9ª semana CCM 2026. Emissão global inaugura Artigo 6.4; Brasil avança no SBCE com habilitados ao CTCP; Pacífico ganha força pré‑COP; novo RONI moderniza El Niño; Báltico alerta; adaptação rende
- Art Dam
- há 9 minutos
- 7 min de leitura
Segunda-feira, 2 de março de 2026.
9ª semana de Carbon Credit Markets em 2026.
O avanço recente dos créditos de carbono inclui a primeira emissão global sob o Artigo 6.4 do Acordo de Paris, com um projeto de cozinha limpa em Myanmar gerando créditos autorizados para NDC e OIMP (Other International Mitigation Purposes), reforçando a credibilidade do novo mercado internacional, enquanto no Brasil a implementação do SBCE avança com diálogo entre governo e indústria e com a divulgação do resultado da seleção pública para o Comitê Técnico Consultivo Permanente (CTCP), que habilitou 36 entidades de setores como Indústria, Agricultura/Florestas, Energia e Instituições Financeiras, marcando mais um passo para a estruturação do mercado regulado de carbono nacional.
Outros destaques incluem a decisão de realizar a pré-COP em Fiji, com um segmento de líderes em Tuvalu, consolida o Pacífico como voz estratégica nas negociações climáticas rumo à COP31, enquanto iniciativas paralelas, como o evento climático de Palau, reforçam a liderança regional em temas como adaptação, financiamento climático e perdas e danos; ao mesmo tempo, o lançamento do novo índice Relative Oceanic Niño Index (RONI) moderniza o monitoramento do El Niño ao substituir o anterior e corrigir distorções causadas pelo aquecimento oceânico, e a Europa enfrenta um alerta no Mar Báltico, que registrou perda excepcional de água e segue lidando com um histórico de poluição severa, embora políticas ambientais recentes indiquem sinais de recuperação.
Em Curtas & Oportunidades, o relatório do McKinsey Global Institute mostra que investir em adaptação climática, de resfriamento a defesas costeiras, traz benefícios econômicos que superam os custos, oferecendo uma visão clara das necessidades globais de investimento e das oportunidades para reduzir vulnerabilidades crescentes.
Listamos também vários eventos.
Mais detalhes a seguir e - se quiser - ao som de “O Carbono Fala (Bossa Nova)”.
Créditos de Carbono
Myanmar, Artigo 6, emitidos primeiros créditos de carbono no âmbito do mercado de carbono da ONU, estabelecido pelo Acordo de Paris
No último dia 26 de fevereiro de 2026 foi aprovada a primeira emissão de créditos sob o Artigo 6.4 do Acordo de Paris, um marco para a operacionalização do novo sistema global de redução de emissões. Trata-se de um projeto de cozinha limpa em Myanmar, que distribui fogões eficientes que reduzem a poluição atmosférica doméstica prejudicial e diminuem a pressão sobre as florestas locais. Além de inaugurar oficialmente a geração dos A6.4ERs, a emissão inclui créditos autorizados tanto para uso em NDC quanto em OIMP (Other International Mitigation Purposes), reforçando sua aplicabilidade internacional. O volume emitido ficou cerca de 40% abaixo do verificado pela metodologia, resultado do uso de valores atualizados e ferramentas mais precisas, e não de cortes arbitrários. O avanço fortalece a credibilidade do mercado de carbono e abre caminho para maior participação de países e investidores em iniciativas alinhadas às metas globais de neutralidade climática.
Brasil, Mercado de Carbono: órgão nacional inicia diálogo com a indústria para implementar o SBCE, o ETS do país
No último dia 12 de fevereiro de 2026, o Ministério da Fazenda informou que a Secretaria Extraordinária do Mercado de Carbono abriu uma rodada de encontros com a indústria após realizar, em 11 de fevereiro, uma apresentação à Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre a implementação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), destacando o mecanismo como estratégico para integrar políticas industrial, tecnológica, financeira e climática; no workshop, foram detalhados o roteiro de regulamentação, o Plano Nacional de Relato de Emissões (PNR)e os passos até a operação plena do mercado em 2030, incluindo consultas públicas, reuniões setoriais e a instalação do Comitê Técnico Consultivo Permanente (CTCP), responsável por apoiar critérios de alocação, metodologias e a governança do novo mercado regulado de carbono no Brasil.
Brasil, resultado da seleção pública para compor o comitê do mercado de carbono nacional
A Secretaria Extraordinária do Mercado de Carbono do Brasil havia aberto seleção para compor o Comitê Técnico Consultivo Permanente (CTCP) do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE). Segundo o edital, publicado no Diário Oficial da União (DOU), as inscrições ocorreram entre 29/12/2025 e 30/01/2026 na plataforma Participa + Brasil, tendo o resultado da habilitação sido divulgado há poucos dias, 36 entidades foram habilitados e 22 não. Dentre os setores das entidades habilitadas:
9 da Indústria
6 da Agricultura, pecuária, florestas e uso da terra
5 da Energia
3 da Instituições Financeiras com atuação em mercados ambientais
2 de Transportes
2 de Resíduos
9 de multi-setoriais conjuntas
Dentre os motivos de inabilitação estão a não comprovação de representatividade nacional e a não indicação do número de associados, além do não envio de documentos conforme o edital.
Veja no arquivo abaixo quem foi - e quem não foi - habilitado. Ajustes ainda podem ocorrer e o envio da composição do CTCP para publicação oficial no DOU deve ocorrer até 06 de março de 2026.
Outros Destaques
Fiji, Pré-COP será realizada no Pacífico
A Austrália saudou a decisão do Fórum das Ilhas do Pacífico de realizar o pré-COP em Fiji, com um componente especial de líderes em Tuvalu, consolidando a região como voz central nas negociações climáticas globais. Previsto para outubro, o encontro servirá como impulso político para a COP31, que terá a Turquia como anfitriã em 2026, e contará com apoio operacional e logístico australiano. A iniciativa também integra outros movimentos regionais, como o evento climático especial que será sediado por Palau, e reconhece o papel de liderança do presidente do PIF, Jeremiah Manele, do PIF Troika e do secretariado.
Ao trazer negociadores e líderes internacionais para o Pacífico, o pré-COP oferece uma oportunidade inédita para que a comunidade global vivencie de perto os impactos climáticos e as soluções locais desenvolvidas pelos países insulares. A iniciativa reforça a liderança regional, fortalece a cooperação entre os Estados do Pacífico e amplia a visibilidade de prioridades como adaptação, financiamento climático e perdas e danos, em um momento decisivo para elevar a ambição climática internacional.
Vale lembrar que a Austrália abriu espaço para mobilidade climática limitada por meio de acordos como o pacto Austrália–Tuvalu, mas segue priorizando adaptação local e ainda não adotou uma política ampla de reassentamento para populações inteiras do Pacífico.
Novo índice para melhor monitoramento do El Niño
O aquecimento acelerado dos oceanos tem distorcido cada vez mais a avaliação da intensidade de El Niño e La Niña, já que o índice tradicional — o ONI (Oceanic Niño Index), baseado em uma climatologia fixa de 30 anos — deixou de refletir adequadamente as condições atuais. O ONI mede anomalias de temperatura na região Niño 3.4 do Pacífico - aproximadamente entre 5°N–5°S de latitude e 170°W–120°W de longitude -, mas sua referência estática já não acompanha o ritmo das mudanças recentes. Esses modelos antigos também não conseguem oferecer uma comparação dinâmica e precisa entre o Pacífico e os trópicos globais, o que é essencial para monitorar o ENSO (El Niño–Southern Oscillation), o sistema climático que engloba El Niño, La Niña e suas fases neutras. Em fevereiro de 2026, o Climate Prediction Center (CPC) anunciou a adoção do Relative Oceanic Niño Index (RONI), criado para tornar o acompanhamento do ENSO mais responsivo e confiável, substituindo gradualmente o ONI. Ao comparar a região do ENSO com os trópicos globais, o RONI reduz as limitações da climatologia fixa e melhora tanto a identificação de eventos passados quanto a qualidade das previsões futuras.
Europa, Mar Báltico: entre a perda de água e a poluição histórica
Em fevereiro de 2026, o Mar Báltico sofreu uma queda inédita de 275 bilhões de toneladas de água, ficando 67 cm abaixo da média histórica, devido a ventos fortes, alta pressão atmosférica e ao deslocamento de massas hídricas pelos Estreitos Dinamarqueses em direção ao Mar do Norte. Esse fenômeno, intensificado pelo aquecimento do Ártico e pela desorganização do vórtice polar, mostra como mares interligados podem sofrer redistribuição de água em vez de perda absoluta, conforme estudos recentes como Quantification of Baltic Sea water budget components using dynamic topography (2025) e Untangling the waves: decomposing extreme sea levels in a non-tidal basin, the Baltic Sea (2025). Além disso, o Báltico é considerado um dos mares mais poluídos do mundo, resultado de sua geografia semi-fechada, baixa salinidade e intensa atividade humana. Entre as décadas de 1960 e 1980, sofreu com descargas de DDT, PCBs, mercúrio, pesticidas e fertilizantes, que causaram eutrofização e zonas mortas. Hoje, embora ainda haja microplásticos, metais pesados e resíduos farmacêuticos, políticas ambientais da da União Europeia reduziram significativamente a poluição, com sinais de recuperação como a Baía de Puck, HELCOM. Em resumo, o Báltico carrega um passado de poluição severa e enfrenta pressões climáticas crescentes, mas esforços conjuntos mostram que a recuperação parcial é possível.
Curtas & Oportunidades
Advancing adaptation: Mapping costs from cooling to coastal defenses
Uma boa oportunidade de leitura esse recente relatório, da McKinsey Global Institute, que quantifica quanto o mundo precisará investir em medidas de adaptação — de ar‑condicionado a diques costeiros — e mostra que os benefícios superam amplamente os custos, tema aprofundado no recente webinar de 13 de janeiro sobre riscos climáticos e adaptação. Aqui o relatório.
Eventos
🇧🇴 5 de março, Bolivia Carbon Forum, Santa Cruz, Bolivia
🖥️ 5 de março, Discover the Latest Developments in GRI Sector Standards and Learn How to Report with Ease. Opção de horário 1 ou opção de horário 2.
🖥️ 12 de março, Learn about the IFRS Sustainability Alliance—A quick guide for prospective members. Quase 40 países utilizam as normas ISSB. Opção de horário 1 ou opção de horário 2.
🇵🇾 25 e 26 de março, Paraguay Carbon Forum, Asunción, Paraguay
🇧🇷 26 de março, Fórum Crea - SP - Visão ESG: O Papel da Engenharia na Resiliência dos Negócios. São Paulo, Brasil
🇨🇴🇳🇱28 e 29 de abril de 2026, First International Conference on Phasing Out Fossil Fuels, pelos Governos da Colômbia e dos Países Baixos. Na cidade de Santa Marta, Colômbia
🇵🇪 27 e 28 de maio, Peru Carbon Forum 2026, 3ra edición, ESAN, Lima, Perú
Entre a COP30 e a COP31, quando governos, líderes financeiros e implementadores deixam de negociar textos e passam a construir os mecanismos concretos que realmente entregam resultados.
🇰🇷🇺🇳21 a 25 de abril, Climate Week 1, Yeosu, Coréia do Sul
🇦🇿🇺🇳 5 a 9 de outubro, Climate Week 2, Baku, Azerbaijão
🇧🇷 27 e 28 de agosto, Conferência Brasileira Clima e Carbono, Aliança Brasil NBS
Carbon Credit Markets é canal educativo e mídia referência nos mercados de carbono, membro da coalisão COP Experience, com forte presença digital e audiência global em mais de 100 países.




