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33ª semana CCM 2026. Captura de Carbono. Brasil, Alemanha e UE inovam; ITMOs, mercados de carbono e derivativos avançam muito na Ásia-Pacífico; valor estratégico do CBAM; remoção CO₂ marinha

  • Art Dam
  • há 12 minutos
  • 6 min de leitura

Segunda-feira, 17 de agosto de 2026.


33ª semana de Carbon Credit Markets em 2026


Se quiser, leia o artigo enquanto ouve uma das músicas do Carbon Credit Markets.


Créditos de carbono ganham ainda mais escala com Hong Kong avançando como super conector dos mercados chinês e internacionais, criando infraestrutura robusta para derivativos, enquanto o Brasil inaugura um marco operacional de CCS/CCUS que integra reservatórios geológicos ao mercado regulado, permitindo contabilizar remoções permanentes no SBCE e estruturando hubs industriais com monitoramento de longo prazo.


Outros destaques mostram o avanço europeu na remoção de carbono e na descarbonização industrial, com a Alemanha impulsionando DACCS, CCS/CCU e hidrogênio, enquanto a União Européia lança €5 bilhões em carbon contracts for difference para cortar 50% das emissões em quatro anos e 85% em quinze; ao mesmo tempo, a remoção marinha de CO₂ (mCDR) ganha tração como tecnologia promissora que depende de governança sólida, ciência rigorosa e salvaguardas ambientais para garantir inovação oceânica segura.


Curtas e oportunidades trazem dinamismo dos mercados de carbono, com Mongólia e Palau realizando suas primeiras transferências de ITMOs via JCM, após emitir 214.040 tCO₂e e 194 tCO₂e, respectivamente; na Indonésia, o mercado segue em expansão com 1,98 milhão tCO₂e negociados desde 2023, totalizando IDR 93,89 bilhões sob supervisão da OJK; e a McKinsey destaca que o CBAM pode transformar conformidade em criação de valor, ao usar dados de emissões verificados como vantagem competitiva.


Além de uma lista com eventos relevantes.




Créditos de Carbono


Hong Kong e China avançam como conexão global para derivativos de créditos de carbono

Em 5 de agosto de 2026, o portal FOW - especializado em mercados futuros e infraestrutura financeira - publicou análise destacando o papel de Hong Kong como possível “super conector” entre os mercados de créditos de carbono da China e do restante do mundo. A matéria explica que a cidade pode integrar mercados onshore e offshore, apoiada pela expansão do ETS nacional da China, pela retomada do mercado voluntário de offsets em 2024 e pela pressão regulatória internacional, como o Carbon Border Adjustment Mechanism europeu. Segundo o texto, “Hong Kong has the opportunity to play a key role as the ‘super connector’ between Chinese and global commodity markets” . AEX Holdings testou simulações de negociação de carbon forwards, buscando criar infraestrutura transparente, com práticas internacionais e clearing centralizado, embora o grande desafio siga sendo atrair liquidez. A visão apresentada é que Hong Kong pode futuramente operar um sistema de derivativos de carbono capaz de conectar investidores globais ao maior mercado de emissões do mundo. Agradecemos a Jeff Huang, fundador e CEO da AEX Holdings, por compartilhar este artigo com Carbon Credit Markets.



Brasil inaugura marco operacional para CCS e CCUS e integra reservatórios geológicos ao mercado de carbono

O Decreto nº 13.095/2026 estabelece a base operacional para projetos de CCS - Carbon Capture and Storage e CCUS - Carbon Capture, Utilization and Storage no Brasil, definindo como o CO₂ capturado será transportado por dutos e injetado em reservatórios geológicos com critérios de integridade, permanência e monitoramento compatíveis com padrões internacionais. A ANP - Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis assume a supervisão técnica de todo o ciclo, avaliando a evolução da frente de pressão, a capacidade do bloco de armazenamento e os modelos de comportamento geológico de longo prazo, cuja responsabilidade pode se estender por duas a cinco décadas, até que a estabilidade do reservatório seja comprovada. O decreto reconhece rotas tecnológicas como BECCS - Bioenergy with CCS, BECCUS - Bioenergy with CCUS, DACCS - Direct Air Capture with Storage e DACCUS - Direct Air Capture with Utilization and Storage, e integra a estocagem geológica ao mercado de carbono, permitindo que reduções e remoções sejam contabilizadas no SBCE - Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões, desde que garantida a permanência mínima de cinquenta anos ou aprisionamento mineralógico irreversível. A política incentiva a formação de hubs multiusuários, com infraestrutura compartilhada e possível reaproveitamento de gasodutos, criando economias de escala para clusters industriais de captura. A responsabilidade de longo prazo permanece com o operador mesmo após o descomissionamento e o monitoramento pós-injeção, exigindo modelos robustos de gestão de risco, garantias financeiras e contratos estruturados para suportar obrigações que atravessam gerações.




Outros Destaques


União Européia e Alemanha Avançam em Remoção de Carbono e Descarbonização Industrial

A Alemanha reuniu 180 especialistas para acelerar tecnologias de remoção de carbono, como DACCS, CCS, CCU, hidrogênio e eletrificação, essenciais para compensar emissões residuais e atingir neutralidade climática até 2045. Paralelamente, a UE aprovou um esquema de €5 bilhões para apoiar setores industriais na substituição de combustíveis fósseis por alternativas de baixo carbono, exigindo reduções de 50% das emissões em quatro anos e 85% em 15 anos, conforme o documento: “Projects must deliver substantial emission reductions, including at least 50% within four years and 85% by the end of the contract period in 15 years.” O apoio será concedido por “carbon contracts for difference”, cobrindo apenas custos adicionais e prevendo reembolso quando tecnologias limpas se tornarem mais baratas. Setores como aço, químicos, cimento, vidro e papel serão priorizados dentro do EU ETS. A Comissão concluiu que o esquema é necessário, proporcional e mantém a concorrência equilibrada, reforçando a transição energética europeia, como destacou Teresa Ribera: “This scheme will help deliver substantial emissions reductions in key sectors, using public support in a targeted and proportionate way.”



Remoção de CO₂ Marinho Avança como Tecnologia, Sob Alertas por Governança e Salvaguardas Científicas

O relatório do Fórum Econômico Mundial posiciona a marine carbon dioxide removal (mCDR) como um setor de fronteira de alto potencial, capaz de contribuir significativamente para a regeneração oceânica e para metas globais de clima, desde que integrado a uma Economia Azul Regenerativa baseada em limites planetários e prosperidade equitativa. O documento enfatiza que o avanço do mCDR exige governança robusta, padrões científicos rigorosos, monitoramento transparente e avaliação contínua dos impactos ecológicos, garantindo que novas tecnologias não ampliem riscos como acidificação, perda de biodiversidade ou deslocamento de comunidades costeiras. Dentro das quatro alavancas sistêmicas - governança integrada, finanças inovadoras, capacitação humana e tecnologia/IA - o mCDR é apresentado como uma oportunidade estratégica que só pode prosperar com regulação forte, responsabilidade social e ciência independente, reforçando que a regeneração marinha depende tanto de inovação quanto de salvaguardas ambientais e sociais bem definidas.





Curtas & Oportunidades


Mongólia e Palau marcaram avanços importantes em Article 6.2, cada um realizando suas primeiras transferências internacionais de ITMOs por meio do JCM Joint Crediting Mechanism, modelo de cooperação bilateral criado pelo governo do Japão para apoiar projetos de redução de emissões em países parceiros. Mongólia emitiu 214.040 tCO₂e e Palau transferiu 194 tCO₂e . Transações desse tipo só são possíveis após a submissão de seus respectivos Initial Reports à UNFCCC, desenvolvidos com apoio técnico do A6IP Center, fortalecendo a cooperação em mercados de carbono e a expansão de energias renováveis.



Mercado de Carbono da Indonésia segue em expansão, aponta OJK

Em 4 de agosto de 2026, a Otoritas Jasa Keuangan (OJK) - autoridade supervisora do sistema financeiro da Indonésia - divulgou seu relatório mensal destacando a evolução do mercado de créditos de carbono. Desde o lançamento da Indonesia Carbon Exchange em 26 de setembro de 2023, o país já acumula 1,98 milhão tCO₂e negociados, movimentando IDR 93,89 bilhões, com 155 usuários registrados na plataforma. Segundo o documento, “cumulative trading volume reached 1.98 million tCO2e, with a total transaction value of IDR93.89 billion” . A publicação reforça o papel da OJK na regulação e expansão do mercado de carbono, alinhando-se às políticas nacionais de descarbonização e ao fortalecimento da infraestrutura financeira do país.



Artigo CBAM: How companies can build from compliance to value creation, publicado em julho de 2026, a McKinsey mostra como o CBAM pode transformar a simples conformidade regulatória em verdadeira criação de valor, destacando o papel estratégico dos dados de emissões verificados — uma leitura essencial para quem quer entender como essa mudança pode redefinir custos, competitividade e decisões de negócio.




Eventos


Agosto

🇧🇷 27 e 28, Conferência Brasileira Clima e Carbono, Aliança Brasil NBS.


Setembro

🇲🇽 2 e 3, México Carbon Forum. Aguascalientes, México.



🇨🇳15, Carbon Market Conference. Open Coalition on Compliance Carbon Market, em Wuhan, China.


Outubro

🇦🇿🇺🇳 5 a 9, UNFCCC Climate Week 2, Baku, Azerbaijão.


📅 07 e 08, Congresso SAE BRASIL 2026, Pavilhão da Bienal – Parque Ibirapuera, São Paulo, Brasil


🇦🇺 20 a 21, Australasian Emission Reduction Summit, Adelaide, Austrália





Carbon Credit Markets é canal educativo e mídia referência nos mercados de carbono com forte presença digital e audiência global em mais de 100 países.



Mosaico Carbon Credit Markets Week 33 2026
Mosaico Carbon Credit Markets Week 33 2026

 CARBON CREDIT MARKETS

“Nothing in life is to be feared, it is only to be understood. Now is the time to understand more, so that we may fear less.”

“I am among those who think that science has great beauty”

Madame Marie Curie (1867 - 1934) Chemist & physicist. French, born Polish.

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