26ª semana CCM 2026. Semana de conquistas. Portugal, mercado voluntário, 1º projeto; EU ETS2, edifícios e transportes; armazenamento geológico de CO₂; BioCCS, DACCS, biochar; México e Peru
- Art Dam
- há 7 horas
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Segunda-feira, 29 de junho de 2026.
26ª semana de Carbon Credit Markets em 2026.
Se quiser, ao som de alguma de nossas músicas a sua escolha.
Mercados de carbono ganham tração em Portugal com a aprovação do primeiro projeto do mercado voluntário - o reflorestamento Charneca e Ferreirinhos, do Grupo Sylvestris e com duração até o ano 2066 e “impacto climático expectável” de 2.976 tCO2eq - enquanto um segundo projeto avança em análise e, em paralelo, a União Europeia reforça salvaguardas do futuro ETS2 para edifícios e transportes, fortalecendo a estabilidade e a integridade ambiental rumo a 2028.
Outros Destaques: União Europeia mostra avanço consistente rumo à meta de 50 Mt/ano de injeção de CO₂ até 2030, com projetos como Porthos, Greensand e Prinos prestes a operar e nova capacidade em expansão, enquanto cobra maior ação do setor de óleo e gás; paralelamente, consolida-se o futuro mercado europeu de remoções, com os CRCF Days validando metodologias para BioCCS, DACCS e biochar e fortalecendo o EU Buyers’ Club como motor de escala e credibilidade para o setor.
Curtas e Oportunidades trazem a Climate Trace, que ampliou sua base para mais de 350 milhões de fontes com novos dados de emissões via satélites, sensores remotos e IA; a MÉXICO₂ publicou o Reporte de Impuestos al Carbono 2026, detalhando avanços regulatórios e tendências de precificação no país; e, no Peru Carbon Forum 2026, A2G e CONTACOM avaliaram a maturidade das empresas frente às IFRS S1 and S2, revelando avanços e lacunas na preparação para a divulgação climática.
Além de uma lista com eventos relevantes.
Créditos de Carbono
Portugal aprova seu primeiro projeto no Mercado Voluntário de Carbono, focado em propósito
Portugal acaba de aprovar o primeiro projeto de créditos de carbono no âmbito do seu novo Mercado Voluntário de Carbono doméstico, criado por lei em janeiro de 2024 com foco em combater a desertificação. O projeto inaugural — Charneca e Ferreirinhos, aprovado em 26 de junho — foi desenvolvido e submetido pelo Grupo Sylvestris, que atua em soluções baseadas na natureza e projetos florestais na Península Ibérica. A iniciativa abrange cerca de 19 hectares com pinheiro‑bravo e carvalho‑negral, devendo gerar aproximadamente 3.000 créditos ao longo de 40 anos. Trata‑se de um mercado com regras próprias: os créditos não podem ser vendidos internacionalmente, nem utilizados no CORSIA, permanecendo exclusivamente no território nacional. O modelo surge como complemento ao imposto de carbono português, reinstalado em agosto de 2024 após o congelamento durante a crise energética.
A infraestrutura do mercado ganha solidez com o papel do registrador nacional, operado pela Adene - agência nacional de energia de Portugal - responsável por garantir transparência, integridade ambiental e não‑dupla contagem em todas as etapas do ciclo de vida dos créditos. A plataforma foi construída com apoio técnico do World Bank Climate Warehouse, alinhando Portugal às melhores práticas internacionais de MRV. O Grupo Sylvestris destaca que o processo de validação foi rigoroso e transparente, reforçando a credibilidade do sistema. Além disso, duas novas metodologias — para gestão florestal melhorada e reflorestação — já passaram por consulta pública, ampliando o leque de projetos possíveis. O resultado é um mercado voluntário focado em propósito, com limites claros, foco territorial e co‑benefícios ambientais integrados desde o início.
Além do recém aprovado projeto de reflorestamento e sequestro de carbono de Charneca e Ferreirinhos - com término previsto para abril/2066 - um segundo projeto está em discussão. Trata-se de outro projeto de reflorestamento, o projeto M.V.C. Português Tojosa, da Luso Finsa - Industria e Comercio de Madeiras S.A., em Penalva do Castelo, Portugal.
Abaixo documentações relativas a esses dois projetos, disponível no portal do registro português.
Europa reforça salvaguardas para novo mercado de carbono de edifícios e transporte
A Comissão Europeia anunciou um acordo político que fortalece salvaguardas essenciais do novo Sistema de Comércio de Emissões para edifícios e transporte rodoviário (ETS2), garantindo maior estabilidade de preços, previsibilidade de mercado e integridade ambiental quando o sistema entrar em vigor em 2028. O acordo — alcançado entre Parlamento e Conselho — reforça a Reserva de Estabilidade de Mercado (MSR) ao ampliar sua capacidade de operação após 2030, permitir intervenções mais fortes em caso de alta excessiva de preços e antecipar a liberação gradual de licenças como mecanismo adicional de estabilidade. Também prevê leilões antecipados em 2027 e a criação de um ETS2 Frontloading Facility de até €3 bilhões para apoiar investimentos iniciais dos Estados‑Membros. Segundo a Comissão, as medidas fortalecem a confiança no novo mercado de carbono e, combinadas ao Fundo Social para o Clima, contribuem para uma transição justa rumo à neutralidade climática.
Outros Destaques
União Européia mantém meta de injeção de CO₂ ao alcance em primeiro relatório, com forte demanda industrial e alerta ao setor de óleo e gás
UE divulgou seu primeiro relatório de progresso mostrando avanços significativos rumo à meta de 50 milhões de toneladas/ano de capacidade de injeção de CO₂ até 2030, com o número de locais de armazenamento geológico em rápida expansão. Três projetos - Porthos, Greensand e Prinos - já possuem licença e estão prestes a iniciar operações, enquanto outros sete locais adicionais devem entrar em funcionamento nos próximos anos, elevando a capacidade em mais 19 milhões de toneladas/ano. A forte demanda industrial, impulsionada por projetos do Innovation Fund, reforça a necessidade de ampliar a infraestrutura, ao mesmo tempo em que a Comissão destaca que 44 empresas obrigadas e o setor de óleo e gás precisam acelerar o desenvolvimento de novos locais para garantir acesso equilibrado ao CCS em toda a UE. Relembre nossos posts sobre esse tema.
Europa avança na criação de um mercado robusto de remoções de carbono
A União Europeia deu um passo decisivo para estruturar um mercado robusto de remoções de carbono e de carbon farming, com mais de 500 stakeholders reunidos nos primeiros CRCF Days em Bruxelas para discutir a implementação do novo Regulamento de Remoções e Agricultura de Carbono (CRCF). O evento marcou a entrada do sistema em fase operacional, com metodologias já adotadas para remoções permanentes (BioCCS, DACCS e biochar), certification schemes agora aptos a solicitar reconhecimento oficial da Comissão Europeia, e o fortalecimento do EU Buyers’ Club, plataforma voluntária destinada a agregar demanda, reduzir riscos de investimento e acelerar a transição de projetos‑piloto para operações em larga escala, consolidando as bases para um mercado europeu credível, financiável e alinhado à meta de neutralidade climática.
Curtas & Oportunidades
Climate Trace divulgou a atualização, incorporando novos dados de emissões derivados de satélites, sensores remotos e modelos de IA. A plataforma agora cobre mais de 350 milhões de fontes individuais de emissões e rastreia mais de 200 países e territórios, com granularidade por setor e instalação. A atualização inclui emissões recentes de setores como energia, transporte, indústria pesada e agricultura, permitindo identificar variações mensais e tendências emergentes.
O Reporte de Impuestos al Carbono y Mercados Ambientales 2026, publicado por MÉXICO₂, analisa em profundidade o avanço dos impostos ambientais e dos instrumentos de mercado no México, destacando tendências regulatórias, impactos para empresas e o papel crescente da precificação de carbono no financiamento climático. Vale a leitura completa, 60 páginas em espanhol.
Durante o Peru Carbon Forum 2026, A2G e CONTACOM apresentaram o nível de maturidade das empresas peruanas frente às NIIF S1 e S2 (Normas Internacionales de Información Financiera, ou em inglês IFRS International Financial Reporting Standards), avaliando 48 organizações de 12 setores e destacando avanços e lacunas na preparação para a divulgação financeira climática. Vale a leitura das 13 páginas em espanhol para entender onde o Peru realmente está nessa agenda.
Eventos
Julho
🇫🇷 1 e 2, Green Growth and Sustainable Development (GGSD) Forum 2026. Em Paris e online.
🇯🇵 22, Strengthening Local Resilience to Planetary Crises: Scaling up Synergistic Solutions. Kobe, Japão, presencial e online.
🇧🇷 24, 2ª Conferência Brasileira de Inventariação de Gases de Efeito Estufa. Curitiba, Brasil.
Agosto
🇧🇷 27 e 28, Conferência Brasileira Clima e Carbono, Aliança Brasil NBS.
Setembro
🇨🇳15, Carbon Market Conference. Open Coalition on Compliance Carbon Market, em Wuhan, China.
Outubro
🇦🇿🇺🇳 5 a 9, UNFCCC Climate Week 2, Baku, Azerbaijão.
📅 07 e 08 de outubro, Congresso SAE BRASIL 2026, Pavilhão da Bienal – Parque Ibirapuera, São Paulo, Brasil
🇦🇺 20 a 21 de outubro, Australasian Emission Reduction Summit, Adelaide, Austrália
📅 28 de outubro, Verra’s October 2026 Stakeholder Update Webinar
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