5ª semana CCM 2026. Offtakes ganham mercado, REDD+ e finanças da natureza avançam em diversos países, climatologista é premiado, Verra se estabiliza financeiramente, princípios de governança climática
- Art Dam
- há 2 horas
- 7 min de leitura
Segunda-feira, 02 de fevereiro de 2026.
5ª semana de Carbon Credit Markets em 2026. A demanda corporativa por créditos de carbono está migrando para offtakes de longo prazo, que crescem mesmo com o mercado spot enfraquecido e volumes em queda. Já no âmbito da UNFCCC, o panorama global mostra avanço consistente das submissões REDD+, com países como Brasil, Indonésia e Peru apresentando séries robustas de FRELs - Forest Reference Emission Level -, avaliações técnicas e resultados validados. Finanças da natureza, instituições buscando reduzir o gap de US$ 700 bilhões, alinhar-se ao Global Biodiversity Framework e expandir instrumentos como blue bonds, TNFD e fundos florestais. Ao mesmo tempo, o prêmio a Veerabhadran Ramanathan destaca o impacto dos CFCs como superpoluentes e sua contribuição decisiva ao Protocolo de Montreal, consolidando sua influência na climatologia moderna. Verra mostra uma forte virada financeira, reduzindo perdas e elevando receitas, enquanto a Chapter Zero Alliance lança novos princípios globais de governança climática e da natureza, reforçando resiliência, transparência e valor de longo prazo na estratégia corporativa. Eventos, inclusive as Climate Weeks pré COP31 na Coréia e no Azerbaijão. Abaixo mais detalhes.
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Créditos de Carbono
A demanda corporativa por créditos de carbono se desloca para acordos de longo prazo
Segundo a Fastmarkets, pesquisa do Morgan Stanley Institute for Sustainable Investing mostra que a demanda corporativa por créditos de carbono está migrando para acordos de offtake de longo prazo, enquanto o mercado spot permanece fraco, com volumes negociados caindo de mais de US$ 2 bilhões em 2021 para pouco acima de US$ 500 milhões em 2024; já os offtakes ultrapassaram US$ 7 bilhões em 2025, refletindo maior busca por segurança de entrega, embora os créditos sigam com papel limitado nas estratégias de net‑zero — que dependem majoritariamente de reduções internas — e com alta sensibilidade a preço, regulação e reputação, especialmente entre futuros compradores, indicando uma recuperação ainda desigual dos mercados voluntários.
Panorama mundial completo das submissões de REDD+ à UNFCCC
Uma nota recente na REDD+ Web Platform destaca que a UNFCCC disponibilizou um arquivo em Excel — atualizado até 9 de janeiro de 2026 — que reflete o avanço global na implementação do mecanismo REDD+ sob a Convenção do Clima. O documento reúne, em um único lugar, uma visão consolidada:
dos níveis de referência de emissões florestais (FREL) submetidos pelos países,
do status das avaliações técnicas,
dos resultados REDD+ já reportados, e
do andamento das análises técnicas correspondentes.
Um FREL – Forest Reference Emission Level é, em termos simples, a linha de base oficial que um país apresenta à UNFCCC para demonstrar quanto emitia por desmatamento antes de implementar ações de REDD+. A partir dessa referência histórica, a ONU calcula reduções de emissões e valida resultados REDD+.
A seguir, um resumo sobre alguns países que aparecem com mais destaque no arquivo:
• Brasil. País mais recorrente no arquivo, com FRELs para Amazônia e Cerrado, além de submissões nacionais. Os FRELs abrangem longos períodos históricos, com foco em redução de emissões por desmatamento e inclusão de pools como biomassa acima e biomassa abaixo do solo. Os resultados reportados são expressivos e sempre em escopo subnacional.
• Colômbia. Aparece com submissões subnacionais e nacionais, cobrindo principalmente a Amazônia colombiana. Os FRELs incluem atividades de redução de desmatamento, com pools de biomassa acima e abaixo do solo e, em versões mais recentes, carbono do solo. Resultados validados aparecem de forma recorrente.
• Peru. Possui uma das séries mais longas de atualizações. Os FRELs são majoritariamente subnacionais, com inclusão de pools como biomassa acima/abaixo do solo e, em alguns ciclos, madeira morta. Mantém forte consistência metodológica ao longo do tempo.
• Indonésia. Um dos países com maior recorrência e maiores valores absolutos. Os FRELs são nacionais, com séries crescentes e inclusão de múltiplas atividades REDD+ — desmatamento, degradação e aumento de estoques. Considera pools como biomassa, carbono do solo e gases como CO₂, CH₄ e N₂O.
• Suriname. Apresenta FRELs nacionais, atualizados de forma contínua, com foco em redução de desmatamento e inclusão de pools como biomassa acima/abaixo do solo e madeira morta. Mantém uma das séries temporais mais longas e consistentes.
• Papua‑Nova Guiné. Traz FRELs nacionais acompanhados de múltiplos anos de resultados validados. As submissões incluem redução de desmatamento, degradação e aumento de estoques, com pools de biomassa e gases como CO₂.
• Malásia. Aparece em diferentes ciclos, com FRELs negativos, indicando remoções líquidas. Os FRELs cobrem florestas permanentes, com atividades de manejo sustentável e pools de biomassa e carbono do solo.
• Chile. Surge com submissões subnacionais e posteriormente nacionais. Inclui atividades de redução de desmatamento, degradação, conservação e aumento de estoques, com pools variados como biomassa, madeira morta e serrapilheira.
• México. Apresenta FRELs nacionais que cobrem múltiplas atividades REDD+ e pools como biomassa, madeira morta, serrapilheira e carbono do solo. É um dos países com maior diversidade metodológica.
A REDD+ Web Platform é o portal oficial da UNFCCC que reúne notícias, submissões, avaliações técnicas, resultados e comunicados sobre REDD+. É também onde está disponível o arquivo Excel com todas as informações citadas acima.
Outros Destaques
Instituições financeiras realmente priorizarão a natureza em 2026?
O artigo da UNEP FI, publicado em 28 de janeiro de 2024, destaca que 2026 será um ano decisivo para a finança da natureza, com instituições financeiras pressionadas a fechar o gap anual de US$ 700 bilhões, alinhar-se ao Global Biodiversity Framework, ampliar investimentos em florestas, oceanos, tecnologias socioambientais e integrar os povos nas decisões. O texto também aponta a expansão de instrumentos como blue bonds, iniciativas como o Tropical Forests Forever Facility e a adoção crescente do TNFD, que consolidam a natureza como eixo central da estratégia financeira global. A UNEP FI é uma parceria global entre a ONU Meio Ambiente e o setor financeiro que mobiliza bancos, seguradoras e investidores para integrar sustentabilidade, clima e natureza em suas decisões econômicas.
Cientista que expôs o poder oculto dos CFCs nos anos 1970 é premiado em 2026
Uma molécula de um CFC pode ter o mesmo efeito de aquecimento que até 10.000 moléculas de dióxido de carbono. Veerabhadran Ramanathan, pioneiro da ciência do clima, transformou a compreensão global do aquecimento ao descobrir nos anos 1970 que os CFCs — então usados no ar‑condicionado, geladeiras e sprays — tinham um efeito estufa milhares de vezes mais potente que o CO₂, abrindo caminho para o Protocolo de Montreal, que evitou até 1°C extra de aquecimento. O press release do Crafoord Prize destaca que Ramanathan também demonstrou como aerossóis, fuligem e outros poluentes climáticos alteram o balanço energético da Terra, ampliando a visão científica sobre os múltiplos fatores que moldam o clima. Sua carreira uniu medições atmosféricas inovadoras, estudos sobre nuvens, vapor d’água e poluição, além de forte atuação ética e política, culminando no reconhecimento com o Prêmio Crafoord. Seu trabalho “Greenhouse Effect Due to Chlorofluorocarbons: Climatic Implications” foi publicado na revista Science em 3 de outubro de 1975. O autor, nascido em 1944 em Chennai, Índia, é Professor Emérito de Ciências Atmosféricas e Climáticas na Scripps Institution of Oceanography (UC San Diego) e doutor pela State University of New York desde 1974 — uma das figuras mais influentes da climatologia moderna.
Curtas & Oportunidades
Virada financeira da Verra
Press release de 28 de janeiro de 2026 indica que o prejuízo caiu de US$ 19 milhões em 2024 para cerca de US$ 1 milhão em 2025, acompanhado por receita acima de US$ 30 milhões e redução de um terço nas despesas, reforçando a estabilidade e o foco operacional da organização. “Verra is now on a sustainable financial footing, with strong cash reserves, thanks to discipline and teamwork across the organization”, comentou Mandy Rambharos, CEO da Verra desde agosto de 2024.
Chapter Zero Alliance lança novos princípios globais de governança climática e da natureza
A Chapter Zero Alliance — nova identidade da antiga Climate Governance Initiative, segundo artigo do IBGC Instituto Brasileiro de Governança Corporativa — apresentou no Fórum Econômico Mundial em Davos seus Guiding Principles for Climate and Nature Governance, desenvolvidos para apoiar conselheiros na integração de clima e natureza à estratégia corporativa. Os princípios destacam resiliência, vantagem competitiva, gestão de riscos, transparência e valor de longo prazo, alinhando a governança às expectativas globais e aos padrões internacionais de sustentabilidade.
Eventos
🇧🇴 5 de março, Bolivia Carbon Forum, Santa Cruz, Bolivia
🇵🇾 25 e 26 de março, Paraguay Carbon Forum, Asunción, Paraguay
🇨🇴🇳🇱28 e 29 de abril de 2026, First International Conference on Phasing Out Fossil Fuels, pelos Governos da Colômbia e dos Países Baixos. Na cidade de Santa Marta, Colômbia
🇵🇪 27 e 28 de maio, Peru Carbon Forum 2026, 3ra edición, ESAN, Lima, Perú
Entre a COP30 e a COP31, quando governos, líderes financeiros e implementadores deixam de negociar textos e passam a construir os mecanismos concretos que realmente entregam resultados.
🇰🇷🇺🇳21 a 25 de abril, Climate Week 1, Yeosu, Coréia do Sul
🇦🇿🇺🇳 5 a 9 de outubro, Climate Week 2, Baku, Azerbaijão
Carbon Credit Markets é canal educativo e mídia referência nos mercados de carbono, membro da coalisão COP Experience, com forte presença digital e audiência global em mais de 100 países, o site número 1 no Brasil e o 16º mais influente do mundo, segundo o FeedSpot.




