39ª semana CCM 2026. Países e história. Coalition Carbon Markets; Verra escopo 3; OCDE e 50 países; +3,14 cm mar; hidrogênio e créditos de carbono, conexão mercados, qanats
Segunda-feira, 28 de setembro de 2026.
39ª semana de Carbon Credit Markets em 2026.
Créditos de carbono avançam com o Brasil buscando integrar os mercados globais e negociar com países como a China, enquanto evoluem as metodologias do Artigo 6.4 do Acordo de Paris. Em paralelo, a Verra lançou um padrão para Escopo 3, ampliando a certificação de reduções nas cadeias de valor e sua conexão com os mercados de carbono.
Outros destaques incluem a nova ferramenta da OCDE, que monitora e compara políticas de mitigação climática em 50 países, considerando sua adoção e grau de rigor. Já um estudo sobre Groenlândia e Antártida aponta a perda de 11,3 trilhões de toneladas de gelo entre 1979 e 2023, contribuindo para a elevação do nível global do mar em 3,14 cm.
Curtas e oportunidades incluem uma consulta pública sobre metodologia para créditos de carbono ligados à produção de hidrogênio por eletrólise com eletricidade renovável, no âmbito do Artigo 6.4, com contribuições até 1º de outubro de 2026. Também ganham atenção a necessidade de infraestrutura conectada para ampliar os mercados de carbono e o resgate dos qanats, técnica milenar adotada em Sevilha como exemplo de adaptação urbana.
Além de uma lista com eventos relevantes.
Créditos de Carbono
Brasil quer liderar integração dos mercados de carbono antes mesmo de seu próprio mercado começar?
Dialogue Earth colocou recentemente uma questão provocativa: como o Brasil pode liderar a aproximação dos mercados globais de carbono se seu próprio sistema regulado ainda está sendo desenhado e as negociações só devem começar em 2030? À frente da Open Coalition on Compliance Carbon Markets (OCCCM), o país busca aproximar padrões de monitoramento, contabilidade e integridade, conciliando as prioridades do Sul Global com sistemas já estabelecidos em economias desenvolvidas. A iniciativa ganhou impulso na Conferência do Mercado de Carbono da China, em Wuhan, enquanto o Brasil explora a possibilidade de a China comprar créditos brasileiros, com a ambição de chegar a um acordo bilateral até a COP31, em novembro. Em paralelo, o mecanismo do Artigo 6.4 do Acordo de Paris avança em metodologias para diferentes formas de redução e remoção de emissões, incluindo atividades como abatimento de N₂O industrial, aproveitamento de gás de aterro e geração renovável, ampliando a disputa sobre quais tecnologias e soluções poderão gerar créditos e quem conseguirá capturar valor nos novos mercados de carbono.
Verra lança padrão para emissões de Escopo 3 e amplia conexão com créditos de carbono
Verra lançou em 15 de setembro seu Scope 3 Standard (S3S) Program, estrutura independente para quantificar, verificar e certificar reduções e remoções de emissões em cadeias de valor corporativas. O programa permitirá gerar Scope 3 Units (S3Us), cada uma correspondente a uma tonelada de CO₂ equivalente reduzida ou removida dentro da cadeia de valor, e funcionará em paralelo ao Verified Carbon Standard (VCS), de modo que projetos poderão potencialmente emitir S3Us ou créditos de carbono tradicionais, ampliando suas opções de financiamento e o universo de compradores. Inicialmente, a versão 1 contempla metodologias adaptadas do VCS para manejo aprimorado de terras agrícolas e produção de concreto de baixo carbono, com expansão prevista para outros setores, enquanto futuras atualizações deverão permitir registro, validação e verificação dos projetos e a primeira emissão das unidades.
Outros Destaques
Ferramenta da OCDE monitora políticas climáticas em 50 países
Há alguns meses, a OCDE publicou a Climate Actions and Policies Measurement Framework (CAPMF), uma base internacional harmonizada criada no âmbito do International Programme for Action on Climate (IPAC) para acompanhar a evolução das políticas de mitigação climática. O sistema reúne 130 variáveis, agregadas em 56 ações e políticas, cobre 50 países no período de 1990 a 2023 e considera tanto a adoção de políticas quanto seu grau de rigor, definido pela capacidade das medidas governamentais de prescrever, incentivar ou viabilizar a redução das emissões de gases de efeito estufa. Segundo a OCDE, seu diferencial é oferecer dados climáticos consistentes, coerentes e validados pelos países, permitindo comparar instrumentos e setores, acompanhar o fortalecimento das políticas ao longo do tempo e fornecer uma base para análises, embora os indicadores de rigor tenham caráter informativo e não devam ser interpretados como medida de desempenho ou eficácia das políticas.
Em quase meio século, perda de gelo na Groenlândia e Antártida elevou nível global do mar em 3,14 cm.
Publicado no último dia 16 de setembro, um levantamento inédito baseado no mais longo registro de imagens de satélites já reunido mostra que Groenlândia e Antártida perderam 11,3 trilhões de toneladas de gelo entre 1979 e 2023. Isso contribuiu para uma elevação de 31,4 milímetros do nível global do mar. O dado mais expressivo é que 84% dessa perda ocorreu pela aceleração do recuo das geleiras e consequente descarga de gelo no oceano, enquanto os 16% restantes decorreu do derretimento superficial. Desde os anos 1990, as perdas aumentaram fortemente, e apensar de alguns ciclos de desaceleração temporária, os cientistas afirmam não representar uma reversão da tendência de longo prazo. O estudo reuniu 42 levantamentos independentes de 27 missões de satélite e foi publicado na revista Scientific Data. A fonte da divulgação é a Northumbria University, instituição que liderou a avaliação com pesquisadores da University of Washington Applied Physics Laboratory.
Curtas & Oportunidades
Créditos de carbono. Aberta a consulta pública sobre a metodologia proposta para produção de hidrogênio por eletrólise da água, abastecida principalmente por eletricidade renovável, no âmbito do Artigo 6.4 do Acordo de Paris. Contribuições até 1º de outubro de 2026.
Mercados de carbono precisam de infraestrutura conectada para ganhar escala: em artigo de opinião, Andrew Howard, CEO da CAD Trust, destaca que registros, programas governamentais e estruturas de reporte de créditos de carbono foram desenvolvidos de forma fragmentada, restringindo o financiamento climático, e defende que conectá-los exige esforço conjunto.
Temperaturas cada vez mais altas? Há uma técnica de cerca de mil anos sendo redescoberta por algumas cidades modernas. Em Sevilha, na Espanha, a resposta passa pelo resgate dos qanats, solução subterrânea histórica. O tema chama atenção justamente por conectar conhecimento ancestral e desafios climáticos contemporâneos, mostrando como ideias do passado podem voltar ao centro das discussões sobre adaptação urbana. Vale conhecer essa técnica milenar e entender por que ela voltou a despertar interesse em pleno século XXI.
Eventos
Setembro
🇮🇳28, India Forum: Advancing International Carbon Markets for Climate Ambition, Sustainable Development and Shared Prosperity. Delhi, India.
🇯🇵 30, Building Resilient and Sustainable Cities amid Climate Change and Water Challenges. ISAP 2026, International Forum dor Sustainable Asia and the Pacific
Outubro
🇦🇿🇺🇳 5 a 9, UNFCCC Climate Week 2, Baku, Azerbaijão.
🇫🇷 7 e 8, OCDE Forum on Green Finance and Investment. Em Paris ou online.
📅 07 e 08, Congresso SAE BRASIL 2026, Pavilhão da Bienal – Parque Ibirapuera, São Paulo, Brasil
🇦🇺 20 a 21, Australasian Emission Reduction Summit, Adelaide, Austrália
Novembro
🇹🇷 9 a 20, COP31. Antalia, Turquia.
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