulsionar a descarbonização e empregos na União Européia


A Comissão Europeia propôs o Industrial Accelerator Act, um pacote destinado a fortalecer a indústria europeia ao aumentar a demanda por tecnologias e produtos de baixo carbono e por itens Made in EU, estimulando produção doméstica, crescimento empresarial e criação de empregos. A iniciativa estabelece requisitos de conteúdo local e critérios de baixas emissões em compras públicas e subsídios, com foco em setores estratégicos como aço, cimento, alumínio, automotivo e tecnologias net‑zero, além de impor condições para grandes investimentos estrangeiros, como geração de valor na UE, transferência tecnológica e mínimo de 50% de emprego europeu. O plano também prevê um processo digital único de licenciamento para acelerar projetos industriais e busca elevar a participação da manufatura no PIB europeu para 20% até 2035, reforçando a resiliência econômica e reduzindo dependências externas.



UE precisa investir €70 bilhões anuais em adaptação climática até 2050, aponta novo estudo


Segundo um novo estudo da Comissão Europeia, a União Europeia, seus Estados‑Membros e o setor privado precisam investir cerca de €70 bilhões por ano em adaptação climática até 2050, a fim de reduzir a exposição a riscos climáticos crescentes e fortalecer a resiliência das sociedades europeias. O relatório destaca que eventos extremos mais frequentes — como ondas de calor, secas, inundações e incêndios florestais — já estão pressionando infraestruturas, sistemas agrícolas e serviços públicos, tornando urgente ampliar investimentos em medidas como gestão hídrica, proteção costeira, modernização urbana e soluções baseadas na natureza. O estudo reforça que atrasar a adaptação aumentará custos futuros e ampliará desigualdades regionais, tornando o investimento contínuo uma prioridade estratégica para a transição climática europeia.



UE alerta para riscos na cadeia de materiais críticos essenciais à transição energética


O Tribunal de Contas Europeu aponta que a União Européia (UE) continua altamente dependente de outros países para obter materiais críticos — como lítio, cobalto e terras raras — fundamentais para a transição energética, destacando falhas em planejamento estratégico, monitoramento de riscos e diversificação de fornecedores. Além disso, o relatório “Special report 04/2026: Critical raw materials for the energy transition – Not a rock-solid policy” também de alertar que a falta de coordenação pode comprometer metas climáticas e industriais. 


Sobre como os Tribunais de Contas de diversos países tem se posicionado a respeito, vide nosso post de alguns dias atrás “Auditoria global de 70 tribunais de contas revela que países planejam, mas não entregam adaptação climática”.



Curtas & Oportunidades


Bolivia Carbon Forum 2026, realizado no último dia 5 de março, discutiu o carbono como alavanca concreta de desenvolvimento sustentável, capaz de gerar investimento climático, conservação e benefícios econômicos também para aquele país. Aqui um vídeo da abertura do evento, pelo YouTube da Red Uno De Bolivia.


February Update: Paris Agreement Article 6 Implementation Status Report, publicado pela Article 6 Implementation Partnership, traz um panorama claro dos avanços e desafios na operacionalização dos mecanismos de cooperação internacional do Acordo de Paris — e vale a leitura para entender como países estão estruturando transações de mitigação, infraestruturas de registro e regras de corresponding adjustments. Já são 106 acordos bilaterais formalizados — um aumento em relação aos 104 existentes em janeiro de 2026 —, com novos acordos entre Brasil e Singapura e entre Brasil e Suíça.


What do EU citizens think of the impacts of climate change? Os europeus estão cada vez mais conscientes dos efeitos das mudanças climáticas, mas uma pesquisa alerta que indivíduos e famílias ainda estão despreparados para o que está por vir.



Eventos


🖥️ 12 de março, Learn about the IFRS Sustainability Alliance—A quick guide for prospective members. Quase 40 países utilizam as normas ISSB. Opção de horário 1 ou opção de horário 2.


🇮🇹 17-19 de março, 3rd European Carbon Farming Summit. Padova Congress, Itália.


🇵🇾 25 e 26 de março, Paraguay Carbon Forum, Asunción, Paraguay



🇨🇴🇳🇱28 e 29 de abril, First International Conference on Phasing Out Fossil Fuels, pelos Governos da Colômbia e dos Países Baixos. Na cidade de Santa Marta, Colômbia


🇦🇺 20 e 21 de maio, Carbon Farming Industry Forum 2026. Freemantle, Australia


🇵🇪 27 e 28 de maio, Peru Carbon Forum 2026, 3ra edición, ESAN, Lima, Perú


Entre a COP30 e a COP31, quando governos, líderes financeiros e implementadores deixam de negociar textos e passam a construir os mecanismos concretos que realmente entregam resultados.

🇰🇷🇺🇳21 a 25 de abril, Climate Week 1, Yeosu, Coréia do Sul

🇦🇿🇺🇳 5 a 9 de outubro, Climate Week 2, Baku, Azerbaijão


🇧🇷 27 e 28 de agosto, Conferência Brasileira Clima e Carbono, Aliança Brasil NBS




Carbon Credit Markets é canal educativo e mídia referência nos mercados de carbono, membro da coalisão COP Experience, com forte presença digital e audiência global em mais de 100 países.




Mosaico Carbon Credit Markets Week 10 2026
Mosaico Carbon Credit Markets Week 10 2026

 CARBON CREDIT MARKETS

“Nothing in life is to be feared, it is only to be understood. Now is the time to understand more, so that we may fear less.”

“I am among those who think that science has great beauty”

Madame Marie Curie (1867 - 1934) Chemist & physicist. French, born Polish.

 • Weekly newsletters •

bottom of page