17ª semana CCM 2026. Mercados de carbono US$ 22 bi; Coréia e UNFCCC, India e Artigo 6, Brasil e Verra, Austrália; Europa e fósseis, ISSB, natureza e riscos sistêmicos; novo MRV REDD+; jobs VCMI e IETA
- Art Dam
- 26 de abr.
- 8 min de leitura
Segunda-feira, 27 de abril de 2026.
17ª semana de Carbon Credit Markets em 2026.
O mercado global de créditos de carbono atingiu US$ 22 bi em 2025, segundo a MSCI, com forte avanço de remoções e alta concentração em grandes compradores. Coreia do Sul, UNFCCC e GGGI lançaram uma plataforma global para mercados voluntários alinhada ao Artigo 6 e ao PACM. A Índia reforçou em sua NDC 2031–2035 a cooperação internacional via Artigo 6, já assinando com a Coreia do Sul parceria climática com foco no Artigo 6.2. No Brasil, a Verra aprovou os primeiros créditos sob a nova metodologia que combina restauração ecológica com atividades produtivas de uso sustentável, projeto no Cerrado capaz de remover 7,3 milhões de tCO₂.
Outros destaques incluem o lançamento do pacote AccelerateEU pela Comissão Europeia, buscando reduzir a dependência de combustíveis fósseis, aliviar preços de energia e acelerar a eletrificação. Já o ISSB decidiu criar um Practice Statement não obrigatório para orientar divulgações sobre natureza. Por outro lado, UNEP FI e GRI indicam que a perda de biodiversidade já representa risco financeiro sistêmico. O maior desafio segue sendo a falta de dados confiáveis, com menos de 1% das empresas reportando impactos sobre biodiversidade.
Curtas & Oportunidades incluem o relatório da MSCI sobre o mercado de carbono na Austrália, onde grandes diferenças de integridade entre projetos ARR já afeta preços e decisões. Webinar da UNFCCC apresentou a nova orientação de MRV para REDD+, com materiais de apoio que compartilhamos com vocês. Na Green Transformation Week, Simon Stiell afirmou que energia limpa é o antídoto para a volatilidade dos combustíveis fósseis. Há ainda oportunidades de trabalho na VCMI e na IETA para atuação em mercados de carbono e política climática.
Além de uma lista de eventos, que foi ampliada com a aproximação do verão no hemisfério norte.
Mais detalhes a seguir e - se quiser - ao som do dance-pop em espanhol e inglês “Carbon en Revolución” ou alguma outra escolha musical de sua preferência.
Créditos de Carbono
Capital global em créditos de carbono dispara e se concentra em poucos compradores, mostra MSCI
O relatório “Investment and Offtake Trends in the Global Carbon Credit Market”, publicado em abril de 2026, revela que o mercado de créditos de carbono atingiu um recorde de US$ 22 bilhões em 2025, impulsionado por grandes contratos de offtake — que superaram investimentos pela primeira vez — e por uma forte migração para remoções de carbono, especialmente em carbon engineering e nature restoration. A análise mostra ainda uma crescente concentração de compradores, com a Microsoft respondendo por 86% do valor global de offtakes, enquanto o número de investidores diminuiu, mesmo com o aumento do volume financeiro. O estudo destaca a expansão de acordos de longo prazo, a dominância de projetos de remoção, e a divisão geográfica entre engenharia de carbono (EUA e Europa) e soluções baseadas na natureza (América Latina, África e Ásia).
Coreia do Sul, UNFCCC e GGGI - criada na Rio+20 - Lançam Plataforma Global para Mercados Voluntários de Créditos de Carbono
Desde o Statement of Intent assinado no final de 2024 entre o Ministério da Economia e Finanças da Coreia do Sul e a UNFCCC, a Global Green Growth Institute (GGGI), organização internacional intergovernamental criada em 2012, durante a United Nations Conference on Sustainable Development uniu-se ao grupo. E no último dia 22 de abril, em Yeosu, lançaram oficialmente o projeto “Global Voluntary Carbon Market (GVCM) Aligned with the Paris Agreement”, iniciativa trienal (2026–2028) destinada a fortalecer mercados voluntários de créditos de carbono. Por meio de um padrão unificado alinhado ao Paris Agreement Crediting Mechanism (PACM), o principal objetivo é garantir alta integridade, transparência e evitar dupla contagem. O evento reuniu representantes de governos, setor privado e sociedade civil, destacando pilares como credibilidade baseada no PACM, infraestrutura para transferências de ITMOs, e exemplos práticos como a transação Noruega–Zâmbia, prevista para gerar 3,5 milhões de toneladas de reduções de CO₂. As instituições enfatizaram que o GVCM busca restaurar a confiança global nos mercados de carbono e apoiar países na geração e comercialização de reduções verificadas, com apresentação de seu modelo operacional prevista para a COP31.
Índia destaca cooperação via Artigo 6 em sua NDC 2031–2035
A NDC da Índia para 2031–2035, publicada na última sexta‑feira, 24 de abril de 2026, reafirma o compromisso nacional com a redução da intensidade de emissões, a ampliação de energia não fóssil, o fortalecimento de sumidouros florestais e a implementação de medidas de adaptação para aumentar a resiliência climática. O documento enfatiza a necessidade de financiamento climático, transferência de tecnologia, capacitação e cooperação internacional, incluindo a possibilidade de participação nos mecanismos previstos no Artigo 6 do Acordo de Paris, como parte das estratégias para apoiar um caminho de desenvolvimento de baixo carbono alinhado às prioridades nacionais e às responsabilidades comuns porém diferenciadas no regime climático internacional.
Índia e Coreia do Sul Selam Cooperação Climática com Foco no Artigo 6.2
Assinado em 20 de abril de 2026, o comunicado conjunto entre Índia e Coreia do Sul reforça a parceria em clima, meio ambiente, oceanos, economia azul e pesquisa no Ártico, destacando o compromisso com a Agenda 2030 e o Acordo de Paris, especialmente por meio do Artigo 6.2, que permite cooperação internacional em projetos de mitigação e a transferência de resultados de redução de emissões entre países para apoiar suas NDCs. O documento ressalta ações em energias renováveis, tecnologias de baixo carbono, proteção marinha, pesca sustentável e pesquisa polar, além de promover intercâmbio científico e institucional. As duas nações afirmam que a ampliação dessa cooperação impulsionará soluções inovadoras e escaláveis para o desenvolvimento sustentável no Indo‑Pacífico e em outras regiões.
Brasil, Verra emite primeiros créditos de carbono sob nova metodologia de reflorestamento
Em comunicado de 21 de abril, a Verra informou ter aprovado os primeiros créditos de carbono gerados pela metodologia VM0047 ARR, que traz uma inovação ao permitir combinar restauração ecológica com atividades produtivas de uso sustentável, ampliando a elegibilidade de áreas e a previsibilidade das remoções de carbono. O projeto Brazil Cerrado 1 recebeu 230.120 VCUs e poderá remover 7,3 milhões de toneladas de CO₂ em 20 anos, recuperando até 25 mil hectares no Cerrado e gerando benefícios para a biodiversidade, comunidades locais e para a oferta de créditos de alta integridade no mercado voluntário.
Outros Destaques
Comissão Europeia lança pacote AccelerateEU para reduzir dependência de combustíveis fósseis e acelerar energia limpa
A Comissão Europeia apresentou, em 22 de abril de 2026, o pacote AccelerateEU, um conjunto de medidas para proteger consumidores e indústrias dos impactos da atual crise de energia fóssil e acelerar a transição para energia limpa e produzida na própria UE. O plano inclui ações de coordenação entre Estados‑Membros para gestão de estoques de gás e petróleo, criação de um Fuel Observatory para monitorar combustíveis de transporte, medidas temporárias e direcionadas para aliviar preços elevados — como apoio à renda, vouchers de energia e ajustes tributários — e iniciativas estruturais como um Plano de Eletrificação e revisão da tributação da eletricidade para favorecer fontes renováveis. A Comissão destaca que a dependência de combustíveis fósseis importados já custou €24 bilhões adicionais desde a escalada do conflito no Oriente Médio, reforçando a urgência de acelerar a independência energética europeia.
ISSB opta por orientação não obrigatória para divulgações sobre natureza
No último dia 22 de abril, o ISSB comunicou decisão de avançar com a criação de um Practice Statement — um guia não obrigatório — para orientar empresas na elaboração de divulgações relacionadas à natureza, em vez de desenvolver um novo padrão mandatório. A proposta, que complementará os já existentes IFRS S1 e IFRS S2, busca minimizar impactos durante a fase de implementação global e apoiar companhias na identificação e comunicação de riscos e oportunidades ligados à natureza, tomando como referência o framework da TNFD. A minuta para consulta pública está prevista para outubro de 2026, quando stakeholders poderão avaliar se essa é a abordagem mais adequada para o tema.
Nature reporting ganha maturidade e pressiona setor financeiro a lidar com riscos sistêmicos da perda de biodiversidade
O artigo do UNEP FI e da GRI, publicado em 22 de abril de 2026, destaca que a perda de biodiversidade já ultrapassou sete dos nove limites planetários, transformando riscos ambientais em riscos financeiros sistêmicos para bancos, seguradoras e investidores, enquanto o avanço de nature‑related reporting busca ajudar instituições a identificar, medir e divulgar seus impactos e dependências da natureza. O texto mostra que reguladores como o Banco Central Europeu, a Prudential Authority da África do Sul e autoridades chinesas já integram riscos relacionados à natureza em seus mandatos, mas que o maior obstáculo continua sendo a escassez de dados confiáveis e comparáveis, já que menos de 1% das empresas reporta impactos sobre biodiversidade.
Curtas & Oportunidades
O relatório “Carbon-Credit Integrity in the ACCU Market” — sobre Australian Carbon Credit Units — publicado em março de 2026 pela MSCI, revela fortes diferenças de integridade entre projetos ARR (Afforestation, Reforestation and Revegetation) e mostra como prêmios de integridade já influenciam preços e decisões. Esses projetos, baseados em plantio, regeneração ou revegetação para ampliar a cobertura vegetal e gerar remoções de carbono, variam amplamente em desempenho e riscos. Uma leitura essencial para quem acompanha qualidade de créditos, adicionalidade, permanência e riscos no mercado voluntário.
Em 20 de abril de 2026, um webinar apresentou a nova orientação de MRV para REDD+ oferecendo uma visão geral de sua estrutura, principais componentes e aplicação prática para países que implementam REDD+ e para especialistas envolvidos em avaliações técnicas no âmbito da United Nations Framework Convention on Climate Change (UNFCCC). Aqui o o respectivo curso de e‑learning, em 27 slides.
“A energia limpa é o antídoto para o caos dos custos dos combustíveis fósseis”, afirmou Simon Stiell, Secretário‑Executivo da ONU para Mudanças Climáticas, no dia 20 de abril, na abertura da Green Transformation Week, realizada paralelamente à UN Climate Week 3 em Yeosu, República da Coreia. Leia aqui a transcrição oficial completa.
Duas oportunidades únicas na interseção entre diplomacia global e mercados de carbono: a VCMI está contratando profissionais para fortalecer a demanda por créditos de carbono de alta integridade e apoiar uma coalizão de 11 governos — com candidaturas abertas até 30 de abril de 2026. Confira aqui as vagas de Workstream Lead – Demand Activation e Project Manager.
Oportunidade em destaque na IETA. Se você quer atuar no centro da política climática da União Européia e influenciar os mercados de carbono, esta vaga de EU Policy Officer em Bruxelas está aberta por mais alguns dias.
Eventos
🇬🇧 27 de abril, International carbon credits & the EU 2040 target: A blueprint for environmental integrity. BeZero Carbon
🇨🇴🇳🇱 28 e 29 de abril, First International Conference on Phasing Out Fossil Fuels, pelos Governos da Colômbia e dos Países Baixos. Na cidade de Santa Marta, Colômbia
📅 29 de abril, Verra’s April 2026 Stakeholder Update Webinar
🇨🇭12 de maio, Building Credible Strategies for Carbon Dioxide Removals. Gold Standard
🇧🇷 13 e 14 de maio, Fórum CCS Brasil. Consulado‑Geral Britânico em São Paulo, Brasil
🇦🇺 20 e 21 de maio, Carbon Farming Industry Forum 2026. Freemantle, Australia
🇸🇬 20 a 22 de maio, Innovate4Climate (I4C) 2026. Cingapure
🇪🇸 21 e 22 de maio, 13th Meeting of the Roundtable on Financing Water. OECD, Banco de España, CDP e Network for Greening the Financial System (NGFS)
🇵🇪 27 e 28 de maio, Peru Carbon Forum 2026, 3ra edición, ESAN, Lima, Perú
🇲🇽 2 a 4 de junho, IETA Latin America Climate Summit LACS2026, Monterrey, México
🇦🇷 3 e 4 de junho, Argentina Carbon Forum 2026, Buenos Aires, Argentina
🇧🇷10 de junho, 15º Simpósio SAE BRASIL Veículos Elétricos e Híbridos, São Paulo, Brasil
🇬🇧 22 de junho 2026, Climate Innovation Forum 2026. Guildhall, Londres
🇧🇷 24 de julho, 2ª Conferência Brasileira de Inventariação de Gases de Efeito Estufa. Curitiba, Brasil
🇧🇷 27 e 28 de agosto, Conferência Brasileira Clima e Carbono, Aliança Brasil NBS
🇦🇿🇺🇳 5 a 9 de outubro, UNFCCC Climate Week 2, Baku, Azerbaijão
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