top of page

Edição EXTRA. São Paulo Climate Week 2026. Dois eventos cobertos por CarbonCreditMarkets: AMCHAM e MASP

  • Art Dam
  • há 12 minutos
  • 6 min de leitura

Sexta-feira, 7 de agosto de 2026.


Se quiser, leia o artigo enquanto ouve qualquer música do Carbon Credit Markets de sua escolha.




Brasil na COP31 e a implementação pelo setor empresarial

Amcham, 5 de agosto de 2026

 

José Fernandes (AMCHAM/Honeywell) abriu o evento lembrando que, assim como a COP30, a COP31 será medida pela capacidade de transformar acordos em realidade. 

 


No painel sobre o legado da COP30, Ana Tony resumiu o momento: “Clima não é mais nicho”. Ela lembrou os 56 acordos firmados, o fortalecimento do multilateralismo em “duas velocidades” (consenso e adesão) e o desafio de escalar a Agenda da Implementação, com foco brasileiro no desmatamento e internacional no phase out dos fósseis, além das iniciativas já divulgadas para a COP31 como eletrificação 35/35, resíduos, oceanos e agricultura. Sobre o futuro, comentou que a trajetória será uma estrada não linear, marcada por erros e acertos, em um cenário geopolítico complexo, onde será crucial sair dos projetos‑piloto e avançar para pipelines robustos - especialmente nas agendas de adaptação e resiliência - já que o setor público não conseguirá enfrentar esses desafios sozinho.

 

Dan Iochepe trouxe a visão de continuidade: ativar o que já está pronto no Global Stocktake - 30 objetivos, 6 eixos, 482 iniciativas monitoradas pela plataforma NAZCA da ONU. Ele destacou o Acelerador Global das implantações e o protagonismo do setor privado via SBCOP, que já reúne 45 milhões de empresas no mundo. “O <preço do> carbono vai a zero no net zero, então agora é a hora para o setor privado”, provocou, defendendo foco em poucos objetivos e capitalização em oportunidades como SAF, onde o Brasil pode repetir o caso e sucesso do etanol.



No painel sobre o mercado regulado de créditos de carbono, Clara Cruz (Suzano) lembrou que o setor de papel e celulose entra na primeira fase do SBCE, mas enfrenta o desafio do financiamento para tecnologias mais caras. 

 

Rodrigo Lauria (Vale) reforçou que “agenda climática é competitividade” e que a empresa já tem 20 anos de inventário de emissões e a exposição antecipada da Vale ao CBAM está trazendo algumas vantagens competitivas para a empresa. Lembrou também da atenção que merecem os projetos associados aos créditos de carbono já emitidos no mercado voluntário, que eventualmente poderão migrar em parte para o mercado regulado. 

 


No painel que moderou, Paula Kovarsky chegou a comentar que “o carbono devia ser visto como a grande moeda da descarbonização”. 

 

José Fernandes (AMCHAM / Honeywell) comentou que com relação ao preço do SAF, a tendência é repetir o percurso do etanol ao longo de décadas, com competitividade crescente sustentada por uma redução gradual de custos.

 


No painel de financiamentos, Jens Nielsen (WCF) retomou Copenhague 2009 e a importância do blended finance, com taxonomia como “linguagem comum”. 

 

Rafael Dubeaux (Ministério da Fazenda) detalhou os títulos soberanos sustentáveis, o FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) com R$ 20 bilhões anuais e o ECOInvest, que premia quem mobiliza mais capital internacional, além da construção de uma “super taxonomia” brasileira para evitar greenwashing. Sobre as expectativas para a COP31, comentou que o encontro deverá marcar a passagem da diplomacia para a implementação, com o Brasil avançando em frentes como o TFFF, a construção de uma coalizão aberta para mercados regulados de carbono e o desenvolvimento de uma interoperabilidade entre taxonomias - uma espécie de “super taxonomia”. 

 

Silvia Menicucci (Santander) destacou que regulação e oportunidade econômica são decisivas, citando o uso de taxonomia europeia em seus modelos.


 

No painel sobre o que esperar da COP31, Gabrielle Hall (Cônsul-Geral e Comissária de Comércio e Investimentos da Austrália em São Paulo, Brasil) falou da co-organização com a Turquia e das prioridades em transição energética, financiamento climático e oceanos, citando o JetZero, SAF australiano que já usa etanol brasileiro. 

 

O embaixador brasileiro Maurício Lyrio alertou para o “arrefecimento pós Dubai” e a “redução do ímpeto por acordos de descarbonização”, com EUA e Europa distraídos por guerras e IA intensiva em energia. Por isso, defendeu foco em implementar o que já existe, com instrumentos como o TFFF, sediado em Luxemburgo, e o reforço dos biocombustíveis. 

 

Aloísio Melo (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima) lembrou que “COP é onde público e privado discutem juntos questões globais comuns”, antecipando o papel dos ITMOs, o pavilhão Brasil na Blue Zone e a preparação para o próximo Global Stocktake.

 



Riscos Climáticos e o Setor Segurador 

MASP, 6 de agosto de 2026

 

No MASP, a São Paulo Climate Week trouxe o setor segurador para o centro da discussão sobre adaptação. Maria Netto (iCS) abriu defendendo ferramentas como Adapta Cidades e soluções da EMBRAPA, lembrando que “não é só custo privado: é social também” e que seguros podem ajudar a precificar riscos, dar previsibilidade e focar em resiliência, inclusive em concessões e PPPs.

 


No painel sobre clima “El Niño, riscos climáticos e proteção financeira: fortalecendo a cultura da proteção e mitigando perdas”, Fátima Lima (MAPFRE) pediu “mais ciência na mesa” e integração entre governos e seguradoras: “Sair da lógica da reação para a da antecipação”

 

Thelma Krug, com 21 anos de IPCC, reforçou que “incertezas não são razão para não ação” e que o El Niño de 2023 foi diferente pela velocidade de desenvolvimento. Ela citou mapas do último relatório do IPCC, com “digital humana” em gráficos de calor e água, que já alertavam para o Rio Grande do Sul, defendendo que cidades precisam se adaptar mesmo com modelos em constante evolução.

 

O embaixador Antonio da Costa e Silva (Ministério das Cidades) lembrou que “desastres afetam principalmente os mais vulneráveis”, citou a retomada de obras de prevenção, revisão da defesa civil e o fato de 20% dos assentamentos urbanos irregulares estarem em áreas frágeis, pedindo mais inclusão, CEP e regularização fundiária. 

 

André Schelini (SEBRAE) trouxe o dado de que 95% dos prefeitos de pequenos municípios indicaram já sofrerem vulnerabilidades climáticas, alertando para a informalidade das pequenas e médias empresas. Também citou a soja de Mato Grosso, consumida por 150 países, e que não tem seu baixo carbon footprint reconhecimento no preço definido em Chicago. Ele mencionou a “Economia da Natureza” e o Centro Nacional de Referência em Sustentabilidade do SEBRAE.

 

Patrícia Chacon (Porto) lembrou que menos de 20% das residências e empresas têm cobertura contra enchentes e que a cobertura precisa “caber no bolso”. Em eventos gerais, como vendaval em Ribeirão Preto, São Paulo, há alguns dias, a empresa usa fast track para agilizar indenizações sem burocratizar o segurado. Ela citou o mapeamento de riscos sociais (proximidade de escolas, piscinões) e econômicos (indústrias críticas) em parceria com prefeituras, defendendo maior integração público‑privada com métricas e metas.

 

Viviane Torinelli (BACEN) reforçou que o Banco Central busca garantir poder de compra da moeda e bem‑estar social, portanto, monitora de perto o risco de crédito em quebras de safras e impactos regionais. A sensibilidade ao tema vem desde 1995, com atenção especial à segmentação e custo de capital, inclusive via normas como a circular 3.809/2016 (regras para abater o risco de crédito ponderado por meio de garantias e instrumentos financeiros).

 


No painel Infraestrutura resiliente, gestão de riscos climáticos e seguros em concessões públicas, moderado por Claudia Prates (CNSeg), Luciene Machado (BNDES) alertou que, no fim da cadeia, muitas vezes estão pequenos investidores sem plena noção dos riscos. 

 

André Dabus (Marsh) lembrou que o Estado tradicionalmente entrega infraestrutura, mas com recursos limitados, e que PPPs são caminho relevante, com o Brasil em posição de vanguarda. Ele destacou a necessidade de melhorar qualidade de informações, diferenciar riscos ordinários e extraordinários, evoluir mecanismos de transferência (como Letras de Riscos de Seguros e seguros catástrofe) e ampliar educação: de cerca de 100 seguradoras, talvez apenas 10 tenham área de project finance robusta. E lançou a pergunta que ficou ecoando: “Quem paga a conta, inclusive a social, nas privatizações, concessões e PPPs?” citando ainda a dificuldade de aceitação de inovações como “madeira engenheirada”.

 

Erika Medici (AXA) afirmou que o mercado de seguros está cada vez mais voltado à prevenção e não apenas a “pagar sinistros”, defendendo construção conjunta de novos modelos de negócios e educação de mercado e clientes. Ela citou estudos que mostram que US$ 1 investido em prevenção reduz US$ 5 a US$ 7 em custos de reparação.

 

Melina Amoni (WayCarbon) explicou a importância de traduzir riscos físicos e de transição em decisões de negócio, mapear ativos críticos e aplicar uma “camada climática”, mencionando estudo apoiado pelo iCS que calcula o impacto da ação e da inação, e reforçando que o setor segurador é uma grande base de dados, com papel relevante para dentro e para fora.

 


No painel “Seguro Rural, Crédito e Gestão de Riscos frente às Mudanças Climáticas”, moderado por Guilherme Bastos (FGV Agro), João José Prieto Flávio (OCB) destacou que cooperativas elevam a assistência técnica de 20% para até 60%, com muitas informações compartilhadas regularmente, defendendo personalização e previsibilidade: “Não será receita de bolo”

 

Daniel Nascimento (FenSeg/BrasilSeg Rural) falou de nuances regionais, prioridade ao PL, contingenciamentos e necessidade de banco de dados, além do retorno do seguro de renda. 

 

Gláucio Toyama (Agro IRB Re) lembrou que o resseguro tem capacidade de sobra, mas a agropecuária segue desassistida, com foco apenas nos principais grãos, e defendeu seguros plurianuais e medição individualizada da “inadimplência derivada de clima”

 

João Adrien (ESG Agro Itaú BBA) falou de linhas de crédito ESG, medição de “solo coberto” como indicador de menor risco, necessidade de volume e correlações maiores, resumindo: “A PL é prioridade zero”.




Carbon Credit Markets é canal educativo e mídia referência nos mercados de carbono com forte presença digital e audiência global em mais de 100 países.




Mosaico Carbon Credit Markets - São Paulo Climate Week 2026 - Extra Edition
Mosaico Carbon Credit Markets - São Paulo Climate Week 2026 - Extra Edition

 CARBON CREDIT MARKETS

“Nothing in life is to be feared, it is only to be understood. Now is the time to understand more, so that we may fear less.”

“I am among those who think that science has great beauty”

Madame Marie Curie (1867 - 1934) Chemist & physicist. French, born Polish.

 • Weekly newsletters •

bottom of page