43ª semana CCM 2026. Gente que faz. Artigo 6 avança, Quênia atrai; Holanda inicia maior operação CCS, Suécia apoia bio-CCS; Acordos bilaterais, Japão, Moldávia; ISSB, ESMA
Segunda-feira, 26 de outubro de 2026.
43ª semana de Carbon Credit Markets em 2026.
Créditos de carbono mostram avanços em 2026 com o Artigo 6.4 do Acordo de Paris, incluindo a primeira emissão, a migração de projetos do MDL e o fortalecimento da infraestrutura de registro e rastreamento. O relatório da UNFCCC destaca a integridade ambiental e apresenta recomendações para a COP31. Paralelamente, na África o Quênia lançou diretrizes estratégicas para ampliar sua atuação nos mercados de carbono, definindo regras para geração e transferência de créditos, atração de investimentos e alinhamento às metas climáticas nacionais.
Outros destaques incluem o início das operações na Holanda do maior projeto europeu de captura e armazenamento de carbono, com capacidade de capturar até 800 mil toneladas de CO₂ por ano e armazenar cerca de 12 milhões de toneladas em 15 anos. Além disso, a Suécia destinou US$ 840 milhões para projetos de bio-CCS, adotando a regra "sem armazenamento, sem pagamento", com a meta de remover 5,75 milhões de toneladas de CO₂ e fortalecer o mercado de remoção de carbono rumo às emissões net zero.
Curtas e oportunidades trazem o relatório da Article 6 Implementation Partnership, que mostra forte avanço da implementação do Artigo 6, com 91% das NDCs 3.0 prevendo seu uso, além de 113 acordos bilaterais, 221 atividades de mitigação em 68 países e 8.948 projetos de crédito de carbono. Também estão abertas consultas sobre metodologia de captura e uso de gás de aterro no âmbito do JCM Moldávia-Japão e sobre novas regras de divulgações relacionadas à natureza propostas pelo ISSB. Já a ESMA mantém os relatórios de sustentabilidade entre as prioridades regulatórias na União Europeia.
Créditos de Carbono
Relatório da UNFCCC destaca avanços do Artigo 6.4 e apresenta recomendações para a COP31
Publicado em 22 de outubro de 2026, o relatório anual do Conselho Supervisor do mecanismo do Artigo 6.4 do Acordo de Paris à Conferência das Partes que atua como reunião das Partes do Acordo de Paris (CMA) apresenta os avanços alcançados na operacionalização do mecanismo internacional de créditos de carbono. Entre os principais marcos estão a primeira emissão de créditos de carbono sob o Artigo 6.4 (A6.4ERs), aprovada em fevereiro de 2026, a autorização para a transição de centenas de projetos do antigo Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (CDM) para o novo sistema, a ampliação das metodologias elegíveis para redução e remoção de emissões e o avanço da infraestrutura de registro e rastreamento dos créditos. O relatório destaca o foco em integridade ambiental, prevenção da supercreditação e fortalecimento do mercado global de carbono. Além de apresentar o progresso alcançado, o documento traz recomendações para consideração das Partes na COP31, em Antália, e ressalta desafios relacionados ao financiamento e à necessidade de recursos adicionais a partir de 2028 para assegurar a plena implementação do mecanismo. Veja também quem são os membros do Conselho Supervisor e se seu país e região está bem representada.
Quênia Define Regras Estratégicas para Expansão de Créditos de Carbono sob o Acordo de Paris
Em um evento realizado em Nairóbi em 5 de outubro de 2026, o Quênia lançou o Kenya Guide for Strategic Engagement in Carbon Markets, iniciativa apresentada pelo Ministério do Meio Ambiente, Mudanças Climáticas e Florestas para fortalecer a participação do país nos mercados de carbono e ampliar a atração de investimentos em créditos de carbono. Durante o lançamento, que reuniu representantes do governo, setor privado, sociedade civil e especialistas em mercados de carbono, foi apresentado o novo marco estratégico para orientar a atuação do país em atividades relacionadas ao Artigo 6 do Acordo de Paris. O guia estabelece diretrizes para a geração e transferência internacional de créditos de carbono, cria um orçamento nacional de carbono para limitar a comercialização internacional de reduções de emissões, define critérios para autorizações de projetos, prioriza setores como energia renovável, transporte de baixa emissão e gestão de resíduos, e reforça requisitos de integridade ambiental, transparência, monitoramento e alinhamento às metas climáticas nacionais (NDCs). Segundo o governo queniano, a estratégia busca ampliar o acesso a financiamento climático, transferência de tecnologia e desenvolvimento sustentável, preservando a capacidade do país de cumprir seus compromissos climáticos.
Outros Destaques
Maior Projeto Europeu de Captura de Carbono Entra em Operação na Holanda
Anúncio recente da Direção-Geral de Energia da Comissão Europeia, órgão responsável pelas políticas energéticas da União Europeia, informa o início das operações da usina Yara Sluiskil, na Holanda, descrita como o maior projeto comercial de captura e armazenamento de carbono (CCS) da Europa. A instalação deverá capturar e liquefazer até 800 mil toneladas de CO₂ por ano provenientes da produção de amônia, com o carbono transportado para armazenamento permanente no projeto Northern Lights, na Noruega, em uma iniciativa emblemática de cooperação europeia. Segundo a Comissão Europeia, o empreendimento deverá armazenar cerca de 12 milhões de toneladas de CO₂ nos próximos 15 anos, contribuindo para a descarbonização industrial e para a redução de emissões em setores intensivos em carbono. Trata-se de uma infraestrutura estratégica e inovadora para apoiar metas climáticas e fortalecer a competitividade industrial europeia.
Suécia libera US$ 840 milhões para captura de carbono com regra rígida: “sem armazenamento, sem pagamento”
Publicado em 16 de outubro de 2026 pela Swedish Energy Agency, Agência Sueca de Energia, órgão governamental responsável pelas políticas de energia e clima da Suécia, país escandinavo de cerca de 10,7 milhões de habitantes, o anúncio revela a concessão de SEK 9,3 bilhões (cerca de US$ 840 milhões) às empresas Renova, SYSAV e Öresundskraft, operadoras de conversão de resíduos em energia, para projetos de captura e armazenamento de carbono (bio-CCS) que deverão remover e armazenar permanentemente 5,75 milhões de toneladas de CO₂ biogênico. A iniciativa integra a estratégia sueca para alcançar emissões líquidas zero até 2045 e gerar emissões negativas posteriormente, por meio da captura de carbono proveniente de biomassa e seu armazenamento geológico permanente. O programa adota um modelo de leilão reverso para selecionar os projetos com maior benefício climático ao menor custo por tonelada removida e segue o princípio de “sem armazenamento, sem pagamento”, já que os recursos só serão desembolsados conforme o CO₂ for efetivamente armazenado, reforçando a credibilidade do mercado de remoção de carbono, créditos de carbono e captura de carbono em larga escala.
Curtas & Oportunidades
Relatório Article 6 Implementation Status Report 2026 da A6IP revela que 91% das NDCs 3.0 pretendem utilizar o Artigo 6, enquanto 113 acordos bilaterais já apoiam 221 atividades de mitigação em 68 países, além de 48,2 milhões de tCO₂e em créditos autorizados e 8.948 projetos ativos de crédito de carbono.
Consulta pública da metodologia Geração de eletricidade e redução de emissões de metano por captura e uso de gás de aterro (LFG), no âmbito do Joint Crediting Mechanism (JCM) Moldávia-Japão. Entre os dias 19 de outubro e 2 de novembro de 2026.
A International Sustainability Standards Board (ISSB) recebe contribuições sobre proposta de requisitos para divulgações relacionadas à natureza, desenvolvida para apoiar empresas na divulgação consistente e comparável de informações sobre riscos e oportunidades relacionados à natureza para investidores. A consulta também busca opiniões sobre o formato da proposta, atualmente apresentada como uma Practice Statement, podendo evoluir para um padrão obrigatório. Até 19 de fevereiro de 2027.
European Securities and Markets Authority (ESMA) define as prioridades de fiscalização (ECEP) para 2026 e mantém os relatórios de sustentabilidade entre os principais focos regulatórios. O relatório recém-publicado destaca os temas que estarão no centro da supervisão dos demonstrativos corporativos na União Europeia neste ciclo de divulgação.
Eventos
Outubro
🇯🇵 28, Paris Agreement Article 6 Implementation Status Report 2026. A6IP Center e parceiros da UNEP-CCC, World Bank, IETA e IATA.
Novembro
🇹🇷 9 a 20, COP31. Antalia, Turquia.
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