42ª semana CCM 2026. Tempos de ação e impasses. Avanços RGGI Estados Unidos, VCM Portugal, ETS, CDR; Plenária IPCC suspensa; Preocupações na Itália, Alemanha, Bélgica, Suíça
Segunda-feira, 19 de outubro de 2026.
42ª semana de Carbon Credit Markets em 2026. Na trilha sonora dos mercados de carbono.
Créditos de carbono ganham impulso em diferentes mercados: enquanto estados do Nordeste dos Estados Unidos reforçam as regras da RGGI para aumentar a integridade ambiental, reduzir emissões até 2037 e eliminar o uso de offsets, Portugal amplia seu mercado voluntário de carbono com novas metodologias florestais para expandir a geração de créditos e atrair investimento privado em soluções de sequestro de carbono.
Outros destaques tratam do IPCC enfrentando um impasse que pode atrasar o AR7 e comprometer a base científica do Global Stocktake de 2028, enquanto países como Itália, Alemanha e Bélgica pressionam por flexibilizações nas regras climáticas da União Europeia em nome da competitividade industrial; paralelamente, a Suíça dá sinais de resistência ao avanço da agenda climática, com a rejeição, por ampla maioria dos eleitores, de um fundo dedicado ao financiamento da transição climática.
Curtas e oportunidades trazem audiência pública da Comissão Europeia, que recebe contribuições até 3 de novembro para a revisão do ETS e da Reserva de Estabilidade de Mercado, enquanto um novo estudo da Abatable mostra que compradores de créditos de carbono estão aposentando créditos com mais frequência e priorizando projetos de maior integridade; além disso, análise da WRI indica que a remoção de carbono (CDR) segue ganhando impulso global com novas políticas e incentivos voltados à descarbonização.
Créditos de Carbono
Estados do Nordeste dos EUA Reforçam Mercado de Carbono com Novas Regras de Emissões
Segundo análise da International Emissions Trading Association (IETA), associação global dedicada ao desenvolvimento de mercados de carbono, os estados participantes da Regional Greenhouse Gas Initiative (RGGI) estão concluindo a implementação das regras revisadas do programa antes da entrada em vigor do novo modelo regulatório em 1º de janeiro de 2027, resultado da Terceira Revisão do Programa. As mudanças fortalecem o limite regional de emissões até 2037, introduzem novos mecanismos de estabilidade de mercado, substituem a Emissions Containment Reserve por um Preço Mínimo de Reserva mais elevado e eliminam o uso de offsets para fins de conformidade, ampliando a integridade ambiental do sistema Model Rule da RGGI. De acordo com o informe, Maryland, Rhode Island, Vermont e Nova York já concluíram a implementação das novas regras, enquanto outros estados seguem em processo de adequação regulatória, e a Virgínia voltou a integrar a iniciativa em julho de 2026. O próximo marco será o Leilão RGGI 74, em 2 de dezembro de 2026, que incluirá permissões adicionais para apoiar a transição ao novo regime regulatório. O modelo mantém um sistema baseado em licenças de CO₂, nas quais cada unidade corresponde ao direito de emitir uma tonelada de dióxido de carbono, consolidando a RGGI como um dos principais mercados de carbono subnacionais do mundo.
Portugal amplia mercado voluntário de carbono para atrair investimento privado em florestas
Segundo comunicado publicado em 6 de outubro de 2026 pelo Ministério do Ambiente e da Energia de Portugal, órgão do governo responsável pelas políticas ambientais e energéticas do país, o Mercado Voluntário de Carbono (MVC) passou a contar com três metodologias após a aprovação de novas regras para Reflorestamento e Gestão Florestal Melhorada, que se juntam à metodologia já existente para Novas Florestações. A medida pretende ampliar as oportunidades de desenvolvimento de projetos de sequestro de carbono, aumentar a geração de créditos de carbono e atrair investimento privado para soluções baseadas na natureza, contribuindo para a neutralidade carbônica, a valorização do território e a resiliência das florestas portuguesas. De acordo com o ministério, o mercado já possui dois projetos registados, um terceiro em validação inicial, 977 créditos de carbono disponíveis para venda, 29 utilizadores registados e 10 verificadores qualificados, sendo considerado uma ferramenta para canalizar financiamento privado para ações climáticas e para fortalecer o crescimento e a credibilidade do mercado de carbono em Portugal.
Outros Destaques
Impasse no IPCC ameaça cronograma do AR7 e base científica do Balanço Global de 2028
Em 16 de outubro de 2026, comunicado oficial do IPCC Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, órgão científico da ONU para avaliação da ciência climática, informou a suspensão da 65ª Sessão Plenária em Addis Abeba, decisão tomada por seu presidente após o encontro ultrapassar o prazo previsto e diante da saída de delegações de Países Menos Desenvolvidos (LDCs) e Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (SIDS), mantendo em aberto discussões sobre o cronograma do Sétimo Relatório de Avaliação (AR7) e o orçamento da entidade.
Em 9 de outubro, a Reuters já havia antecipado que um impasse sem precedentes entre seus membros poderia comprometer a publicação de seu próximo relatório de avaliação, afetando a disponibilidade de uma base científica atualizada para a COP33 e para o segundo Global Stocktake (GST2) do Acordo de Paris.
O centro da disputa parece ser a tentativa de adiar para 2029 a divulgação dos relatórios dos Grupos de Trabalho 2 e 3 - dedicados, respectivamente, a impactos, adaptação, perdas e danos e à mitigação das mudanças climáticas -, o que impediria sua utilização plena no GST2, previsto para 2028. Segundo essas avaliações, a posição majoritária de governos, cientistas e organizações da sociedade civil favoráveis à conclusão dos relatórios em 2028 enfrentou resistência de um pequeno grupo de países em desenvolvimento com altas emissões de gases de efeito estufa e forte vínculo com a produção e o consumo de combustíveis fósseis, com menções a Índia e Arábia Saudita.
As delegações de países mais vulneráveis aos impactos climáticos e os mais de 600 cientistas envolvidos na elaboração do AR7 e argumentam que o episódio expõe fragilidades do modelo decisório por consenso do IPCC, em um momento de crescente urgência climática.
Grupo de países no continente Europeu quer reduzir impactos das regras climáticas sobre a competitividade
Em 6 de outubro, o governo da Itália informou que a quarta reunião do grupo informal de países pela competitividade europeia debateu o custo da energia, a simplificação de regras da União Europeia e o comércio internacional, incluindo propostas para reduzir custos associados ao ETS, mercado europeu de emissões, limitar o impacto do preço do CO₂ sobre a eletricidade e adiar a implementação do ETS2. Poucos dias depois, o canal pan-europeu de notícias Euronews revelou que Alemanha, Itália e Bélgica defenderam um mecanismo de “freio de emergência” para suspender novas legislações europeias consideradas excessivamente onerosas para as empresas, em uma agenda voltada ao fortalecimento da competitividade industrial, à aceleração de investimentos em descarbonização e à redução de encargos regulatórios.
No início do ano a Itália já havia intensificado sua pressão para suspender o ETS, alegando que o sistema tem um “efeito perverso” sobre a competitividade industrial.
Além dela, e numa perspectiva mais financeira, a não membro da União Européia Suíça também já demonstrava forte rejeição aos esforços em transição climática. Prioridades em outro lugar, queda de interesse e conceito abstrato demais foram alguns dos motivos indicados em reportagem da SWI swissinfo.ch para 71% dos eleitores rejeitarem a criação de um fundo climático que destinaria até 1% do PIB anual para ações ambientais. O resultado reflete temores sobre custos adicionais, impacto direto no orçamento das famílias e competição com outras prioridades nacionais, como previdência e defesa.
Curtas & Oportunidades
Consulta pública da Comissão Europeia sobre a revisão do Sistema de Comércio de Emissões da União Europeia (EU ETS) e da Reserva de Estabilidade de Mercado (MSR), aberta até 3 de novembro de 2026, reúne propostas para aviação, transporte marítimo e instalações industriais, incluindo novas regras de monitoramento e reporte de emissões no setor marítimo e mudanças na alocação gratuita de licenças de emissão para setores expostos ao risco de fuga de carbono (carbon leakage).
Compradores de créditos de carbono estão mudando rapidamente suas estratégias: em 2025, passaram a aposentar créditos com mais frequência (13 vezes por comprador, ante 5 em 2019) e aumentaram a busca por projetos de maior integridade, enquanto metodologias aprovadas pelo CCP ampliaram fortemente sua participação no mercado. Veja o que o novo relatório da Abatable revela além dessas tendências.
Estudo recente do WRI (World Resources Institute) mostra que a remoção de dióxido de carbono (CDR) está ganhando força global mesmo diante do recuo dos Estados Unidos, com novas políticas públicas, incentivos governamentais e mecanismos para acelerar a transição climática. O artigo completo mostra como países e blocos econômicos estão construindo o futuro da descarbonização e por que essa estratégia pode ser decisiva para manter certos setores industrias na vanguarda.
Eventos
Outubro
🇦🇺 20 a 21, Australasian Emission Reduction Summit, Adelaide, Austrália
Novembro
🇹🇷 9 a 20, COP31. Antalia, Turquia.
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