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20ª semana CCM 2026. Registros UNFCCC; Preços em leilões; revisão CBAM; SBCE; petróleo-por-água Turquia–Iraque; subsistência Cidade do México; Carbon Pricing 2026, COP31, Paraguai, GHG Protocol, BCE

  • Art Dam
  • há 5 horas
  • 8 min de leitura

Segunda-feira, 18 de maio de 2026.


20ª semana de Carbon Credit Markets em 2026


Se quiser, ao som do soft rock brasileiro “Portas do Carbono ou outras de sua escolha.


Créditos de carbono. Cenário global avança com a apresentação pela UNFCCC dos sistemas de registro dos Artigos 6.2 e 6.4, com a publicação de análise pelo CFA Institute sobre formação de preços de carbono em leilões regulados, com audiência pública sobre ajustes propostos pela UE no CBAM para reconhecer preços de créditos de carbono pagos fora do bloco além de novas regulamentações relativas à governança e comitês técnicos do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões.


Como outros destaques hoje abordamos a água. Seca extrema na bacia do Tigre–Eufrates levou Turquia e Iraque a firmarem um acordo inédito de petróleo‑por‑água, enquanto evidências científicas mostram que a crise hídrica já provoca queda drástica nos níveis dos rios, deslocamentos e falhas sistêmicas. Em paralelo, imagens de satélite revelam afundamento acelerado na Cidade do México, comprometendo infraestrutura e abastecimento e reforçando a urgência de monitoramento e adaptação frente ao agravamento dos riscos hídricos.


Curtas & Oportunidades: o cenário reúne lançamentos e chamadas relevantes — o World Bank apresentará no Innovate4Climate o relatório State and Trends of Carbon Pricing 2026, enquanto a COP31 destacou novas articulações da Turquia na China para cooperação em clima e infraestrutura; o Paraguai abriu uma consultoria estratégica ligada ao Artigo 6, o GHG Protocol recebe contribuições para o RFI sobre Actions and Market Instruments até 31 de maio, e o Banco Central Europeu publicou vaga para especialista em clima e riscos ambientais, com inscrições até 3 de junho de 2026.


Além de uma longa lista com eventos imperdíveis.




Créditos de Carbono


UNFCCC Apresenta Detalhes dos Registros dos Artigos 6.2 e 6.4 do Acordo de Paris

Em dois webinars técnicos promovidos pela UNFCCC na semana passada, dos quais a CarbonCreditMarkets participou, foi apresentado os MVPs (Minimum Viable Products) dos novos registros previstos nos Artigos 6.2 e 6.4, que formarão a espinha dorsal da infraestrutura global de mercados de carbono sob o Acordo de Paris.


O conteúdo sobre o Artigo 6.2 detalhou o MVP do Registro Internacional e dos Serviços Adicionais de Registro (ARS), que permitirá a emissão, transferência e cancelamento de ITMOs (Internationally Transferred Mitigation Outcomes), MOs (Mitigation Outcomes) e AMOs (Authorized Mitigation Outcomes for international use). “Countries/parties… may engage… in cooperative approaches that involve the use of ‘internationally transferred mitigation outcomes’ (ITMOs)” e neste sentido, o secretariado da UNFCCC foi incumbida de fornecer infraestrutura pronta para países sem registros nacionais, incluindo processos essenciais — emissão, autorizações, transferências e cancelamentos.


No webinar dedicado ao Artigo 6.4, foi apresentado o MVP do Registro do Mecanismo de Crédito do Acordo de Paris (PACM). O mecanismo introduz A6.4ERs, que podem ser autorizados para uso internacional como ITMOs, e MCUs, voltados ao uso doméstico e voluntário. O registro acompanhará todo o ciclo de vida das unidades — “from issuance through authorization, transfer, acquisition, use, and cancellation” — garantindo rastreabilidade completa, transparência e prevenção estrutural de dupla contagem. O sistema foi “designed from the ground up around NDCs”, incorporando salvaguardas ambientais e sociais, validação por DOEs (Designated Operational Entities) - organismos independentes acreditados pela UNFCCC para realizar auditorias técnicas em projetos e programas de mitigação - e supervisão direta do corpo regulador.


Ambos os registros têm sua implementação final prevista para o quarto trimestre de 2026, após a fase de testes, ajustes e integração entre os mecanismos.



Como se formam os preços do carbono? Análise do CFA Institute revela os mecanismos

O recém lançado relatório Global Compliance Carbon Markets: Auction Mechanisms, de Yushuo Yang, PhD, CFA, publicado pelo CFA Institute Research and Policy Center — organização global dedicada a elevar os padrões profissionais em finanças por meio de pesquisa, educação, ética e da certificação CFA (Chartered Financial Analyst) — mostra que a alocação de permissões de carbono é decisiva para a formação de preços, que ocorre nos leilões a partir da interação entre a oferta regulada de permissões, a demanda das empresas e as regras do próprio leilão, fatores que determinam o valor final pago pelas unidades de carbono; o estudo analisa a transição da alocação gratuita para modelos de leilão e compara as estruturas adotadas na União Europeia, Califórnia e Reino Unido, avaliando ainda a estabilidade de preços, a profundidade da demanda e o desempenho dos leilões, e identificando os elementos que explicam sua efetividade, ao mesmo tempo em que oferece um framework prático para investidores e formuladores de políticas avaliarem oportunidades nos mercados primários de carbono.



União Europeia busca ajustar regras do CBAM para reconhecer preço de carbono pago fora da Europa

O novo regulamento de implementação do CBAM aprofunda como importadores poderão comprovar o preço de carbono já pago em países terceiros, convertê‑lo em euros e deduzi‑lo do número de certificados CBAM a serem entregues. O texto detalha critérios para evidências aceitas, limites para compensações e rebates, uso de preços default definidos pela Comissão e requisitos rigorosos para o “independent person” responsável por certificar os dados — incluindo padrões de acreditação, verificação, independência e acesso a informações primárias. A proposta — cujo rascunho está disponível abaixo — também esclarece o tratamento de créditos de carbono, taxas domésticas, ETS estrangeiros, precursors, indirect emissions e situações em que parte das emissões é isenta ou compensada, sempre com o objetivo de garantir, como afirma o documento, que “a carbon price is not paid twice on the same emissions”. A proposta está aberta a contribuições até 10 de junho, oferecendo uma oportunidade para que empresas, especialistas e cidadãos influenciem a versão final das regras que definirão como a UE reconhecerá preços de carbono pagos fora do bloco — e, portanto, como o CBAM funcionará na prática para o comércio internacional.




Novas resoluções fortalecem a estrutura do mercado regulado de carbono no Brasil

Publicadas em 11 de maio de 2026, quatro Resoluções do Comitê Técnico Consultivo Permanente (CTCP) avançam na consolidação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) ao definir sua governança e criar grupos técnicos responsáveis por temas financeiros, metodológicos e de monitoramento. As normas estabelecem a base operacional para o funcionamento do mercado regulado de carbono e ampliam a capacidade técnica do Comitê.


  • Regimento Interno do Comitê Técnico Consultivo Permanente, responsável por recomendações para aprimoramento, implementação e funcionamento do SBCE (Resolução CTCP/SBCE nº 1/2026)


  • Grupo de Trabalho de Aspectos Financeiros, encarregado de analisar instrumentos financeiros, mecanismos de mercado e gestão de riscos associados aos ativos do SBCE (Resolução CTCP/SBCE nº 2/2026)


  • Grupo de Trabalho de MRV, dedicado a requisitos técnicos de monitoramento de emissões e critérios para acreditação e supervisão de verificadores independentes (Resolução CTCP/SBCE nº 3/2026)


  • Grupo de Trabalho de Metodologias, responsável por critérios de credenciamento e descredenciamento de metodologias para geração de CRVEs, além de requisitos para quantificação de reduções ou remoções de emissões (Resolução CTCP/SBCE nº 4/2026)




Outros Destaques


Trocando petróleo por água: o acordo que pode redefinir o futuro do Tigre e do Eufrates

A pior seca em quase um século na bacia do Tigre e do Eufrates criou o cenário para um acordo sem precedentes entre Turquia e Iraque: trocar petróleo por água. Em 22 de abril de 2024, os dois países assinaram o Framework Agreement on Cooperation in the Water Field between the Government of the Republic of Turkey and the Government of the Republic of Iraq- abaixo para download -, que estabelece projetos conjuntos de infraestrutura hídrica — da modernização de sistemas de irrigação ao reforço de barragens — financiados por um mecanismo baseado nas compras de petróleo iraquiano pela Turquia. A implementação ganhou forma em 2 de novembro de 2025, quando ambos oficializaram o mecanismo financeiro, como noticiado pela Anadolu Agency e analisado pela IGFA, consolidando um modelo de interdependência econômica que busca enfrentar a crise hídrica severa e reduzir tensões históricas entre os países.


Essa crise é amplamente documentada: a World Weather Attribution mostrou que a seca de cinco anos foi agravada pelas mudanças climáticas induzidas pelo homem, tornando eventos extremos “dez vezes mais prováveis” e levando o Iraque ao ano mais seco desde 1933. O The CSR Journal relatou queda de até 27% no nível do Eufrates e alertou que o rio pode secar até 2040, enquanto o CSIS descreveu colapso agrícola, deslocamento de comunidades e surtos de cólera como sintomas de um sistema hídrico em colapso. Nesse contexto, a análise publicada na Academia.edu interpreta o acordo como um passo hidroestratégico importante para a estabilidade regional — talvez a última chance de evitar que o berço de civilizações se torne o epicentro de uma crise irreversível.




Afundamento acelerado ameaça abastecimento: satélite revela colapso hídrico na Cidade do México

Com cerca de 20 milhões de habitantes, a região da Cidade do México está construída sobre um aquífero, cuja superexploração, somada ao peso do desenvolvimento urbano, compacta o antigo leito lacustre há mais de um século. Publicado em 29 de abril de 2026, artigo da NASA mostra que o satélite NISAR, fruto de uma missão conjunta EUA–Índia, confirmou um afundamento extremo, com áreas cedendo mais de 2 centímetros por mês, comprometendo a infraestrutura urbana e os sistemas de abastecimento hídrico. As imagens captadas entre outubro de 2025 e janeiro de 2026 revelam danos acumulados — fraturas em estradas, edifícios e tubulações — em um processo que tende a gerar vazamentos massivos e pode tornar‑se irreversível em várias áreas, agravando ainda mais a crise de água. A capacidade do radar L‑band do NISAR de detectar mudanças sutis no solo mesmo sob nuvens, vegetação ou baixa luminosidade torna a missão essencial para monitorar riscos ambientais e pressões crescentes sobre os recursos hídricos.




Curtas & Oportunidades


O relatório State and Trends of Carbon Pricing 2026 do World Bank — a principal referência global sobre a evolução dos instrumentos de precificação de carbono — será apresentado publicamente no Innovate4Climate esta semana.



COP31. No dia 14 de maio de 2026, segundo comunicado do presidente da COP31, avançou nas articulações estratégicas da Turquia na China, destacando encontros com o Silk Road Fund para fortalecer cooperação em clima, infraestrutura sustentável e resiliência urbana.



Paraguai com foco em mercados de carbono. O GGGI — organização internacional dedicada ao apoio a países na transição para um desenvolvimento verde, resiliente e de baixo carbono — anuncia uma oportunidade estratégica para empresas qualificadas: estão abertas as propostas para a consultoria “Assessment of Mitigation Activities and Development of MAINs (Mitigation Activity Idea Notes)”, parte do projeto que operacionaliza o marco nacional de mercado de carbono do Paraguai e apoia sua participação no Artigo 6 do Acordo de Paris. O prazo para envio das propostas é 1º de junho de 2026. Detalhes aqui.



GHG Protocol. Está aberto até 31 de maio o período de contribuições para o Request for Information (RFI) sobre Actions and Market Instruments (AMI), baseado no White Paper que sintetiza os resultados da Fase 1 do desenvolvimento do novo padrão. O documento propõe uma estrutura de reporte de GEE com múltiplas declarações e apresenta objetivos, definições e princípios para a contabilidade de emissões em AMI, detalhados também na Explanatory Memo. As contribuições devem ser enviadas via formulário oficial, e o White Paper ainda não constitui um rascunho de padrão — cuja consulta pública está prevista para o terceiro trimestre de 2027.



Banco Central Europeu (ECB) abriu vaga para um(a) especialista em clima e riscos ambientais, buscando alguém capaz de traduzir ciência em políticas econômicas — inscrições até 3 de junho de 2026.




Eventos


🇧🇷 18 e 19 de maio, Carbono que Conta: Mercado Voluntário e Mercado Regulado. Hub de Descarbonização da AMCHAM Brasil e a Netword.


🇺🇸 20 de maio, Updated Article 6 and CORSIA Label Guidance. Webinar da Verra.


🇧🇪 20 e 21 de maio, Carbon Removals and Carbon Farming “CRCF” Days. Directorate‑General for Climate Action da União Européia, Bruxelas.


🇦🇺 20 e 21 de maio, Carbon Farming Industry Forum 2026. Freemantle, Australia.


🇸🇬 20 a 22 de maio, Innovate4Climate (I4C) 2026. Singapura.


🇪🇸 21 e 22 de maio, 13th Meeting of the Roundtable on Financing Water. OECD, Banco de España, CDP e Network for Greening the Financial System (NGFS).


🇵🇪 27 e 28 de maio, Peru Carbon Forum 2026, 3ra edición, ESAN, Lima, Perú.



🇧🇷 27 e 28 de agosto, Conferência Brasileira Clima e Carbono, Aliança Brasil NBS.


🇨🇳15 de setembro, Carbon Market Conference. Open Coalition on Compliance Carbon Market, em Wuhan, China.


🇦🇿🇺🇳 5 a 9 de outubro, UNFCCC Climate Week 2, Baku, Azerbaijão.




Carbon Credit Markets é canal educativo e mídia referência nos mercados de carbono com forte presença digital e audiência global em mais de 100 países.




Mosaico Carbon Credit Markets Week 20 2026
Mosaico Carbon Credit Markets Week 20 2026

 CARBON CREDIT MARKETS

“Nothing in life is to be feared, it is only to be understood. Now is the time to understand more, so that we may fear less.”

“I am among those who think that science has great beauty”

Madame Marie Curie (1867 - 1934) Chemist & physicist. French, born Polish.

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