18ª semana CCM 2026. Banco Mundial e mercados de créditos de carbono; ISO padroniza; África e COP32; Japão e GX‑ETS; Artigo 6; Colômbia, Países Baixos e combustíveis fósseis; coerência na UE e mais
- Art Dam
- há 2 horas
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Segunda-feira, 04 de maio de 2026.
18ª semana de Carbon Credit Markets em 2026.
Mercados de carbono avançam globalmente, com o Banco Mundial apoiando novos instrumentos em países como Guiné e Moldávia, enquanto a ISO desenvolve um padrão unificado para dados relativos aos créditos de carbono. A África reforça a necessidade de implementação climática e maior participação nos mercados rumo à COP32, e o Japão finaliza seu sistema obrigatório GX‑ETS, que cobrirá 60% das emissões nacionais. No âmbito do Artigo 6, o MEP abriu consultas públicas antecipadas sobre metodologias e recomendações técnicas que embasarão decisões do Órgão de Supervisão em maio de 2026.
Outros destaques incluem a conferência pioneira sobre transição energética em Santa Marta, Colômbia, organizada com apoio dos Países Baixos, onde mais de 50 países debateram a redução dos combustíveis fósseis de forma justa, ordenada e equitativa, articulada pelo Activation Group 4 e já com próxima edição marcada para Tuvalu. Paralelamente, a União Europeia afirmou que acelerar a transição e reduzir a dependência fóssil é central para sua autonomia estratégica, defendendo maior coerência entre discurso e ação.
Curtas & Oportunidades incluem o lançamento, no Brasil, de um curso gratuito sobre os mercados de carbono do Artigo 6; a abertura, pelo GGGI, de uma chamada internacional para pesquisas em finanças de carbono com benefícios de adaptação; o início, pelo IPCC, de um novo relatório metodológico sobre remoção e captura de CO₂; a publicação, pela IFRS Foundation, da versão revisada do Due Process Handbook; e novas oportunidades da Economist Enterprise para organizações interessadas na COP31, na Turquia.
Além de uma lista com eventos imperdíveis.
Mais detalhes a seguir e - se quiser - ao som da balada country “Dryland Trails” ou alguma outra escolha musical de sua preferência.
Créditos de Carbono
Banco Mundial avança significativamente na precificação de carbono e infraestrutura de mercados
Tempos movimentados com a chegada do novo Diretor Global de Clima do Banco Mundial. Seu grupo, o Partnership for Market Implementation (PMI), destaca que mais de 35 países avançam na precificação de carbono, com os seguintes destaques recentes:
Guiné avança para implementar o primeiro instrumento setorial de precificação de carbono da África, começando pelos setores de bauxita e minério de ferro, com um modelo baseado em intensidade, fases iniciais de coleta de dados e capacitação, e a criação de uma Unidade de Carbono no Ministério do Meio Ambiente para coordenar a implementação.
Moldova colocou em vigor sua Lei de Ação Climática em janeiro de 2026, criando a base legal para precificação de carbono e um sistema de MRV alinhado à UE, com apoio do PMI na análise de impactos, exposição ao CBAM, definição de um roteiro de implementação e no avanço do arcabouço para um futuro imposto sobre carbono.
Além disso, grupos técnicos como o Carbon Market Infrastructure Working Group desenvolvem orientações para sistemas escaláveis, enquanto os resultados convergirão em encontros em Singapura, agora em maio, durante o Innovate4Climate e o Global Knowledge Forum on Carbon Pricing and Markets.
ISO avança em padrão global para harmonizar dados de créditos de carbono
A norma ISO/AWI TS 32214, atualmente em desenvolvimento no comitê ISO/TC 322 – Sustainable Finance, propõe criar um modelo de dados unificado para identificar e descrever projetos e unidades de créditos de carbono, harmonizando taxonomias, campos e formatos entre diferentes registros e preparando-os para uso em mercados financeiros, conforme indicado pela ISO. Paralelamente, o Climate Action Data Trust relata que especialistas reunidos em Guangzhou em outubro de 2025 iniciaram a elaboração do rascunho técnico, que deve ser concluído em 2027, integrando iniciativas como o Common Carbon Credit Data Model e o Carbon Data Open Protocol, reforçando a cooperação internacional para padronizar dados e aumentar a confiança nos mercados de carbono.
África Defende Implementação Climática e Expansão dos Mercados de Carbono rumo à COP32
O Africa Climate Talks — fórum continental organizado pela Comissão Econômica para a África (UNECA) para reunir especialistas, governos, sociedade civil e setor privado na formulação das posições africanas para as COPs — destacou que a África precisa avançar de compromissos para implementação, apesar de emitir menos de 4% dos gases globais e receber apenas 11% do financiamento necessário para cumprir suas NDCs, estimado em US$ 277 bilhões anuais. Seu Secretário-Executivo afirmou que a COP32 deve ser um teste de credibilidade, com foco em financiamento climático, adaptação, integração da ação climática ao desenvolvimento e fortalecimento da influência africana nas negociações. O encontro também enfatizou de forma destacada os mercados de carbono, defendendo maior participação africana e seu potencial estratégico para impulsionar transformação estrutural, industrialização verde e novas fontes de receita climática para o continente.
Japão formaliza o desenho final do seu mercado de carbono obrigatório
O documento do METI consolida o desenho técnico do novo sistema nacional de comércio de emissões (GX‑ETS), que se tornará obrigatório em 2026 para empresas com mais de 100 mil toneladas de CO₂ de emissões diretas, exigindo delas planos de transição, cálculo e verificação anual de emissões, e a posse de créditos equivalentes ao volume emitido; o sistema combina benchmarks setoriais e grandfathering - método que distribui cotas de carbono com base nas emissões históricas da própria empresa, reduzindo esse volume gradualmente ao longo do tempo - para alocação de cotas, estabelece preços mínimo e máximo para estabilidade, permite uso limitado de créditos J‑Credit e JCM, e será operado pela GX Acceleration Agency (GX推進機構), criando um mercado regulado que cobre cerca de 60% das emissões do Japão e inaugura a fase plena do GX‑ETS.
Consultas públicas do Artigo 6 avançam para decisões em maio de 2026
O Painel de Especialistas Metodológicos (MEP) concluiu sua 13ª reunião em Bonn e abriu novas consultas públicas para subsidiar a 21ª reunião do Órgão de Supervisão do Artigo 6.4, prevista para 18 a 21 de maio de 2026. Entre as chamadas, destaca‑se a consulta sobre o projeto de metodologia para eficiência energética em cozinhas domésticas, aberta de 24 de abril a 15 de maio de 2026, cujas contribuições serão avaliadas pelo MEP em sua próxima reunião, de 22 a 26 de junho de 2026. Paralelamente, até 6 de maio de 2026, stakeholders podem enviar comentários sobre as recomendações do MEP, que incluem o instrumento de análise de risco de lock‑in, o padrão de demonstração de adicionalidade, a ferramenta para fração de biomassa não renovável e a metodologia para abatimento de N₂O na produção de ácido nítrico. A abertura antecipada dessas consultas amplia o tempo disponível para que as partes interessadas contribuam antes das deliberações do Órgão de Supervisão.
Outros Destaques
Conferência Pioneira Impulsiona Cooperação Global para a Transição dos Combustíveis Fósseis
Encontro inaugura um novo tipo de diálogo internacional — menos preso às negociações formais da ONU e mais focado em soluções práticas — reunindo cerca de 60 países que representam um terço do consumo global de petróleo e um terço do PIB mundial, criando um espaço raro de cooperação sobre os desafios reais da transição.
A primeira conferência internacional focada exclusivamente na redução da dependência de combustíveis fósseis, realizada em Santa Marta (Colômbia) com apoio dos Países Baixos e participação de mais de 50 países, avançou na conversão do compromisso da COP28 em planos nacionais e em mecanismos de coordenação contínua. Conforme detalhado no documento oficial dos co‑anfitriões, o encontro reforçou a necessidade de uma transição justa, ordenada e equitativa. Visando garantir progresso durante todo o ano, também consolidou a articulação com o respectivo Activation Group - especificamente o AG4: Transitioning away from fossil fuels in a just, orderly and equitable manner. O texto destaca ainda a importância da cooperação internacional, do planejamento antecipado e do apoio a países dependentes de combustíveis fósseis para viabilizar a implementação efetiva da agenda global de redução gradual desses combustíveis.
A próxima conferência já está marcada e ocorrerá em 2027 … “Far from the grand cities of the American giant. And the ancient castles and splendor of Europe. There lies a vast blue continent. More ocean than land, more tide than border. More memory than monument. Far from places that have long help power. From structures that have steered us deeper into the storm. Stands a lighthouse for humankind. Here the horizon is not an end, but a premise … Tuvalu …” no Oceano Pacífico. Detalhes e video aqui.
UE Reforça Diplomacia Climática e Energética com Foco em Autonomia Estratégica
As conclusões do Conselho de Assuntos Externos da União Europeia, adotadas em 29 de abril de 2026, sobre diplomacia de energia e clima afirmam que fortalecer o engajamento internacional é essencial para a soberania do bloco, destacando que acelerar a transição energética e reduzir a dependência de combustíveis fósseis é o caminho mais eficaz para a autonomia estratégica. O documento — aprovado pelo órgão que reúne os ministros das Relações Exteriores da UE e define a política externa comum — também adota uma abordagem plurianual para prioridades diplomáticas, reafirma o valor do multilateralismo e reconhece que, em meio a tensões geopolíticas e impactos globais — como o encarecimento do GNL que afeta países mais vulneráveis — a UE precisa demonstrar maior cooperação e coerência entre discurso e ação.
Curtas & Oportunidades
Mercados de Carbono do Artigo 6 do Acordo de Paris. Lançado no Brasil curso gratuito, atualizado até agosto de 2025, com capacitação técnica, jurídica e estratégica sobre cooperação internacional para redução de emissões. Cobre Artigos 6.2 e 6.4, ITMOs, MCUs, créditos de carbono, experiências internacionais e aplicações nas políticas públicas e na NDC brasileira. São 15 horas de curso, certificado pela ENAP e desenvolvido pelo MMA. Aberto a qualquer pessoa interessada no tema.
Com prazo até 19 de maio de 2026, o Global Green Growth Institute (GGGI) — organização internacional intergovernamental criada e financiada por governos nacionais para apoiar países em desenvolvimento na transição para a economia verde — abriu chamada para pesquisas sobre finanças de carbono com benefícios de adaptação, convidando especialistas a explorar como países vulneráveis podem participar dos mercados de carbono com integridade.
Remoção de CO₂, captura, uso e armazenamento de carbono foi o tema do novo relatório metodológico iniciado em 14 de abril de 2026 pelo IPCC, o painel científico da ONU composto por mais de 150 especialistas.
A IFRS Foundation — entidade que supervisiona os padrões globais de reporte financeiro — publicou em 30 de abril de 2026 a versão revisada do Due Process Handbook, reforçando a governança dos padrões internacionais de sustentabilidade, clima e informações financeiras desenvolvidos pelo ISSB, colegiado responsável pelas normas globais de disclosure climático.
A Economist Enterprise está abrindo oportunidades para organizações que desejam liderar as conversas da COP31, em novembro, na Turquia — leia o material completo e descubra mais a respeito.
Eventos
🇬🇧 7 de maio, An overview of proposed enhancements to three SASB Standards. IFRS Sustainability Alliance.
🇨🇭12 de maio, Building Credible Strategies for Carbon Dioxide Removals. Gold Standard
🇧🇷 13 e 14 de maio, Fórum CCS Brasil. Consulado‑Geral Britânico em São Paulo, Brasil
🇦🇺 20 e 21 de maio, Carbon Farming Industry Forum 2026. Freemantle, Australia
🇸🇬 20 a 22 de maio, Innovate4Climate (I4C) 2026. Cingapure
🇪🇸 21 e 22 de maio, 13th Meeting of the Roundtable on Financing Water. OECD, Banco de España, CDP e Network for Greening the Financial System (NGFS)
🇵🇪 27 e 28 de maio, Peru Carbon Forum 2026, 3ra edición, ESAN, Lima, Perú
🇧🇷 24 de julho, 2ª Conferência Brasileira de Inventariação de Gases de Efeito Estufa. Curitiba, Brasil.
🇧🇷 27 e 28 de agosto, Conferência Brasileira Clima e Carbono, Aliança Brasil NBS
🇦🇿🇺🇳 5 a 9 de outubro, UNFCCC Climate Week 2, Baku, Azerbaijão
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