44ª semana CCM 2026. O mundo não pára. Créditos de carbono, ETS Turquia, hub Singapura, cronograma Brasil, Austrália avança; Pré-COP Fiji e Tuvalu; IETA e salvaguardas jurídicas
Segunda-feira, 2 de novembro de 2026.
44ª semana de Carbon Credit Markets em 2026.
Créditos de carbono avançaram na Turquia e em Singapura. A Turquia lançou o TR ETS, seu mercado nacional de carbono, com fase piloto em 2026-2027 para setores intensivos em emissões e implementação completa prevista para 2028. Já Singapura fortaleceu seu papel como hub regional de créditos de carbono por meio do Blue Catalyst e de incentivos a projetos alinhados ao Artigo 6 do Acordo de Paris, expandindo seu ecossistema, que reúne mais de 160 empresas do setor.
Outros destaques, a Pré-COP31, realizada em Fiji e Tuvalu, reuniu cerca de 4 mil participantes de mais de 100 países e reforçou os apelos por financiamento climático, cooperação internacional e proteção dos países mais vulneráveis à crise climática. O encontro resultou na adoção da Declaração Taku Pakasoa, reafirmando o compromisso com ações concretas, a valorização do conhecimento indígena e o fortalecimento da agenda de oceano e clima, com expectativa de que a COP31 avance dos compromissos para resultados efetivos.
Curtas e oportunidades trazem a IETA, a pedido da Coalition to Grow Carbon Markets, propondo mecanismos de salvaguardas jurídicas para ampliar o uso de créditos de carbono de alta integridade. No Brasil, foi definido o cronograma de implementação do SBCE, iniciando a preparação dos setores para o monitoramento de emissões. Na Austrália, especialistas reforçaram a importância da integridade dos créditos, da confiança nos mercados de carbono e da segurança regulatória para acelerar a transição ao net zero.
Créditos de Carbono
Turquia conclui estrutura regulatória de mercado de carbono com lançamento do ETS
Segundo a Diretoria de Mudanças Climáticas da Turquia, órgão responsável pela política climática do país, entrou em vigor o Sistema de Comércio de Emissões da Turquia (TR ETS), consolidando as regras de funcionamento do novo mercado nacional de carbono para instalações dos setores intensivos em emissões. E em comunicado publicado em 3 de setembro de 2026, a entidade informou que a fase piloto abrangerá as emissões de 2026 e 2027 nos setores de geração de eletricidade, cimento, ferro e aço, alumínio e fertilizantes, com 100% de alocação gratuita de permissões, exigência inicial de reporte em 2026 e início do mecanismo de precificação em 2027, enquanto as empresas participantes deverão entregar permissões referentes às emissões de 2027 até novembro de 2028, antes da implementação plena do sistema prevista para 2028.
Singapura Impulsiona Mercado de Carbono com Inovação e Financiamento para Créditos de Carbono
A Singapore Economic Development Board (EDB), agência governamental responsável por promover o desenvolvimento econômico e a atração de investimentos em Singapura, destaca o avanço do país na consolidação de um polo asiático de mercado de carbono por meio do desafio de inovação Blue Catalyst e da concessão de novos apoios financeiros do Carbon Project Development Grant para projetos alinhados ao Artigo 6 do Acordo de Paris. A iniciativa apoia estudos de viabilidade para geração de créditos de carbono de alta integridade, enquanto o Blue Catalyst reuniu mais de 130 propostas de 37 países para desenvolver soluções voltadas a projetos de carbono azul, incluindo monitoramento, medição e verificação de emissões. Segundo o EDB, as ações reforçam a capacidade de Singapura para desenvolver, financiar e escalar soluções confiáveis de créditos de carbono e fortalecem sua posição como centro regional do setor, que já abriga mais de 160 empresas de serviços e negociação de carbono e mantém acordos de implementação de créditos de carbono com 11 países parceiros.
Outros Destaques
Pré-COP31 no Pacífico reforça apelo por unidade, financiamento climático e proteção dos oceanos
Ao longo de quatro dias, cerca de 4 mil pessoas de mais de 100 países participaram da Pré-COP31 em Fiji e Tuvalu, discutindo temas como segurança energética, eletrificação, resiliência climática, financiamento climático e as oportunidades econômicas da transição para energia limpa. O encontro deu visibilidade à realidade de Tuvalu, um dos países mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas, onde a elevação do nível do mar já afeta o cotidiano das comunidades. Líderes, ministros e representantes de países vulneráveis defenderam a manutenção da meta de 1,5°C, o fortalecimento da cooperação internacional e a ampliação do acesso a recursos financeiros para adaptação e mitigação. Um dos principais resultados foi a adoção da Declaração Taku Pakasoa, inspirada no conceito tuvaluano de força na unidade e na ação coletiva, reafirmando o compromisso com a implementação de medidas concretas de enfrentamento da crise climática, a valorização do conhecimento indígena, da juventude e das comunidades locais, além do apoio às populações que estão na linha de frente dos impactos climáticos. As discussões também destacaram a necessidade de elevar a relação entre oceano e clima nas negociações globais, reconhecendo o papel dos oceanos na regulação do clima e na absorção de calor e carbono. Ao final da reunião, os participantes defenderam que a COP31, em Antalya, avance da fase de compromissos para a de resultados concretos, com foco na implementação de ações, no acesso mais rápido aos recursos climáticos e na proteção dos países mais vulneráveis à crise climática. Os testemunhos apresentados durante a Pré-COP, especialmente por representantes de comunidades na linha de frente da crise climática, estiveram entre os momentos mais marcantes do encontro.
Curtas & Oportunidades
O relatório“Unlocking Demand in Voluntary Carbon Markets Through Safe Harbour Mechanisms”, elaborado pela International Emissions Trading Association (IETA) a pedido da Coalition to Grow Carbon Markets, argumenta que o crescimento dos mercados voluntários de carbono está sendo limitado pela insegurança jurídica enfrentada por empresas que utilizam créditos de carbono, especialmente devido ao risco de processos judiciais e acusações de greenwashing. O documento recomenda que governos criem mecanismos de“safe harbour” (salvaguarda jurídica) para proteger companhias que ajam de boa-fé, utilizem créditos de alta integridade e façam alegações climáticas alinhadas a regras claras.
Brasil. Ministério da Fazenda, por meio da Secretaria Extraordinária do Mercado de Carbono (SEMC), definiu o cronograma de implementação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), marcando o início da preparação de setores industriais para medir e reportar emissões de carbono, etapa essencial para a futura distribuição de cotas de emissão e para o desenvolvimento do mercado regulado de carbono nacional.
Austrália. Carbon Market Institute destacou os principais takeaways do 2026 Australasian Emissions Reduction Summit, com foco na necessidade de fortalecer a integridade dos créditos de carbono, ampliar a confiança nos mercados de carbono e garantir maior segurança regulatória para impulsionar investimentos e acelerar a transição para o net zero.
Eventos
Novembro
🇹🇷 9 a 20, COP31. Antalia, Turquia.
Carbon Credit Markets é canal educativo e mídia referência nos mercados de carbono com forte presença digital e audiência global em mais de 100 países.





