11ª semana CCM 2026. Ativos soberanos, governos assumindo os mercados de carbono, metodologias mais rígidas, ETS e Califórnia inspiram Brasil, sinais de aquecimento global se intensificam
- Art Dam
- há 48 minutos
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Segunda-feira, 16 de março de 2026.
11ª semana de Carbon Credit Markets em 2026.
Mercados de créditos de carbono cada vez mais transparentes, soberanos e rigorosos: bases globais como a do IGES japonês organizam dados do Artigo 6 e elevam a comparabilidade internacional; países passam a tratar créditos como ativos soberanos, criando infraestruturas próprias e usando-os como instrumentos econômicos e diplomáticos; experiências consolidadas, como o ETS europeu e o mercado da Califórnia, demonstram ganhos econômicos reais e inspiram o avanço brasileiro rumo a um mercado regulado; e padrões mais robustos, como a Metodologia REDD+ V3.1 da Cercarbono, reforçam credibilidade ao exigir dados oficiais, evitar dupla contagem e proteger comunidades.
Outros destaques recentes reforçam sinais de aceleração do aquecimento global e seus impactos: estudo publicado na Nature aponta que o planeta está aquecendo a 0,35 °C por década, ritmo quase duas vezes maior que o observado nos anos 1970; a Groenlândia registrou o janeiro mais quente da história, com temperaturas até 7,8 °C acima do normal; análises da The Nature Conservancy mostram que regiões tropicais e subtropicais já enfrentam calor extremo fisicamente perigoso para atividades cotidianas; e a Climate TRACE reporta que as emissões globais atingiram novo recorde em 2025, com aumento expressivo de metano. No campo das políticas públicas, a UN Climate Change abriu contribuições para os Roadmaps da COP30, enquanto em São Paulo, Brasil um novo simulador promete mais transparência e previsibilidade no licenciamento ambiental. Para quem busca oportunidades, a plataforma Science Careers reúne centenas de vagas internacionais em ciência e tecnologia.
Listamos também vários eventos imperdíveis.
Mais detalhes a seguir e - se quiser - ao som de “Carbono Sobe, o Clima Chama”
Créditos de Carbono
IGES lança base global de projetos de mercado de carbono para orientar implementação do Artigo 6
O A6ISR 2025 Global Carbon Market Project Database, desenvolvido pelo Institute for Global Environmental Strategies (IGES) com sede no Japão, reúne dados detalhados sobre projetos de mercado de carbono em todo o mundo e apoia o relatório Article 6 Implementation Status Report (A6ISR), que monitora o avanço da implementação do Artigo 6 do Acordo de Paris; a plataforma consolida informações sobre cooperação bilateral do Artigo 6.2, transições do Artigo 6.4 e padrões independentes, fortalecendo a transparência, a comparabilidade e a tomada de decisão em um momento crucial para a governança climática global. Acesse no link ou diretamente no arquivo em Excel abaixo.
Créditos de carbono estão se tornando ativos soberanos. E Sovereign Carbon Infrastructure-as-a-Service emergindo
Essa ideia de ativos soberanos resume-se ao fato de que governos passaram a assumir papel central na autorização e comercialização desses créditos, utilizando-os como instrumentos de política externa, financiamento climático e negociação internacional, enquanto estruturam mercados mais robustos, transparentes e alinhados às metas nacionais de mitigação; esse movimento inclui a criação de infraestruturas nacionais de registro de carbono, tratadas como sistemas soberanos capazes de transformar recursos naturais e inserir países no mundo dos ativos de capital natural.
Na verdade, a tendência já é percebida há mais tempo, como você pode ler no white paper de 2022 lançado pela Coalition for Rainforest Nations e pelo Deutsche Bank “UNFCCC REDD+ and the power of sovereign carbon”, apresentando os créditos de carbono soberanos como uma nova classe de ativos institucionais voltada a mobilizar capital para combater o desmatamento em larga escala.
Há também discussões sobre infraestruturas de registro de carbono, apresentadas como sistemas que permitem aos países - de forma soberana - transformar recursos naturais em ativos e participar de um mercado climático emergente. Veja por exemplo essa parceria recente anunciada nos Estados Unidos, formada para entregar Sovereign Carbon Infrastructure-as-a-Service (SCIaaS).
Brasil projeta ganhos com mercado de carbono após décadas de experiência internacional
A projeção apresentada pelo Ministério da Fazenda, em parceria com o Banco Mundial, indica que o avanço da descarbonização e a implementação do mercado regulado de carbono no Brasil tendem a ganhar importância crescente na dinâmica econômica do país, impulsionando decisões de investimento, competitividade e modernização produtiva; o estudo reforça que a transição para uma economia de baixas emissões será cada vez mais central para o desenvolvimento nacional e para a inserção do Brasil em cadeias globais que exigem métricas climáticas e comprovação de desempenho ambiental.
Vale também destacar o contexto global, marcado por mais de 20 anos de operação do ETS europeu — Emissions Trading System, ou Sistema de Comércio de Emissões, criado em 2005, sendo que desde então as emissões dos setores cobertos caíram cerca de 50% e o sistema está no caminho para atingir 62% até 2030, ao mesmo tempo em que gera receitas significativas — mais de €250 bilhões desde sua criação — que financiam projetos de energia limpa e modernização em toda a Europa.
Outra referência global que demonstra potencial econômico da descarbonização através de sistemas de comércio de emissões foi criada há cerca de 10 anos na Califórnia, Estados Unidos.
Cercarbono endurece regras e reforça credibilidade do REDD+ com nova Metodologia V3.1
A Metodologia REDD+ V3.1 da Cercarbono estabelece padrões mais rígidos para fortalecer a credibilidade, a transparência e a responsabilidade nos mercados de carbono florestal, exigindo que linhas de base sigam dados oficiais reportados pelos governos à UNFCCC, eliminando contagem dupla por meio de limites espaciais exclusivos e garantindo direitos comunitários com requisitos obrigatórios de consentimento, participação e verificação independente; sem alterar o escopo do mecanismo, a atualização assegura continuidade aos créditos anteriores e orienta novos projetos em um cenário de maior escrutínio global.
Outros Breves Destaques
Novo estudo “An acceleration of global warming since 2015” reportado em 6 de março pela Nature indica que o aquecimento global está se acelerando - aquecendo a uma taxa de cerca de 0,35 °C por década - quase dobrando o ritmo observado nos anos 1970. O artigo completo permite entender tanto os resultados quanto as críticas metodológicas feitas por especialistas.
A Danish Meteorological Institute (DMI) informou que a costa oeste da Groenlândia registrou o janeiro mais quente já observado, com a capital Nuuk atingindo média de 0,1 °C, ou seja, 7,8 °C acima do normal e quebrando um recorde de 109 anos.
A matéria “Unliveable Earth: Daily Life Is Becoming More Dangerous as Planet Heats Up” (The Nature Conservancy) mostra que regiões tropicais e subtropicais, especialmente Sul e Sudoeste da Ásia, incluindo os Estados do Golfo, já vivem uma situação crítica em que o calor extremo torna até atividades leves ao ar livre fisicamente inseguras.
A Climate TRACE, coalizão global que monitora emissões em tempo quase real, divulgou que as emissões globais de gases de efeito estufa atingiram um novo recorde em 2025, e convida o público a conferir a análise completa em seu site, que detalha o aumento de 0,5% nas emissões totais e o salto histórico nas emissões de metano.
A UN Climate Change abriu chamadas em março de 2026 para contribuições aos dois Roadmaps da Presidência da COP30 — sobre transição dos combustíveis fósseis e desmatamento zero até 2030 — e convida interessados a participar enviando suas submissões até 31 de março, com mais detalhes disponíveis no link oficial.
Simulador de Valores de Licenciamento Ambiental em São Paulo, Brasil. Fiesp, Ciesp e Cetesb firmaram recentemente um acordo que reduz custos e redefine prazos do licenciamento ambiental, com maior transparência e previsibilidade ao processo.
A plataforma Science Careers reúne centenas de vagas internacionais em áreas como biomedicina, química, engenharia, computação, ciências da vida e física, além de oferecer ferramentas de carreira e acesso a empregadores de destaque.
Eventos
🇮🇹 17-19 de março, 3rd European Carbon Farming Summit. Padova Congress, Itália
🇵🇾 25 e 26 de março, Paraguay Carbon Forum, Asunción, Paraguay
🇧🇷 26 de março, Fórum Crea - SP - Visão ESG: O Papel da Engenharia na Resiliência dos Negócios. São Paulo, Brasil
📅 29 de abril, Verra’s April 2026 Stakeholder Update Webinar
🇨🇴🇳🇱28 e 29 de abril, First International Conference on Phasing Out Fossil Fuels, pelos Governos da Colômbia e dos Países Baixos. Na cidade de Santa Marta, Colômbia
🇧🇷 13 e 14 de maio, Fórum CCS Brasil. Consulado‑Geral Britânico em São Paulo, Brasil
🇦🇺 20 e 21 de maio, Carbon Farming Industry Forum 2026. Freemantle, Australia
🇸🇬 20 a 22 de maio, Innovate4Climate (I4C) 2026. Cingapure
🇪🇸 21 e 22 de maio, 13th Meeting of the Roundtable on Financing Water. OECD, Banco de España, CDP e Network for Greening the Financial System (NGFS)
🇵🇪 27 e 28 de maio, Peru Carbon Forum 2026, 3ra edición, ESAN, Lima, Perú
Entre a COP30 e a COP31, quando governos, líderes financeiros e implementadores deixam de negociar textos e passam a construir os mecanismos concretos que realmente entregam resultados.
🇰🇷🇺🇳21 a 25 de abril, Climate Week 1, Yeosu, Coréia do Sul
🇦🇿🇺🇳 5 a 9 de outubro, Climate Week 2, Baku, Azerbaijão
🇧🇷 27 e 28 de agosto, Conferência Brasileira Clima e Carbono, Aliança Brasil NBS
Carbon Credit Markets é canal educativo e mídia referência nos mercados de carbono, membro da coalisão COP Experience, com forte presença digital e audiência global em mais de 100 países.




