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40ª semana CCM 2026. Siga o dinheiro. ITMOs e Canadá; Integração de mercados na América do Norte; GHG Protocol; ICVCM e DMRV; finanças e demografia ambiental

Art Dam
há 12 minutos
5 min de leitura

Segunda-feira, 05 de outubro de 2026.


40ª semana de Carbon Credit Markets em 2026. 



Créditos de carbono ganham impulso na América do Norte, com o Canadá estudando um marco para negociar ITMOs sob o Artigo 6 do Acordo de Paris, enquanto os mercados subnacionais dos Estados Unidos avançam em integração e apresentam perspectivas mais otimistas. O relatório de IETA e OPIS destaca a possível vinculação entre Califórnia, Washington e Québec, o retorno da Virgínia à RGGI e projeções para as CCAs de US$ 35 a US$ 40 por tonelada no fim de 2026, ante expectativas dos participantes de US$ 30 a US$ 35.


Outros destaques incluem o avanço do GHG Protocol na revisão do reporte corporativo de emissões, com 84% dos 437 respondentes apoiando uma estrutura capaz de evidenciar ações de descarbonização além dos inventários tradicionais de Escopos 1, 2 e 3, e 87% favoráveis a uma demonstração baseada em instrumentos de mercado. Já o CDP destaca o retorno financeiro da ação ambiental: empresas reportam, em média, US$ 8 de retorno para cada US$ 1 investido, reforçando a relevância da gestão de emissões, transparência ambiental e descarbonização para as estratégias corporativas.


Curtas e oportunidades reúnem novas leituras sobre integridade, ESG e biodiversidade: o ICVCM aborda como o DMRV pode ampliar a integridade e a transparência dos créditos de carbono; a Vanguard revela que a preferência pela política de voto focada em ESG é mais forte entre mulheres e investidores mais jovens; e a OCDE estima o financiamento global da biodiversidade entre US$ 75 bilhões e US$ 92 bilhões anuais, reforçando a dimensão financeira da agenda ambiental. Vale a leitura!


Além de uma lista com eventos relevantes.



Créditos de Carbono


ITMOs colocam Canadá na rota de expansão dos mercados internacionais de créditos de carbono.

Publicado em 24 de setembro de 2026, o comunicado do Environment and Climate Change Canada, órgão federal canadense responsável pelas políticas de meio ambiente e mudança climática, informou que o Governo do Canadá está explorando um marco regulatório para negociar Resultados de Mitigação Transferidos Internacionalmente (ITMOs), mecanismo previsto no Artigo 6 do Acordo de Paris que pode permitir às empresas canadenses participar dos mercados internacionais de carbono e estimular investimentos em reduções e remoções de emissões, inclusive por tecnologias de remoção de carbono e soluções baseadas na natureza. Segundo o governo, qualquer crédito de carbono utilizado como ITMO deverá cumprir as exigências do Artigo 6, incluindo adicionalidade, prevenção da dupla contagem e processos robustos de rastreamento e contabilização, de modo que as reduções e remoções negociadas sejam reais, adicionais, verificadas e permanentes. O Canadá também pretende consultar províncias, territórios, organizações indígenas e outros parceiros sobre a operacionalização dos ITMOs e continuará avaliando políticas compatíveis com um futuro de emissões líquidas zero, incluindo o potencial de créditos de compensação internacionais e domésticos.



Relatório mede sentimento nos mercados de carbono da América do Norte

A publicação conjunta da International Emissions Trading Association (IETA) e da OPIS, empresa da Dow Jones especializada em preços e inteligência de mercado, analisa tendências e percepções dos mercados de carbono subnacionais dos EUA em 2026 e 2027. Destaca a perspectiva de integração dos mercados da Califórnia, Québec e Washington - como antecipamos em março - e o retorno da Virgínia à Regional Greenhouse Gas Initiative (RGGI), mercado regional de carbono do setor elétrico dos EUA. O relatório também discute os fatores regulatórios influenciando os preços das California Carbon Allowances (CCAs) e maior otimismo até 2030 e além. A OPIS projeta o contrato V26 Dec 2026 das CCAs entre US$ 35 e US$ 40 por tonelada no fim de 2026, enquanto a maioria dos participantes espera US$ 30 a US$ 35 por tonelada. Washington é apontado pela maioria como o mercado subnacional com fundamentos mais fortes, enquanto limites de emissões pós-2030, a vinculação entre Califórnia, Washington e Québec e a política climática federal permanecem determinantes. IETA e OPIS preveem um relatório mais abrangente no primeiro trimestre de 2027.



Outros Destaques


GHG Protocol avança para novo modelo de reporte corporativo com amplo apoio do mercado

O GHG Protocol registrou forte apoio à proposta de uma estrutura de reporte de emissões com múltiplas demonstrações, apresentada no white paper da Fase 1 de Actions and Market Instruments (AMI). Na consulta realizada entre 31 de março e 15 de junho de 2026, que reuniu 437 respostas válidas, os resultados mostraram que:


  • 84% apoiaram ou apoiaram fortemente a nova estrutura, concebida para tornar visíveis ações de descarbonização que nem sempre aparecem nos atuais inventários de Escopos 1, 2 e 3;

  • 87% defenderam a inclusão de um Market-based GHG Inventory Statement, destinado a refletir instrumentos como acordos contratuais, decisões de compra, atributos ambientais e certificados;

  • 80% apoiaram um GHG Impact Statement, voltado aos impactos de projetos, intervenções, investimentos, produção, venda, compra e consumo de produtos dentro e fora da cadeia de valor;

  • 33% foram favoráveis a uma demonstração de indicadores não expressos em CO₂e, proposta que recebeu menor apoio entre os participantes.


Os participantes também apontaram desafios relacionados à maturidade metodológica, definição de linhas de base, transparência e risco de maior carga de reporte. Os resultados servirão de insumo para a Fase 2 do AMI, reforçando a direção de um modelo que mantenha separadas diferentes lógicas de contabilização dos impactos climáticos corporativos.



Empresas com Retorno Ambiental de Até 800%: É o que Revela o “Disclosure Dividend 2026” do CDP

Publicado há algumas semanas pelo CDP - organização global que coleta e padroniza dados ambientais corporativos para orientar investidores, governos e empresas - o relatório “Disclosure Dividend 2026” mostra que companhias que divulgam e atuam sobre riscos climáticos obtêm retornos financeiros expressivos, impulsionados por iniciativas de redução de emissões e estratégias alinhadas à economia de baixo carbono. Segundo o documento, “nearly 4,000 companies reported a total of US$3 billion in financial losses as a result of extreme weather” e, ao mesmo tempo, ações ambientais geram retorno médio de US$8 para cada US$1 investido. Embora o relatório não trate diretamente de créditos de carbono, ele destaca que a transição para uma economia zero‑carbono abre oportunidades financeiras, reforçando que a gestão de emissões - base para geração de créditos - é parte central das estratégias corporativas de resiliência climática. O CDP afirma que empresas estão economizando bilhões de dólares com iniciativas de mitigação, como eficiência energética e redução de resíduos, evidenciando que a transparência ambiental se tornou um ativo estratégico em mercados pressionados por riscos climáticos, exigências de descarbonização e pela mudança de comportamento de uma nova geração de consumidores.



Curtas & Oportunidades


Continuous Improvement Work Program report: Digital Monitoring, Reporting and Verification. Novo relatório do Integrity Council for the Voluntary Carbon Market (ICVCM) explora como o DMRV pode fortalecer a integridade e a transparência dos créditos de carbono, ao mesmo tempo em que aponta riscos e recomendações para sua aplicação. 



A gestora norte-americana Vanguard publicou novos dados do Investor Choice, programa que já reúne 507 mil acionistas participantes e US$ 151,3 bilhões em ativos. Entre as constatações, a opção de voto com foco em ESG apresenta diferenças relevantes por gênero: 25% das mulheres investidoras selecionaram essa política, percentual superior ao registrado entre os homens. Entre os investidores mais jovens, a preferência é ainda mais marcante: eles selecionam a política ESG em uma proporção duas vezes maior que os investidores mais velhos.



Quanto o mundo está investindo para proteger a natureza? Novo levantamento da OCDE estima o financiamento global da biodiversidade em US$ 75 bilhões a US$ 92 bilhões anuais e mostra o peso dos recursos públicos domésticos nesse cenário. Vale a leitura.



Eventos


Outubro

🇦🇿🇺🇳 5 a 9, UNFCCC Climate Week 2, Baku, Azerbaijão.


🇫🇷 7 e 8, OCDE Forum on Green Finance and Investment. Em Paris ou online.


📅 07 e 08, Congresso SAE BRASIL 2026, Pavilhão da Bienal – Parque Ibirapuera, São Paulo, Brasil


🇦🇺 20 a 21, Australasian Emission Reduction Summit, Adelaide, Austrália




Novembro

🇹🇷 9 a 20, COP31. Antalia, Turquia. 



Carbon Credit Markets é canal educativo e mídia referência nos mercados de carbono com forte presença digital e audiência global em mais de 100 países.



Mosaico Carbon Credit Markets Week 40 2026
Mosaico Carbon Credit Markets Week 40 2026

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“Nothing in life is to be feared, it is only to be understood. Now is the time to understand more, so that we may fear less.”

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Madame Marie Curie (1867 - 1934) Chemist & physicist. French, born Polish.

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