12ª semana CCM 2026. Europa explica precificação mas adia ETS2; América do Norte quer integrar seus mercados de carbono; Arábia Saudita cautelosa; estudo revela valor das florestas boreais. E mais.
- Art Dam
- há 3 dias
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Segunda-feira, 23 de março de 2026.
12ª semana de Carbon Credit Markets em 2026.
A União Europeia reforça a eficácia da precificação de carbono, destacando que o EU ETS já reduziu emissões em 50% e será ampliado com o ETS2, apesar do adiamento para 2028. Na América do Norte, Canadá (Québec), Estados Unidos (Califórnia e Washington) avançam na proposta de integrar seus mercados de carbono em um sistema comum. Já a Arábia Saudita, em sua NDC mais recente, adota postura cautelosa sobre o Artigo 6, reconhecendo seu potencial, mas aguardando até que as regras estejam plenamente operacionais e sob supervisão rigorosa.
Dentre os outros destaques, a ONU reforça o papel das abordagens não‑mercadológicas do Artigo 6.8, destacando cooperação em tecnologia, financiamento e políticas públicas sem uso de compensações. Um estudo da Suécia revela que florestas boreais antigas armazenam até 89% mais carbono que áreas manejadas, com implicações para um terço das florestas globais em regiões como Canadá, Rússia e Escandinávia. Na União Europeia, o Innovation Fund atrai quase €10 bilhões em propostas, enquanto o avanço do Artigo 6 globalmente soma 19 relatórios iniciais e mais de mil notificações de consideração prévia.
Além de uma lista com eventos imperdíveis.
Mais detalhes a seguir e - se quiser - ao som de “Carbon Rises” ou outra a sua escolha.
Créditos de Carbono
Cinco Lições-Chave Sobre Precificação de Carbono, Segundo a Comissão Europeia
O artigo da Comissão Europeia destaca que a precificação de carbono é uma das ferramentas mais eficazes para reduzir emissões, impulsionar inovação limpa e fortalecer a competitividade econômica, mostrando que o EU ETS já cortou emissões em 50% desde seu lançamento, financia grandes projetos via Innovation Fund, prepara a expansão para o ETS2 (transportes e edifícios) e inclui salvaguardas para evitar vazamento de carbono e garantir condições equitativas no comércio internacional.
Québec (Canadá), Washington e Califórnia (Estados Unidos) propõem integrar seus mercados de carbono
Washington, Califórnia e Québec colocaram em audiência pública, em março de 2026, um rascunho de acordo para integrar seus mercados de carbono em um sistema transfronteiriço comum. Québec já havia estabelecido, em 2013, um Sistema de Cap‑and‑Trade para autorizações de emissão de gases de efeito estufa — o conhecido “mercado de carbono” — com o objetivo de combater as mudanças climáticas. Em 2014, a província vinculou seu sistema ao da Califórnia, criando o maior mercado de carbono da América do Norte. Agora, Washington inicia processo formal para juntar‑se ao grupo. Entre os principais pontos da proposta estão:
Permitir intercâmbio de instrumentos de conformidade, leilões conjuntos e contabilidade integrada de reduções de emissões.
Alinhamento das regras de reporte e verificação de emissões.
Desenvolvimento de plataformas comuns, como registro de participantes e plataforma de leilões.
Possibilidade de reconhecimento recíproco ou eventual invalidação de allowances e créditos de carbono.
Compromisso de avançar para leilões harmonizados.
Uso do mecanismo de contabilidade já adotado por Québec e Califórnia desde 2022.
O período oficial para envio de comentários permanece aberto até 1º de maio de 2026, mantendo a iniciativa em estágio inicial. O avanço do acordo ainda depende de avaliações técnicas, análises de justiça ambiental, audiências públicas e aprovações formais em cada jurisdição. O acordo também prevê a entrada de novos estados ou províncias, desde que seus programas sejam compatíveis e harmonizáveis.
NDC mais recente da Arábia Saudita mantém cautela quanto ao Artigo 6 e créditos de carbono
A última NDC da Arábia Saudita, depositada em 31 de dezembro de 2025, deixa claro que o país apoia os mecanismos do Artigo 6, reconhecendo seu potencial para mobilizar investimentos, engajar o setor privado e contribuir para o cumprimento da NDC. Por outro lado afirma explicitamente que “o Reino não possui atualmente nenhum acordo ativo ou discussão em curso para participar de abordagens cooperativas sob o Artigo 6” sendo que o país pode vir a utilizar créditos internacionais (ITMOs) no futuro, desde que as regras estejam plenamente operacionais e que qualquer participação seja rigorosamente supervisionada pela autoridade nacional designada (DNA), responsável por autorizar projetos, garantir ajustes correspondentes e controlar emissões e transferências.
Outros Destaques
ONU Reforça Abordagens Climáticas Não‑Mercadológicas no Acordo de Paris
As abordagens não‑mercadológicas (NMA) do Artigo 6.8 do Acordo de Paris buscam fortalecer a cooperação internacional em clima por meio de ações como transferência de tecnologia, financiamento, capacitação e políticas públicas integradas, sem recorrer a mecanismos de compensação de carbono. A plataforma da UNFCCC dedicada ao tema promove coordenação entre países, identifica necessidades comuns e apoia iniciativas que ampliam benefícios sociais, resiliência climática e desenvolvimento sustentável, reforçando que a mitigação e adaptação podem avançar por caminhos colaborativos além dos instrumentos de mercado.
Florestas antigas em clima temperado armazenam até 89% mais carbono que áreas manejadas, revela estudo sueco
O novo artigo na Science liderado por Didac Pascual e Anders Ahlström mostra que as florestas antigas da Suécia armazenam entre 78% e 89% mais carbono do que florestas manejadas — uma diferença tão grande que a conversão histórica desses ecossistemas já liberou emissões equivalentes a 1,5 vez todo o uso de combustíveis fósseis do país desde 1834; o estudo destaca ainda que metade da biomassa colhida é queimada, que o preparo do solo acelera perdas de carbono e que conservar florestas maduras é muito mais eficaz para o clima, com implicações globais para regiões boreais como Canadá e Rússia. Relembre artigo que publicamos sobre carbono de florestas boreais, que representam um terço da área florestal global.
Curtas & Oportunidades
Segundo comunicado da Direção‑Geral de Ação Climática da Comissão Europeia, publicado em 20 de março de 2026, as licitações do Innovation Fund receberam quase €10 bilhões em pedidos de financiamento — incluindo €8,4 bilhões para hidrogênio verde e €1,4 bilhão para energia térmica industrial de baixo carbono — demonstrando o forte interesse da indústria europeia em tecnologias de descarbonização, com apoio do EU ETS e cofinanciamento adicional da Alemanha e Espanha.
O Conselho da União Europeia confirmou oficialmente o adiamento do novo sistema de comércio de emissões para transportes e climatização de edifícios ainda baseada em combustíveis fósseis (ETS 2) para 2028, uma mudança incluída no pacote que também aprovou a meta climática de –90% até 2040.
Atualização de março de 2026 do Article 6 Implementation Partnership, o avanço do Artigo 6 segue acelerando, com 19 Partes já submetendo relatórios iniciais, 1.122 notificações de consideração prévia, 151 atividades do MDL aprovadas para transição ao Artigo 6.4 e 88 projetos autorizados sob padrões independentes.
Eventos
🇵🇾 25 e 26 de março, Paraguay Carbon Forum, Asunción, Paraguay
🇧🇷 26 de março, Fórum Crea - SP - Visão ESG: O Papel da Engenharia na Resiliência dos Negócios. São Paulo, Brasil
🖥️ 15 ou 16 de abril, Upcoming ICAP Status Report 2026. Opção 15 de abril (Américas e Europa). Opção 16 de abril (Ásia-Pacífico e Europa)
🇨🇴🇳🇱28 e 29 de abril, First International Conference on Phasing Out Fossil Fuels, pelos Governos da Colômbia e dos Países Baixos. Na cidade de Santa Marta, Colômbia
📅 29 de abril, Verra’s April 2026 Stakeholder Update Webinar
🇧🇷 13 e 14 de maio, Fórum CCS Brasil. Consulado‑Geral Britânico em São Paulo, Brasil
🇦🇺 20 e 21 de maio, Carbon Farming Industry Forum 2026. Freemantle, Australia
🇸🇬 20 a 22 de maio, Innovate4Climate (I4C) 2026. Cingapure
🇪🇸 21 e 22 de maio, 13th Meeting of the Roundtable on Financing Water. OECD, Banco de España, CDP e Network for Greening the Financial System (NGFS)
🇵🇪 27 e 28 de maio, Peru Carbon Forum 2026, 3ra edición, ESAN, Lima, Perú
Entre a COP30 e a COP31, quando governos, líderes financeiros e implementadores deixam de negociar textos e passam a construir os mecanismos concretos que realmente entregam resultados.
🇰🇷🇺🇳21 a 25 de abril, Climate Week 1, Yeosu, Coréia do Sul
🇦🇿🇺🇳 5 a 9 de outubro, Climate Week 2, Baku, Azerbaijão
🇧🇷 27 e 28 de agosto, Conferência Brasileira Clima e Carbono, Aliança Brasil NBS
Carbon Credit Markets é canal educativo e mídia referência nos mercados de carbono, membro da coalisão COP Experience, com forte presença digital e audiência global em mais de 100 países.




