35ª semana CCM 2026. Interoperabilidade. Mercados nacionais, Corsia, Artigo 6; Automação, dynamic baseline; NBS, tecnológicas, ITMOs; novo registro Verra-S&P; sinergia crédito-clima-natureza
- Art Dam
- há 3 horas
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Segunda-feira, 31 de agosto de 2026.
35ª semana de Carbon Credit Markets em 2026.
Se quiser, leia o artigo enquanto ouve uma das músicas do Carbon Credit Markets.
Créditos de carbono ganharam centralidade nos debates, com especialistas da 4ª Conferência Clima & Carbono no Brasil destacando a necessidade de acelerar o mercado, fortalecer integridade, investir em automação, modernizar certificação e avançar na integração entre sistemas nacionais, Corsia e Artigo 6.2. Trazemos os highlights do painel que reuniu visões sobre automação e monitoramento contínuo, o papel dos Core Carbon Principles, desafios de projetos florestais e a adoção de dynamic baselines em projetos de conservação, além de apontar que mercados internacionais têm favorecido soluções tecnológicas, a exemplo do Japão e da Suíça, pela menor exposição a riscos de permanência e integridade, enquanto ITMOs seguem com demanda estruturada e crescente preferência por metodologias de mitigação industrial.
Outros destaques incluem o lançamento do novo registro integrado da Verra com a S&P Global Energy, que unifica programas, amplia transparência e centraliza o acompanhamento de créditos de carbono, projetos e transações em uma plataforma única.
Curtas & Oportunidades trazem o white paper da Robeco, mostrando como crédito, clima e natureza podem convergir em estratégias financeiras que apoiam a transição com impacto ambiental mensurável.
Além de uma lista com eventos relevantes.
Créditos de Carbono
No Brasil, Especialistas Discutem Desafios, Certificação e Integração do Mercado de Créditos de Carbono.
No último dia 28 de agosto, ao final da 4a Conferência Brasileira Clima & Carbono - Aliança Brasil NBS - o painel “O futuro da certificação de créditos de carbono no Brasil” destacou a urgência de acelerar o mercado nacional, com o moderador Bruno Brasil (BRCarbon), por um lado, criticando sua lentidão, mas por outro, sinalizando que os volumes triplicaram quando o regulatório andou.
Iara Musse (SCCON) apresentou ótimos slides, defendendo a automação, dados robustos e plataformas de monitoramento contínuo como pilares para confiança, rastreabilidade e redução de desinformação. Seus slides apontaram desafios como integridade, metodologias, interoperabilidade, riscos ESG e falta de padronização, além de oportunidades ligadas ao Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões SBCE, demanda por dados confiáveis e uso intensivo de IA, sensoriamento remoto e modelagens avançadas.
Remo Filleti (ICVCM) reforçou o papel dos Core Carbon Principles (CCP) como padrão de qualidade, já refletidos em cerca de 113 milhões de créditos emitidos e 44 metodologias aprovadas. Comentou que mercado, mídia e data providers tem visto o CCP tanto como diferencial como elemento básico dos créditos, com prêmios de preço entre 10–18% e até 40% em cookstoves. Sobre SBCE, Corsia e Artigo 6.2 comentou “a interoperabilidade é cada vez mais evidente. É o futuro”.
Thibault Sorret (Equitable Earth) destacou que o Brasil pode liderar soluções baseadas na natureza, desde que não se isole metodologicamente. Questionado sobre os desafios, comentou sobre a duração dos projetos - “Who will be around after 40 years?” - e a extensão física do projetos - “Thousands of hectares. How to check? And the baseline?”. Concluiu com a sugestão de adoção de uma “dynamic baseline” para projetos de conservação florestal - como a metodologia da Equitable Earth que cria linhas de base ajustadas no tempo para refletir mudanças reais no risco e na dinâmica do desmatamento.
Cássio Souza (Verra) afirmou que a integridade tornou-se estrutural desde 2019, que o Brasil é central para uma nova metodologia REDD+ tropical, e que o mercado deve superar a divisão entre voluntário e regulado, consolidando “um único mercado de carbono”.
De outros painéis, destacamos abaixo algumas frases que ouvimos.
“Brasil bem na frente em termos de integridade” - David Nieto, da Sylvera, em comparação dos créditos de carbono NBS entre Brasil e Ásia, segundo o qual estariam na faixa $5-$6 tonelada mas que o Brasil poderia competir em mercados de qualidade, tipo Estados Unidos, por $9 tonelada. Painel: Quem vai investir em NBS? A nova demanda por carbono.
“Uma linguagem comum entre países precisa se estabelecer” - Scott Dickson, da Chrysalabs. Painel: MRV 2.0: satélites, dados e inteligência artificial redefinindo o mercado.
“Floresta como ativo econômico e passivo financeiro. Essa visão precisa evoluir” - Renato Rosenberg, do Serviço Florestal Brasileiro, ao enfatizar o manejo, como potencializador dos créditos de carbono. Painel: Florestas com infraestrutura de desenvolvimento local.
“A partir de 2024 ficou mais claro quem é o dono do carbono” - Mariane Nardi, REED+ do MMA / Brasil. Painel: Atores chave de mercado: o papel das comunidades tradicionais e povos indígenas.
Demanda Estruturada, Risco Reduzido e o Atual Apelo dos ITMOs Tecnológicos.
Japão e Suíça - exemplos do “Global North” endinheirado - já apoiam países menores comprando seus ITMOs preferencialmente de projetos tecnológicos, mostrando que o mercado não se limita a NBS.
Por exemplo a Suíça. Seus acordos bilaterais permitem ambos os tipos de projetos tecnológicos e NBS, mas na prática a Suíça tem priorizado fortemente projetos tecnológicos - e tem excluído atividades NBS com risco de permanência ou integridade. Vale lembrar que a empresa South Pole que esteve envolvida no Projeto Kariba, citado mais abaixo, é sediada na Suíça. Ou seja, os acordos são “agnósticos”, mas o portfólio real é majoritariamente tecnológico.
O mesmo pode ser visto no Japão: o portfólio de ITMOs sob o JCM é quase inteiramente composto por soluções tecnológicas - eficiência energética, renováveis, redução de metano, N₂O, eletrificação e infraestrutura de baixo carbono - atualmente com participação mínima ou nula de projetos NBS.
Soluções tecnológicas geram patentes, escala e inovação contínua. Para países menos afortunados pela natureza, enxergar além das florestas não é opção: é a única forma de criar capacidade real de gerar créditos de alto valor tecnológico.
A China, por sua vez, já escala tecnologias de mitigação - de metano a N₂O, CCUS e eficiência industrial - mostrando que países com grande base industrial podem gerar créditos sem depender de natureza ou território.
E tudo isso sem o risco fundiário e de integridade que vimos no Projeto Kariba REDD+ no Zimbábue, no Projeto Isangi na República Democrática do Congo e nas fraudes de grilagem do “Rei do Carbono” no Brasil.
Não por acaso, o capital tem preferido soluções tecnológicas, pelas quais até paga mais - basta ver que as duas primeiras metodologias aprovadas para o Artigo 6 focam em metano de aterros sanitários e óxido nitroso na produção de fertilizantes. Nada ainda de metodologias NBS. E, no fim das contas, o mercado voluntário sofre pelo lado da demanda, enquanto o mercado de ITMOs sempre terá oferta e demanda estruturadas.
Outros Destaques
Verra e S&P Global Energy Lançam Novo Sistema de Registro que Integra Créditos de Carbono e Programas Climáticos
A partir dos dois comunicados no último dia 27 de julho, Verra anunciou o lançamento de um novo registro de próxima geração, desenvolvido em parceria com a S&P Global Energy, que oferece uma experiência mais integrada, eficiente e centralizada para usuários de seus programas - incluindo o Verified Carbon Standard (VCS), o Plastic Waste Reduction Program e o Sustainable Development Verified Impact Standard (SD VISta). O novo sistema reúne em uma única plataforma funcionalidades antes distribuídas, melhora a navegação, amplia a transparência e facilita o acompanhamento de créditos, projetos e transações, marcando um avanço na infraestrutura digital da organização.
Curtas & Oportunidades
O white paper “Credit, Climate and Nature – Now Together” publicado há algumas semanas pela Robeco - gestora global especializada em investimentos sustentáveis - apresenta como estratégias de crédito podem apoiar a transição climática enquanto incorporam resultados de natureza, refletindo a evolução dos riscos e oportunidades nesse cenário em transformação. Vale a leitura completa para entender essas conexões emergentes.
Eventos
Setembro
🇲🇽 2 e 3, México Carbon Forum. Aguascalientes, México.
🇨🇭8, Taking Responsibility. Navigating the New Era of Ongoing Emissions. Gold Standard.
🇨🇳15, Carbon Market Conference. Open Coalition on Compliance Carbon Market, em Wuhan, China.
🇺🇸 22 e 23, North America Climate Summit (NACS) 2026, Nova Iorque
🇮🇳28, India Forum: Advancing International Carbon Markets for Climate Ambition, Sustainable Development and Shared Prosperity. Delhi, India.
Outubro
🇦🇿🇺🇳 5 a 9, UNFCCC Climate Week 2, Baku, Azerbaijão.
🇫🇷 7 e 8, OCDE Forum on Green Finance and Investment. Em Paris ou online.
📅 07 e 08, Congresso SAE BRASIL 2026, Pavilhão da Bienal – Parque Ibirapuera, São Paulo, Brasil
🇦🇺 20 a 21, Australasian Emission Reduction Summit, Adelaide, Austrália
Novembro
🇹🇷 9 a 20, COP31. Antalia, Turquia.
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